Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O governador, Roberto Cidade (União Brasil), anunciou, na noite desta sexta-feira, 31/7, o pagamento de R$ 84 milhões em honorários destinados aos médicos que atuam na rede pública estadual. A declaração ocorre poucos dias após o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) denunciarem atrasos de até oito meses nos repasses aos profissionais e anunciarem medidas administrativas e judiciais para cobrar a regularização dos pagamentos.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Roberto Cidade afirmou que o Estado já realizou pagamentos referentes ao mês e garantiu que uma nova parcela será quitada na próxima semana.
“Hoje nós fizemos o pagamento dos médicos do Estado do Amazonas. Só na data de hoje foram pagos mais de R$ 84 milhões. E na próxima semana, mais R$ 43 milhões. São duas competências que nós vamos honrar o nosso pagamento deste mês com todos os médicos”, declarou.
Segundo o governador, entre abril e julho já foram pagos R$ 255 milhões aos profissionais da saúde. Ele também afirmou que irá se reunir com representantes da categoria para discutir os débitos acumulados de períodos anteriores.
“Na próxima semana, nós iremos ter uma conversa com todos os profissionais para que a gente possa entrar no entendimento e ver os débitos anteriores, para que possamos começar a solucionar de vez essa questão que se arrasta há anos”, disse Cidade, que também é pré-candidato à reeleição, com apoio do ex-governador Wilson Lima, que também não conseguiu sanar a questão.
Publicação gera críticas
Apesar do anúncio, a publicação foi rapidamente tomada por comentários de internautas que cobraram explicações sobre os atrasos, que vinham ocorrendo há mais de oito meses, e lembraram das denúncias recentes, afirmando que o pagamento só ocorreu após a repercussão do caso.
Entre as mensagens, um dos comentários mais realizados resume o sentimento de parte dos seguidores .“Só vai na base da pressão, sinceramente!”, escreveu o internauta.


Outro usuário afirmou que o pagamento era uma obrigação da gestão estadual. “Quer aplausos por fazer o seu trabalho?”, comentou
Também houve quem relacionasse a decisão à repercussão do caso na imprensa. “Só na pressão, porque estava saindo nos jornais, até nos jornais nacionais estava saindo isso sobre não estar pagando o pessoal da área da saúde”, escreveu.
Um outro rapaz também fez críticas à condução da crise na saúde. “Só funciona na base da lapada. Enquanto não sair o pagamento de todos, vou cobrar. Isso não muda meu pensamento. Você se mostrou irresponsável para os rodoviários e para a rede pública de saúde”, afirmou.
População aproveita para denunciar problemas na saúde
Além das cobranças sobre os pagamentos, diversos usuários utilizaram a publicação para relatar problemas enfrentados em unidades de saúde do Estado.
Uma internauta afirmou que o Instituto da Mulher Dona Lindu enfrenta falta de água e problemas no sistema de climatização.
“Aqui no Instituto da Mulher Dona Lindu não tem água e os ar-condicionados não estão funcionando direito. Para de fazer show e dá umas blitz nos hospitais.”
Outra cobrou melhorias na pediatria da Fundação Hospital do Coração Francisca Mendes. “E a pediatria do Francisca Mendes como fica?”


Também houve relatos sobre equipamentos sem funcionamento. “O raio-X do SPA do Coroado está quebrado e a minha mãe precisa fazer um exame”, escreveu outra internauta.
Outros comentários cobraram o pagamento de enfermeiros, maqueiros e trabalhadores vinculados à Aadesam que, segundo os usuários, ainda aguardam verbas rescisórias.
Denúncia antecedeu anúncio do governo
O anúncio do governador acontece dois dias após o Conselho Federal de Medicina e o Sindicato dos Médicos do Amazonas denunciarem os recorrentes atrasos nos pagamentos dos profissionais da rede estadual.
Durante reunião realizada na última quarta-feira, 30, representantes das entidades afirmaram que médicos acumulam entre sete e oito meses sem receber pelos serviços prestados. Na ocasião, o CFM classificou a situação do Amazonas como uma das mais graves do país e anunciou apoio às medidas adotadas pela categoria para cobrar a regularização dos débitos.
A mobilização também previa o envio de uma Nota Técnica à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), além da adoção de medidas judiciais para garantir o pagamento dos profissionais.






