Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A perda dos filhos transformou o luto em mobilização. Mães de crianças que morreram em unidades de saúde do Amazonas criaram o movimento “Mães por Justiça” para cobrar respostas, acompanhar investigações e defender mudanças no atendimento pediátrico.
O grupo reúne famílias que relatam falhas no atendimento médico, dificuldades para obter prontuários, demora nas apurações e falta de apoio após as mortes. A mobilização ganhou força com manifestações, reuniões com autoridades e ações públicas em busca de respostas.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, Ariana Malveira, mãe do bebê Pedro Victor e uma das representantes do movimento, contou como a morte do filho deu origem à luta e relatou as dificuldades enfrentadas pelas famílias.
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Morte de Pedro Victor deu início à mobilização
Segundo Ariana, Pedro Victor tinha dois meses quando apresentou problemas respiratórios e foi diagnosticado com bronquiolite. Durante a internação, a mãe afirma que uma alteração na medicação teria agravado o estado de saúde do bebê, que morreu após complicações.
“Entre idas e vindas, ele adquiriu bronquiolite e precisou ficar internado. Em um plantão noturno, trocaram a medicação dele e aplicaram benzetacil na veia. Com isso, ele teve complicações, demorou para ir para a UTI e infelizmente veio a óbito”, relatou.

Após a perda do filho, Ariana afirmou que a família passou a buscar esclarecimentos sobre o caso. “Quando a gente perdeu o Pedro, ficamos sem chão. Depois entendemos que essa situação precisava de responsabilização”, disse.
Movimento reúne mães de diferentes casos
O “Mães por Justiça” surgiu após a aproximação entre famílias que passaram por situações semelhantes. Segundo Ariana, o grupo começou após a repercussão do caso de Markelly Rodrigues, outra mãe que buscava respostas pela morte do filho.

Atualmente, o coletivo reúne 24 mães, incluindo famílias de outros estados. “Chegaram relatos de várias mães e percebemos que existia a mesma dor, o mesmo sentimento de injustiça e impotência”, afirmou Ariana.
Famílias cobram respostas das autoridades
Entre as principais reivindicações do movimento está a agilidade nas investigações. Ariana afirma que existem casos acompanhados pelo grupo desde 2022 sem conclusão dos procedimentos.
“A principal dificuldade hoje está na investigação. A gente procura respostas e não recebe”, declarou.
As mães também relatam dificuldades para acessar prontuários médicos e documentos necessários para acompanhar as apurações. “A mãe já está revivendo o lugar onde perdeu o filho e ainda encontra dificuldade para conseguir o prontuário”, afirmou.
Grupo cobra melhorias no atendimento pediátrico
Além da responsabilização dos casos já registrados, o movimento defende mudanças na estrutura da saúde infantil, principalmente com maior presença de pediatras em unidades de urgência.
“O olhar clínico para uma criança é diferente. Muitas vezes a criança vai ao hospital, recebe medicação e volta para casa, mas retorna em uma situação mais grave”, disse Ariana.

O grupo também pretende ampliar o debate com órgãos públicos e instituições para discutir protocolos de atendimento e medidas de prevenção.
Rede de apoio para mães enlutadas
Além da busca por justiça, o movimento funciona como uma rede de acolhimento para mães que enfrentam o luto. Segundo Ariana, o grupo oferece apoio emocional para famílias que muitas vezes enfrentam a perda sem suporte.
“O luto materno é solitário. Com outras mães, conseguimos conversar sem julgamento”, afirmou.
Secretaria é procurada
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para obter posicionamento sobre as denúncias apresentadas pelo movimento “Mães por Justiça”, incluindo questionamentos sobre investigações, atendimento médico e apoio às famílias.
Até a publicação desta matéria, a secretaria não havia enviado resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.






