Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Seis anos depois da polêmica compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19, o ex-governador e candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil) voltou ao assunto nesta terça-feira, 18/8. Em vídeo nas redes sociais, ele chamou de “fake news” a história de que seu governo teria comprado os equipamentos em uma loja de vinhos e disse que seu erro foi não ter se defendido na época.
“Errei ao não ter dedicado tempo nas redes sociais para me defender quando essa fake news começou a circular lá em 2020”, declarou.
Segundo Wilson, os equipamentos foram comprados da FJAP e Cia. Ltda., uma importadora autorizada a comercializar diferentes produtos, inclusive médico-hospitalares. A empresa usava o nome fantasia Vineria Adega e também atuava no comércio de bebidas. O ex-governador afirma que, naquele momento, havia dificuldade para encontrar respiradores no mercado e que os aparelhos oferecidos pela empresa poderiam ser entregues mais rapidamente.
“Se eu não tivesse comprado respiradores com rapidez, hoje eu poderia ser considerado pelo povo e pela Justiça como governador omisso”, afirmou.
Mas o caso que chegou aos órgãos de controle e à Justiça não ficou restrito ao fato de a empresa ter ligação com uma loja de vinhos.
Compra de quase R$ 3 milhões
Em abril de 2020, o Governo do Amazonas comprou 28 respiradores por R$ 2,97 milhões, o equivalente a cerca de R$ 106 mil por equipamento. Em decisão publicada no mês seguinte, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) apontou indícios de sobrepreço. O documento comparou os valores com equipamentos semelhantes adquiridos pelo Governo Federal por aproximadamente R$ 57 mil cada.
O TCE também citou relatórios do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) e da Vigilância Sanitária de Manaus que questionaram a capacidade dos equipamentos para atender pacientes graves de Covid-19.

Wilson virou réu no STJ
As investigações avançaram e chegaram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em setembro de 2021, a Corte Especial recebeu a denúncia do Ministério Público Federal contra Wilson Lima e outros envolvidos.
No processo constam acusações de direcionamento e fraude em licitação, peculato, organização criminosa e tentativa de atrapalhar as investigações. Ao aceitar a denúncia, o STJ entendeu que havia indícios suficientes para que a ação continuasse. Isso não significa que Wilson tenha sido condenado.
No caso do ex-governador, o acórdão cita “elementos indiciários robustos” e registra que ele teria acompanhado a compra e recebido pessoalmente 19 aparelhos um dia antes da contratação da FJAP. O documento também aponta elementos da acusação segundo os quais Wilson teria exercido o comando do grupo investigado. Mas Wilson nega as irregularidades.

O que acontece em setembro?
O caso voltará à pauta do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em setembro. A sessão da Corte Especial está prevista para começar no dia 2 de setembro, quando os ministros deverão analisar recursos apresentados pelas defesas de Wilson Lima e de outro réu no processo.
Isso não significa que Wilson será condenado ou absolvido nessa data. O que estará em análise são recursos apresentados dentro da Ação Penal 993, processo que investiga as supostas irregularidades na compra dos respiradores.
A ação passou recentemente por uma mudança. A ministra Nancy Andrighi assumiu a relatoria depois que o ministro Francisco Falcão deixou o caso por motivo de foro íntimo.
Wilson e outros acusados são réus desde 2021, quando o STJ aceitou a denúncia. Portanto, mesmo após a análise prevista para setembro, o processo ainda poderá continuar até que a Justiça decida definitivamente sobre as acusações.
Pandemia deixou mais de 14 mil mortos
No vídeo, Wilson também afirma que sua prioridade naquele período era “salvar vidas” e lembra que o Amazonas enfrentava falta de UTIs, leitos e estrutura hospitalar.
A pandemia deixou mais de 14 mil mortos no Amazonas. Em janeiro de 2021, meses depois da compra dos respiradores, Manaus viveu um dos momentos mais graves da crise, quando hospitais ficaram sem oxigênio medicinal.
Pacientes morreram em meio ao desabastecimento, enquanto profissionais de saúde e familiares buscavam cilindros e improvisavam alternativas para tentar manter pessoas respirando.
A crise do oxigênio não faz parte da mesma compra dos 28 respiradores investigada pelo STJ, mas marcou a condução da pandemia no Amazonas durante o governo Wilson Lima.
Vídeo recebe críticas

A nova explicação de Wilson para tentar se defender também provocou críticas nas redes sociais. “Falou, falou e não convenceu”, escreveu um internauta. Outro comentou que, ao olhar para o ex-governador, lembrava da “falta de respiradores”.






