Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A gestão de Roberto Cidade é alvo de investigação da Justiça Eleitoral após uma série de demissões e contratações na Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam).
O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) determinou que a agência apresente, em 48 horas, informações detalhadas sobre desligamentos, convocações, admissões e contratações realizadas desde 1º de julho de 2026.
A decisão é da desembargadora Nélia Caminha Jorge e atende a um pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), que apura possíveis irregularidades na movimentação de pessoal durante o período que antecede as eleições. O procedimento poderá subsidiar uma futura Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE).

461 desligamentos em três dias
Segundo documentos apresentados pelo MPE, dados do eSocial apontam 461 desligamentos na Aadesam entre os dias 1º e 3 de julho. No mesmo período, a agência informou ao Ministério Público ter realizado mais de 140 admissões relacionadas ao Edital nº 004/2026/CPSS/AADESAM.
A movimentação chamou a atenção do Ministério Público por ter ocorrido às vésperas do período em que a legislação eleitoral impõe restrições a determinadas nomeações, contratações, admissões e demissões sem justa causa no serviço público.
O processo reúne ainda relatos de trabalhadores que afirmam ter sido chamados ao setor de Recursos Humanos nos dias 3 e 4 de julho para procedimentos de desligamento. Também há alegações de documentos com datas retroativas e de possíveis pressões relacionadas à permanência nos postos de trabalho.
Apesar dos elementos apresentados pelo MPE, o TRE-AM não concluiu que houve crime eleitoral ou abuso de poder. Nesta etapa, a Corte considerou que existem indícios suficientes para justificar a preservação e a produção antecipada de provas.
Mobilização de profissionais da saúde
A investigação ocorre em meio à mobilização de profissionais de enfermagem da rede pública estadual. Nesta sexta-feira, 21, trabalhadores realizam um ato em frente ao Ministério Público do Trabalho (MPT), em Manaus.
A categoria aguarda uma audiência de mediação com representantes da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Os profissionais denunciam perseguições, ameaças, retirada de escalas sem justificativa e desligamentos após a busca por direitos trabalhistas na Justiça.
A principal preocupação é a possibilidade de novos desligamentos na rede estadual de saúde. Os trabalhadores temem que a situação resulte em centenas de novas demissões.
A audiência no MPT deve discutir a situação dos profissionais já desligados e buscar alternativas para evitar novos cortes na rede estadual.
Governo é procurado
A reportagem procurou o Governo do Amazonas para solicitar esclarecimentos sobre as demissões e contratações mencionadas no processo, bem como sobre os questionamentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral. Até a publicação, não houve resposta.






