Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A advogada e jornalista Liliane Araújo rebateu as declarações do ex-governador do Amazonas e candidato ao Senado, Wilson Lima (União Brasil), sobre a compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19.
Em vídeo publicado nesta quinta-feira, 21/8, ela questionou a versão apresentada pelo político sobre o caso e citou o processo relacionado à chamada Operação Sangria.
Para Liliane, é necessário separar o debate político das informações que constam no processo judicial. Ela afirmou que a condição de réu de Wilson Lima no Superior Tribunal de Justiça (STJ) é um fato processual e não uma opinião.
“Ele diz que é fake news, mas, caro ex-governador, ser réu no STJ não é opinião, é fato processual”, declarou.
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Segundo a advogada, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) foi recebida pela Corte Especial do STJ em 2021. Ela também citou os crimes atribuídos aos réus no processo e ressaltou que eventuais responsabilidades devem ser analisadas pela Justiça.
“Você, sim, responde por crimes como organização criminosa, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e peculato. Negar a existência do processo é um deboche com a inteligência do povo e, principalmente, com a própria Corte Especial”, afirmou.
Wilson Lima retoma caso dos respiradores
Wilson Lima voltou a falar sobre a compra dos respiradores em vídeo publicado na terça-feira, 18. Na gravação, o ex-governador apresentou sua versão sobre a aquisição dos equipamentos durante a emergência sanitária.
Segundo Wilson, os respiradores foram comprados da empresa FJAP e Cia. Ltda., que possuía autorização para comercializar diferentes produtos, incluindo equipamentos médico-hospitalares. A empresa utilizava o nome fantasia Vineria Adega e também atuava no comércio de bebidas.
O ex-governador afirmou que, naquele momento, havia dificuldade para encontrar respiradores no mercado e que a empresa poderia entregar os equipamentos em um prazo menor.
“Errei ao não ter dedicado tempo nas redes sociais para me defender quando essa fake news começou a circular em 2020”, disse Wilson.
A declaração foi feita em referência às críticas e acusações que surgiram na época da compra dos equipamentos.
Compra dos equipamentos
A aquisição dos respiradores ocorreu durante o período mais crítico da pandemia, quando governos enfrentavam dificuldades para encontrar equipamentos hospitalares e ampliar a estrutura de atendimento.
O caso posteriormente passou a ser investigado no âmbito da chamada Operação Sangria. As apurações questionaram aspectos da contratação, os valores envolvidos e a forma como a compra foi realizada.
De acordo com Liliane, o ponto central das investigações não seria a autorização da empresa para comercializar equipamentos hospitalares, mas a forma como a negociação foi estruturada.
“Sobre a famosa loja de vinhos, o que a PF e as investigações apontaram não é que a empresa não pudesse vender os respiradores, mas, sim, a estranha triangulação que fez os preços dos respiradores dispararem em plena pandemia”, afirmou.
Processo tramita no STJ
Ao rebater as declarações de Wilson Lima, Liliane destacou que a existência do processo judicial é uma informação que pode ser verificada nos registros da Justiça.
Segundo ela, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal foi recebida pela Corte Especial do STJ em 2021, fazendo com que Wilson Lima passasse à condição de réu na ação penal.
A advogada ressaltou, porém, que a condição de réu não significa uma condenação e que a responsabilidade pelos fatos deve ser definida ao longo do processo. “Resumindo: o processo continua, você é réu e a Justiça segue seu curso”, declarou.
Liliane questiona versão apresentada pelo ex-governador
Na avaliação da jornalista e advogada, Wilson Lima tenta apresentar o episódio como uma informação falsa, enquanto o processo judicial trata de questionamentos relacionados à compra dos respiradores.
Ela também mencionou o prejuízo apontado pelo Ministério Público no caso e criticou a forma como o ex-governador voltou a abordar o assunto nas redes sociais.
Para Liliane, o debate deve considerar as informações presentes no processo e aguardar a conclusão da Justiça.
Ao final do vídeo, a advogada fez uma provocação ao ex-governador sobre a estratégia de defesa adotada nas redes sociais. “A pergunta que todo mundo quer saber é: até quando o seu óleo de peroba vai sustentar essa narrativa?”, afirmou.






