Lauris Rocha e Alita Falcão – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Ao contrário do compromisso assumido com os amazonenses para priorizar a recuperação da BR-319, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou a rodovia fora das obras do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Seleções, anunciado na última semana.
Apesar do Amazonas ser contemplado com 154 obras e equipamentos na área da educação, saúde, cultura e outros, a grande expectativa era pela pavimentação da BR-319, que liga Manaus–Porto Velho.
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O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com políticos locais e alguns parlamentares da bancada do Amazonas no Congresso Nacional para saber as possíveis alternativas para solucionar o drama vivido há décadas por quem precisa trafegar pela estrada.
“O Amazonas foi esquecido pelo Governo Lula. Quando seu governo tem uma chance real de fazer algo pelo amazonenses, ele prefere a omissão”, criticou a empresária e pré-candidata à Prefeitura de Manaus, Maria do Carmo Seffair (Novo-AM).
O deputado federal e também pré-candidato a prefeito, Capitão Alberto Neto (PL), conversou com o Portal RIOS DE NOTÍCIAS e considerou que essa “é uma triste notícia para o Amazonas.”
“O governo de maneira irresponsável não inclui a BR-19 no PAC, logo não vai ter recurso para reestruturar e reasfaltar a rodovia. Vamos continuar lutando, tem um grupo de trabalho que não mostrou ainda para que veio, não deu sinais positivos que vai avançar”, lamentou o deputado.
“Tenho um projeto que fui o relator, que traz o Fundo Amazônico para servir de recurso para o asfaltamento da BR-319. Esse projeto já está no Senado Federal e através dele vamos tentar realizar o grande sonho do nosso povo, que é reasfaltar a BR-319”, completou Alberto Neto.

A luta continua
Para o senador Plínio Valério (PSDB), independentemente da BR-319 não estar no PAC, a luta continua por parte dos senadores e deputados federais do Amazonas. Ele considerou inaceitável a postura do governo federal em relação a rodovia, que é a única ligação pé terra do Estado com o restante do país.
“Isso é inadmissível em se tratando de um Estado tão importante quanto o nosso. A gente vai continuar [bancada do Amazonas] nessa luta. É nossa obrigação. Reitero a todos os amazonenses que até o final do nosso mandato, que ainda vão demorar três anos, nós vamos diuturnamente cobrar esse direito que nós temos”, garantiu Plínio Valério.
Apesar da negativa no PAC, o senador prefere se manter otimista quanto aos resultados dos estudos feitos sobre a viabilidade ambiental da recuperação da BR-319.
“O grupo tarefa que foi criado para fazer o estudo sobre a BR-319 ainda não entregou o trabalho definitivo, mas a gente já viu o depoimento de que eles são favoráveis. Eles dizem que é possível, sim, asfaltar o trecho do meio, resguardando os cuidados ambientais. O governo [Lula] não é assim tão insensível quanto a isso. Você tira a Marina desse jogo aí, é claro”, alfineta o Plínio.

‘Inimiga do Amazonas’
A referência negativa do senador Plínio Valério à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se deve às suas sucessivas falas contra a pavimentação da BR-319. A mais polêmica, que rendeu até moção de repúdio por parte dos deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), foi dita durante audiência da CPI das ONGs em novembro do ano passado.
“Não se faz uma estrada de 400 quilômetros no meio de floresta virgem apenas para passear de carro se não tiver associada a um projeto produtivo” banalizou Marina Silva, à época.






