Redação Rios
AMAZONAS – Uma área de 120,8 hectares, equivalente a aproximadamente 169 campos de futebol, foi embargada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) após a identificação de desmatamento e queimada em Manaquiri, município a 60 quilômetros de Manaus.
A medida foi adotada durante uma fiscalização realizada na sexta-feira, 30/10, como parte da 14ª etapa da Operação Tamoiotatá 6. Os procedimentos administrativos foram concluídos nesta terça-feira, 3/11.
A área fica na comunidade Divino Espírito Santo, no Ramal do Jaraqui, às margens do Lago Jaraqui, no quilômetro 9 da rodovia AM-354. Durante a fiscalização, os agentes utilizaram um drone para registrar imagens aéreas que confirmaram a retirada da vegetação e o uso do fogo. O Termo de Embargo e Interdição abrange 120,8305 hectares.
A ocorrência foi registrada durante o período de proibição do uso do fogo no Amazonas, estabelecido pelo Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, com duração de 120 dias.
Segundo o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, o embargo foi aplicado para impedir a continuidade dos danos ambientais enquanto avançam os procedimentos para identificar e responsabilizar os envolvidos.
De acordo com o gestor, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) já possui informações sobre o proprietário da área. O instituto trabalha na complementação dos dados necessários para a emissão do Auto de Infração.
“O embargo é uma medida imediata para impedir que o desmatamento e as queimadas continuem. A Polícia Civil já dispõe de informações sobre o proprietário da área, e nossas equipes estão reunindo os dados que faltam para que, em breve, seja lavrado o Auto de Infração”, afirmou Picanço.
O que significa o embargo
O embargo é uma medida administrativa que impede a continuidade de atividades na área delimitada que possam ampliar os danos ambientais. Na prática, ficam proibidas novas derrubadas de vegetação, queimadas e atividades econômicas incompatíveis com as restrições determinadas pelo órgão ambiental.
A medida pode ser aplicada antes da emissão do Auto de Infração. Enquanto o embargo busca interromper a degradação, o auto formaliza a irregularidade e dá início ao processo de responsabilização administrativa, que pode resultar em multa.
O embargo também não significa perda da propriedade, mas impõe restrições ao uso da área. Além disso, imóveis com áreas embargadas por desmatamento ilegal podem enfrentar impedimentos para acessar determinadas modalidades de crédito rural, conforme as regras do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central.
Fiscalização na Região Metropolitana
A 14ª etapa da Operação Tamoiotatá 6 conta com equipes do Ipaam, da PC-AM, do Batalhão de Policiamento Ambiental da Polícia Militar (BPAmb/PMAM), do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
As equipes também foram reforçadas em municípios próximos à capital, como Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea, para intensificar a fiscalização de alertas de desmatamento e queimadas ilegais.
Paralelamente, o Ipaam atua na Operação Alerta Fogo, voltada à fiscalização do uso irregular do fogo durante o período de proibição. A operação abrange Manaus, Iranduba, Manacapuru, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Silves, Itapiranga e Itacoatiara.
O órgão também mantém a Operação Região Metropolitana, destinada à fiscalização de outras infrações ambientais. Para auxiliar os trabalhos, os agentes utilizam drones e viaturas equipadas com internet via Starlink.
Como denunciar
A população pode denunciar possíveis casos de desmatamento ilegal e uso irregular do fogo ao Ipaam pelo WhatsApp (92) 98557-9454. Sempre que possível, as denúncias devem incluir localização, fotos e vídeos que ajudem a identificar a ocorrência.
Em casos de incêndio em andamento, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas deve ser acionado pelo telefone 193.
*Com informações da assessoria






