Caio Silva – Rios de Notícias
BORBA (AM) – Familiares de um paciente que morreu no Hospital Central de Borba, interior do Amazonas, denunciaram negligência e descaso da unidade após a vítima não conseguir ser transferida para Manaus. O caso foi divulgado em vídeo nas redes sociais nesta terça-feira, 20/1.
Segundo relatos da família, o paciente estava internado desde sábado, 17, com sangramento e necessitava de atendimento em hospital com mais estrutura.
A transferência aérea prometida nunca ocorreu, e os familiares afirmam que enfrentaram dificuldades para obter informações sobre seu estado de saúde.
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Desespero e demora no atendimento
Em um vídeo divulgado, um familiar relata o desespero diante da demora: “Meu irmão tá desde sábado, derramando sangue, tá entendendo? Só ficam enrolando, dizendo que vai chegar um avião para levar ele para Manaus, mas nada chega. A família está implorando, se humilhando”, afirmou.
Segundo os familiares, os médicos não deram retorno sobre o estado do paciente, aumentando a tensão: “Isso aqui é o município de Borba. Isso é uma falta de vergonha para o município”, disse um deles.
Indignação da família
Ana Karoliny, sobrinha do paciente, relatou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS que seu tio faleceu após três dias internado. Ele precisava ser transferido para Manaus, mas segundo a jovem, o prefeito de Borba, Toco Santana (Republicanos), não disponibilizou avião.

“Revoltante isso, eles não tão nem aí, e os médicos ainda colocaram o motivo da morte como desconhecido”, afirmou. Ela disse que a equipe alegou que o avião não estava disponível ou estava quebrado.
“Ele chegou vomitando sangue, com suspeita de úlcera. Ficaram de levá-lo para Manaus, mas enrolaram. Ontem tentaram entubar e ele não aguentou. O prefeito, para tentar se eximir da responsabilidade, deu um caixão”, relatou.
Falta de estrutura e atendimento inadequado
A irmã da vítima, Mirianes Souza, denunciou a falta de estrutura do hospital e a dificuldade de obter informações sobre o estado do paciente.
“Olha como está Borba. Acabaram de matar meu irmão. Cadê o prefeito que ia cuidar da saúde? Tá uma vergonha”, afirmou.

Segundo ela, o paciente chegou em estado grave e permaneceu na unidade sem medidas adequadas ou transferência. Quando a equipe médica decidiu intubar o paciente, fez isso sem o consentimento da família.
“Meus irmãos não concordaram, mas mesmo assim levaram adiante. Depois, não davam notícias, não respeitaram o sentimento da família. Chamaram a polícia e expulsaram todos da frente do hospital. Uma coisa que eles não tiveram foi respeito”, concluiu.
Resposta das autoridades
A Prefeitura de Borba informou que o paciente Manoel de Souza Lima deu entrada no Hospital Central Vó Mundoca no dia 17 de janeiro, em estado grave, com hemorragia e pressão instável.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a equipe médica agiu de forma imediata, estabilizou o quadro clínico e solicitou transferência para Manaus ainda no mesmo dia, com pedido de UTI aérea classificado como prioridade alta pelo Estado.
De acordo com a nota, durante quatro dias o paciente permaneceu sob cuidados intensivos, com atualizações constantes à Central de Regulação do Amazonas.
A prefeitura afirma que houve negativas do Estado nos dias 18 e 19, além do cancelamento do voo aeromédico no dia 20, por falha operacional da empresa responsável. A intubação realizada na noite do dia 20 foi descrita como uma medida de emergência diante da piora súbita do quadro, mas o paciente sofreu parada cardíaca e morreu após tentativas de reanimação.
A gestão municipal ressaltou que o hospital atuou dentro de suas possibilidades como unidade de média complexidade e atribuiu o desfecho à impossibilidade de transporte aéreo especializado, responsabilidade do Governo do Estado.
A prefeitura também repudiou atos de vandalismo registrados após o caso, destacando investimentos recentes na unidade, e manifestou solidariedade à família do paciente
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) também informou que o Complexo Regulador adotou providências necessárias para a transferência do paciente de Borba para Manaus, no dia 20 de janeiro, seguindo a posição dele na lista de prioridade do seriço.
Por conta da falta de condições de decolagem e de pouso da aeronave, o vôo não pôde ser realidado, pois, entre 17 e 21 de janeiro, 30 pacientes foram transferidos de UTI aérea de hospitais do interior para Manaus.






