Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O crescimento no número de pessoas com deficiência matriculadas no ensino básico brasileiro aponta para a necessidade no aprimoramento de profissionais de educação e na necessidade de se ter mediadores em unidades escolares.
No Amazonas, dados do Censo Escolar de 2023 apontam que mais de 31 mil alunos com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA), transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades ou superdotação estão matriculados na rede de ensino do estado.
Com exceção da Educação de Jovens e Adultos (EJA), as demais etapas da educação básica apresentam mais de 90% de alunos neurodivergentes ou com deficiência incluídos em classes comuns em 2024.
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O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrevistou a terapeuta ocupacional Carla Andrade para entender as questões voltadas sobre o desafio da atuação dos mediadores escolares na inclusão e no apoio de alunos com deficiência.
“É necessário esse olhar sensível sobre essa realidade e mais que isso são necessárias ações efetivas para que a inclusão nas escolas seja um realidade”, destacou Carla Andrade.
A terapia ocupacional pode contribuir para a formação e atuação dos mediadores escolares no apoio de alunos com deficiência, garante Carla Andrade. “Dessa maneira intervimos para que haja qualidade na aprendizagem, seja fazendo uma adaptação ambiental ou sugerindo acomodações sensoriais de acordo com o perfil sensorial de cada criança“, informa.

Ela explica que os principais desafios enfrentados por mediadores escolares na inclusão de alunos neurodivergentes está relacionado à falta de capacitação profissional e o entendimento das particularidades do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para a especialista, o terapeuta ocupacional pode instruir esses profissionais auxiliando na inclusão dessas crianças.
“Com informações sobre criação de recursos, adaptações ambientais, rotinas de sala de aula, ajustes posturais, orientações sobre participação em atividades de vida diária acomodações e manejo de crises sensoriais no contexto escolar”, destacou.
Adaptação
A especialista enfatiza que para ser mediador escolar é preciso gostar de crianças, buscar conhecimento e ser paciente com o ritmo do ensino singular de cada criança e também trocar informações com a família, com equipe pedagógica e multidisciplinar. “Através de uma visita escolar o terapeuta ocupacional pode coletar dados e propor adaptações e/ou acomodações sensoriais“, sinalizou.
Ela exemplificou relatando que uma criança com diagnóstico de disfunção de integração sensorial pode apresentar dificuldades com estímulos sensoriais do ambiente como luzes ou barulhos, enquanto outras podem apresentar uma agitação motora que impacta na atenção e concentração. “Cada caso é único e a Terapia Ocupacional ajusta as orientações de acordo com cada perfil e aluno”, informou.
Estratégias e abordagens
Na visão de Carla Andrade, o aumento de números de alunos com deficiência matriculados no ensino escolar não tem sido acompanhado por uma preparação adequada por profissionais de apoio, como os mediadores e que isso pode ser observado no dia a dia.
“Observamos isso em noticiários diariamente, maus-tratos nas escolas, falta de capacitação profissional, falta de adaptação de material e ambiente, falta de entendimento sobre transtornos do neurodesenvolvimento e falta de acolhimento às crianças e famílias atípicas“, apontou.
Para ela, as estratégias e abordagens de terapia ocupacional que são mais eficazes para melhorar a autonomia e a inclusão escolar de crianças com deficiência está de acordo com práticas baseadas em evidências cientificas.
Desta maneira, a especialista compreende que, o raciocínio cíclico tem foco nas capacidades e desafios de cada individuo. “A escolha sempre depende de cada perfil de criança pois o autismo é um espectro e nenhuma criança é igual a outra“, acentua.
Capacitação
Mediadores escolares interessados em se capacitar terão a oportunidade de realizar curso no próximo dia 2 de agosto, de 13h às 17h, no Workspace Morada do Sol, zona Centro-Sul de Manaus.
O curso será ministrado pela terapeuta ocupacional Carla Andrade e pelas psicólogas Andressa Uchoa e Bruna Lima.
Voltado para mediadores que atuam no contexto escolar, o curso para Mediadores Escolares abordará temas fundamentais, como:
• Aplicação de princípios da ABA (Análise do Comportamento Aplicada) no ambiente escolar
• Manejo de comportamentos desafiadores
• Papel do mediador junto à criança, professor, família e supervisão
• Estratégias sensoriais e outros conteúdos relevantes da atuação diária;
As inscrições devem ser feitas pelo Sympla. Ao final do curso, os participantes receberão certificado de 4 horas. As vagas são limitadas.







