Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um clima de dor e comoção tomou conta do velório de João Miguel Magalhães de Oliveira, de 7 anos, na manhã desta quinta-feira, 16/4, no bairro Cidade de Deus, zona Norte de Manaus.
Familiares, amigos e colegas de escola se reuniram para se despedir do menino, vítima de um atropelamento em frente à unidade de ensino onde estudava.
Ao falar do filho, Helena Dutra tentou traduzir em palavras a personalidade de João Miguel. Segundo ela, o menino era amoroso, educado e cheio de vida.
“Ele era uma criança muito feliz. Sempre dizia ‘por favor’, ‘com licença’. Era muito educado, muito carinhoso”, disse.
Em meio à emoção, a mãe adotiva relembrou os momentos que antecederam a tragédia e a angústia vivida desde o primeiro telefonema.
Segundo ela, o filho seguia a rotina de sempre: embarcou na condução escolar por volta das 12h45 e seguiu para a escola. Pouco tempo depois, veio a notícia que nenhuma mãe espera.
“A gente recebeu a ligação do condutor dizendo que o João Miguel tinha sido atropelado em frente à escola e que era grave, que a gente fosse para lá”, contou.

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Apesar da relação de confiança construída ao longo do tempo com o condutor – que, segundo ela, era querido pelo menino – Helena acredita que houve falha no momento do desembarque.
“Tudo que chegou para mim foi que ele abriu a porta e liberou o João Miguel para sair correndo e atravessar. Meu filho era muito ágil, queria tudo na hora. Se tivessem segurado na mão dele e levado até a porta da escola, eu acredito que isso não teria acontecido”, desabafou.
Esperança interrompida
Desesperada, Helena relata que foi levada por uma vizinha até o local. Ao chegar, o filho já havia sido socorrido pela direção da escola e encaminhado a uma unidade de saúde. No primeiro momento, ainda havia esperança.
“Quando eu cheguei, ele estava passando pelos primeiros socorros. Me disseram que ele estava bem, que ia resistir. Eu fiquei em oração, pedindo força a Deus, acreditando que ele ia sair daquela situação”, relatou.
A expectativa, no entanto, foi interrompida pouco depois, com a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
“Quando o Samu entrou, foi dado o diagnóstico de que o João Miguel não tinha resistido. Ele faleceu ali dentro do hospital”, disse, emocionada.

Helena reforçou que o filho nunca ia sozinho para a escola e que a família sempre priorizou a segurança, seja com acompanhamento familiar, condução escolar ou transporte por aplicativo.
“Ele nunca foi sozinho. Quando o condutor não podia, eu ou a avó levávamos, ou chamávamos um carro por aplicativo. A gente sempre teve esse cuidado”, afirmou.
Perigo na via
A mãe também destacou que já havia preocupação com a segurança da via onde fica a escola. Segundo ela, o fluxo de veículos é intenso, especialmente nos horários de entrada e saída dos alunos.
“Ali precisava de mais sinalização, um quebra-mola, alguma coisa que obrigasse os carros a reduzir a velocidade. Eu já tinha medo daquele movimento, já tinha percebido que era perigoso”, afirmou.
Sobre o condutor da condução escolar e o motorista do carro envolvido no atropelamento, Helena contou que ambos acompanharam o atendimento no hospital e demonstraram desespero.
“Ele estava muito nervoso, perguntando o tempo todo como o João Miguel estava. O outro rapaz também estava lá. Foi uma situação muito difícil para todos nós”, relembrou.
Lembranças de uma infância feliz
A rotina do menino era simples e repleta de alegria. Todos os dias, ao chegar da escola, ele tirava a farda, guardava com cuidado e saía para brincar em frente de casa com outras crianças. O convívio com os animais também era uma de suas maiores paixões.
“Ele amava os bichinhos, gostava de cuidar. Sempre trouxe ele perto dos animais, ele tinha esse carinho”, contou.
A fé também fazia parte da vida de João Miguel desde cedo. Helena relatou que o filho já demonstrava espiritualidade e levava esses valores para o dia a dia.
“Ele já orava, já louvava. Falava do amor de Deus. Corrigia os amiguinhos quando faziam algo errado, dizia que não podia porque o papai do céu não gostava”, relatou.
O velório reuniu familiares, vizinhos, amigos e colegas de escola, incluindo crianças que foram se despedir do amigo. O cenário foi marcado por silêncio, lágrimas e comoção – além de reforçar a preocupação com a segurança no trânsito.
Acidente
João Miguel Magalhães de Oliveira morreu na tarde de quarta-feira, 15/4, após ser atropelado nas proximidades da Escola Municipal Mário Lago, no conjunto Américo Medeiros, bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus.
Segundo testemunhas, a criança saía da escola quando foi atingida por um carro de aplicativo. Moradores acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que prestou os primeiros socorros.
De acordo com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), o menino foi encaminhado ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Galileia, mas não resistiu aos ferimentos.
*Em colaboração de Kataryne Dias e Tunico Santos






