Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Profissionais de enfermagem da rede pública de saúde do Amazonas realizaram, na manhã desta sexta-feira, 21/8, uma mobilização em frente ao Ministério Público do Trabalho (MPT), no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus.
A categoria cobra a convocação de aprovados no concurso público de 2014 e pede a apuração de denúncias de possível perseguição política, assédio moral e ameaças contra profissionais que já atuam na rede estadual.
Durante o ato, os manifestantes exibiram faixas e cartazes e afirmaram ter apresentado documentos, fotos e vídeos aos órgãos de controle para subsidiar as denúncias.

Concursados cobram convocação
A enfermeira Ruth afirmou que os aprovados no concurso de 2014 aguardam há anos pela convocação e alegou que o Estado mantém contratos temporários e terceirizados enquanto os concursados permanecem fora da rede.
“Somos concursados do certame de 2014 da Susam, atual SES-AM, e até hoje nós não fomos convocados, enquanto há milhares de contratos temporários e terceirizados ocupando as nossas vagas”.
Segundo Ruth, profissionais que já trabalham na rede estadual também enfrentariam pressão no ambiente de trabalho. “Aqueles colegas que já estão trabalhando sofrem constantemente com assédio moral, perseguição e ameaça de exoneração caso venham a exigir seus direitos”.
A enfermeira também cobrou melhores condições de trabalho e valorização da categoria. “A enfermagem merece respeito, dignidade e condições adequadas de trabalho. Nós estudamos, passamos no concurso e exigimos a nossa nomeação imediata”.
Manifestantes denunciam perseguição
O enfermeiro e técnico de enfermagem Francisco José afirmou que a manifestação também é motivada pelo que considera descaso com os aprovados no concurso. “O governo prefere manter contratos precários a convocar os concursados de 2014 que estão aguardando a sua vez”.
Francisco também relatou possíveis casos de perseguição política e assédio moral contra profissionais que já atuam na rede estadual. “Quem está lá dentro atuando sofre diariamente com perseguição política e assédio moral por parte das chefias e coordenadorias”.
Segundo ele, a comissão apresentou aos órgãos de controle materiais que, conforme os manifestantes, podem auxiliar na apuração das denúncias.
“Nós viemos ao MPF trazer todas essas denúncias documentadas, com fotos, vídeos e provas de reuniões onde há ingerência política sobre a categoria”.
Comissão prepara representação
O advogado Luiz Ossuosky, que acompanha a comissão, afirmou que o grupo pretende formalizar uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Segundo ele, a medida deverá abordar tanto a situação dos aprovados quanto as denúncias relacionadas às condições de trabalho.
“O objetivo é apurar não apenas a preterição dos candidatos aprovados em concurso público em detrimento de contratações temporárias irregulares, mas também as graves denúncias de assédio moral institucional e perseguição contra servidores”.
Categoria pede providências
O profissional de enfermagem Michael Lemos criticou a demora na convocação dos aprovados e afirmou que o grupo pretende levar as denúncias às autoridades.
“Pessoas que estudaram, passaram em concurso público em 2014, estão até hoje esperando a convocação, enquanto a gestão atual usa a saúde pública para fazer cabide de emprego e politicalha”.
Michael também acusou a gestão pública de utilizar a saúde para indicações políticas. A acusação ainda depende de apuração pelos órgãos competentes.
“Nós temos provas, temos denúncias de perseguição contra quem não se curva a esquemas políticos e viemos acionar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para que tomem as providências cabíveis imediatamente”.
Outro ato ocorreu nesta semana
Na segunda-feira, 17, servidores da rede estadual de saúde realizaram outro ato em frente ao MPT. Na ocasião, os trabalhadores cobraram esclarecimentos sobre desligamentos de profissionais.
Segundo os manifestantes, servidores com anos de atuação na rede estadual estariam sendo retirados das escalas sem justificativas individuais.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para comentar a mobilização e as denúncias, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
O espaço permanece aberto para manifestação da secretaria e dos demais citados.






