Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Seis meses após a morte de Benício Xavier de Freitas, os pais, Joyce Xavier e Bruno Freitas, concederam uma entrevista exclusiva ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS. O casal relembra a trajetória do filho, descrito como um “ser amoroso”, e cobra justiça pelo caso.
Benício, de 6 anos, morreu no dia 23 de novembro de 2025, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, após receber uma dose de adrenalina por via intravenosa considerada incompatível com seu quadro clínico.

O caso é investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), enquanto a família aguarda a conclusão dos laudos periciais.
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‘Um ser amoroso’
Ao recordar o filho, os pais descrevem uma criança marcada pelo carinho, sensibilidade e forte vínculo com a família.

“O Benício era uma criança maravilhosa, muito amorosa, educado, dedicado nos estudos, nos esportes. O Benício nunca me deu trabalho, desde quando ele nasceu”, afirmou Joyce.
Para Bruno, o menino ia além do comportamento exemplar e tinha papel fundamental na união familiar.

“O Benício era muito nosso amigo, ele compartilhava muito das experiências dele. Ele nos ensinava muito, nos ensinava o verdadeiro amor”, disse.
Rotina ativa e dedicação
Entre escola e atividades físicas, Benício levava uma rotina ativa. Praticava natação e crossfit infantil, sempre ao lado dos amigos.
“Ele fazia também natação, crossfit infantil. Ele gostava muito de estar fazendo os esportes com os amiguinhos dele. Então, assim, ele era muito ativo, muito bondoso. Meu filho era maravilhoso”, contou a mãe.

O pai destaca que a dedicação aos estudos e o comportamento respeitoso já revelavam traços de responsabilidade acima da média.
“Ele era muito determinado. Quando acordava, já estava disposto. Ele fazia tudo com atenção, com vontade de aprender”, afirmou.
Laços familiares e memórias
Dentro de casa, os momentos mais simples eram também os mais valiosos. Fins de semana eram dedicados à convivência, com atividades em família.
“Então nossos fins de semana eram muito unidos, cheios de amor, e a gente amava estar com ele, assistir o desenho favorito dele, fazer as atividades de pintura com ele”, relembrou Joyce.



Bruno reforça que o filho fazia questão de incluir os pais em tudo. “Ele nos chamava muito para que fizéssemos todas as coisas em família. Nunca era só ele, sempre procurava nos unir”, disse.
O hábito de dormir com os pais também simbolizava esse vínculo. “Ele dizia: ‘Não, hoje é dia de dormir com vocês’”, contou o pai.
Sonhos e descobertas
Filho único, Benício foi planejado e cercado de afeto desde antes do nascimento. O nome escolhido carrega esse significado.
“Benício significa homem abençoado. Então, quando eu vi o significado do nome, eu disse: vai ser esse”, contou Joyce.

Curioso, ele começava a demonstrar novos interesses, como o desejo de ganhar um videogame.
“Eu fiquei de comprar um videogame para ele. Não deu tempo, mas era um desejo que a gente tinha com ele. Ele já tinha pedido”, disse Bruno.
‘Uma cadeia de erros’

Para os pais, a morte do filho é resultado de falhas graves no atendimento médico.
“Foi uma cadeia de erros, desde a prescrição até a aplicação da medicação. O hospital não deu nenhuma orientação, a gente não teve assistência”, afirmou Bruno.
A família cobra responsabilização e medidas para evitar novos casos.
“Tem que haver uma investigação, tem que saber quem são esses médicos, por que estão agindo dessa forma negligente. Precisa ter uma apuração a fundo”, disse Joyce.
Legado e busca por justiça
Mesmo diante da dor, os pais preservam a memória do filho como símbolo de amor e união. “Benício significa amor, compreensão, carinho. Ele era assim, uma criança super carinhosa, compreensiva, não tinha tempo ruim para ele”, afirmou a mãe.

Para Bruno, o filho deixa uma marca difícil de traduzir. “Onde ele chegava, conseguia se enturmar, fazer amizades. Ele era puro, amoroso, carinhoso e muito cativante”, destacou.
Ao final, Joyce reforça a esperança por justiça. “A gente confia plenamente na Justiça. Tudo que falamos foi o que vivemos naquele dia. Queremos que os culpados sejam penalizados para que isso não aconteça com outras crianças”, concluiu.
Apuração em andamento

Em março de 2026, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) concluiu que a médica Juliana Brasil teria encomendado a adulteração de um vídeo com o objetivo de atribuir ao sistema do hospital a responsabilidade por uma prescrição incorreta – a aplicação de adrenalina por via intravenosa.
Mensagens de celular da profissional também indicam que ela comercializava cosméticos enquanto a criança estava em estado crítico na sala vermelha.
Apesar das conclusões, a médica teve o pedido de prisão preventiva negado. Ela segue afastada do exercício profissional, com o registro suspenso.
Em fevereiro de 2026, a técnica de enfermagem Raiza Bentes também teve o registro profissional suspenso pelo Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (COREN-AM). Assim como a médica, ela teve o pedido de prisão negado e responde ao processo em liberdade, sob medidas cautelares.






