Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A família de Iara Monteiro Pacheco, de 30 anos, denuncia que o corpo da jovem, morta após complicações no parto, foi entregue pelo SOS Funeral, da Prefeitura de Manaus, para o velório em condições consideradas indignas, sem o preparo adequado para a cerimônia fúnebre.
Iara, que era surda e muda, morreu por complicações no parto no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Galileia, por volta das 11h de quinta-feira, 8/1.
Segundo os familiares, o corpo só foi liberado cerca de 12 horas depois, por volta das 23h, na Comunidade Santa Marta, localizada no bairro Rio Piorini, na zona Norte da capital.
No entanto, o corpo só foi liberado à família cerca de 12 horas depois, por volta das 23h, na Comunidade Santa Marta, localizada dentro do bairro Rio Piorini, na zona Norte da capital.
De acordo com relatos de pessoas que estavam no velório, o corpo foi entregue pelo SOS Funeral sem higienização adequada e sem a realização dos procedimentos básicos de conservação.
“É uma cena aterrorizante. Nunca vi algo assim. Até agora estou chorando com o que vi. Não houve preparo algum, nem respeito. O corpo foi colocado no caixão e entregue dessa forma, jogado como um bicho”, relatou uma familiar de Iara Pacheco.
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Os parentes afirmam que a situação gerou desespero, indignação e sensação de abandono. “Ela foi tratada como um objeto descartável, um retrato do abuso e do descaso do poder público. Do jeito que o corpo foi entregue, inclusive, pode representar risco à saúde das pessoas. Ela estava muito inchada, podendo até romper”, desabafou outra parente.
Abalado, o marido de Iara lamentou a perda da esposa e o futuro que terá de enfrentar sozinho com o filho recém-nascido. “Agora vou ter que cuidar do meu único bebê sozinho. É muito triste”, disse, ao lado do caixão.
O SOS Funeral
O SOS Funeral é um programa social da Prefeitura de Manaus que oferece assistência funerária gratuita a famílias de baixa renda que não podem arcar com os custos de um funeral. O serviço inclui o transporte do corpo e outros procedimentos, com o objetivo de garantir um atendimento humanizado e digno em momentos de luto.
A família ressalta que o ocorrido fere o artigo 1º da Constituição Federal, que garante a dignidade da pessoa humana, inclusive após a morte. Diante da situação, os parentes pedem a abertura de investigação e o afastamento dos responsáveis pelo serviço funerário.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Prefeitura de Manaus e com a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), pasta responsável pelo SOS Funeral, para solicitar esclarecimentos.
NOTA
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), informa que realizou todo o atendimento necessário à família mencionada no vídeo, conforme os procedimentos estabelecidos pelo programa SOS Funeral.
Durante o atendimento, foram prestadas todas as orientações acerca dos serviços ofertados pelo programa, conforme o Decreto nº 605, de 20 de julho de 2010, que compreendem: Atendimento às ocorrências de óbito; doação de urna funerária; isenção da taxa de sepultamento e remoção e translado fúnebre.
A Semasc esclarece que, não integram os serviços oferecidos pelo SOS Funeral: a higienização e preparação do corpo; embalsamamento; ornamentação com flores; coroas e arranjos florais; vestimenta mortuária; doação de velas e artigos religiosos; serviços de alimentação; bem como a cremação de corpos ou partes de corpos.
Todas as informações foram devidamente repassadas à família no primeiro atendimento e reiteradas no momento da chegada da urna ao local informado.
Conforme recomendação da Vigilância Sanitária de Manaus (Visa Manaus), o transporte do corpo deve ser realizado em saco impermeável, devidamente selado e identificado, observando-se os protocolos de precaução padrão, especialmente em situações que envolvam risco biológico.
A prefeitura reafirma o compromisso com a legalidade, a transparência e a adequada prestação dos serviços públicos à população.












