Kaelyson Moraes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após a quebra de sigilo do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) que expôs uma suposta relação do Ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, os candidatos à presidência do Brasil reagiram aos desdobramentos. Dentre os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas, a maioria defendeu o impeachment de Moraes, enquanto Lula não comentou o assunto.
Ouvido pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o comentarista político Diogo da Luz, que integra o Jornal da Rios com análises políticas, avaliou os posicionamentos dos candidatos à presidência do Brasil em relação aos desdobramentos do Caso Master.
Discursos firmes, ações vagas
Para o analista, o posicionamento firme de Flávio Bolsonaro (PL) vai de encontro às atitudes concretas do próprio partido.
“Eu acho que ele tem uma posição firme, sem dúvida, mas não condiz com a inércia do próprio partido, como eu falei, acho que eu já falei sim que o senador vice-presidente, o Eduardo Gomes, não pauta o impeachment, então fica difícil falar impeachment quando, na verdade, o seu partido não faz, quando tem oportunidade.”, comentou.
Semelhante à Flávio, para Diogo da Luz, Zema (Novo) discursa com firmeza, mas não tem poder político suficiente para transformar o discurso em ações.
“O Zema tem uma opinião muito firme, mas não vejo princípio, meio e fim sobre como resolveria de verdade o Supremo Tribunal Federal. Impeachment, impeachment, impeachment, mas no fundo não fazem nada de concreto. Essa é a realidade e também não importa nada, porque ele não tem qualquer liderança política, nem mesmo dentro do seu partido. É o político, se é que merece esse nome, mais solitário que eu conheço.”, avaliou.
Equilíbrio e propostas
Na visão do especialista, o posicionamento de Ronaldo Caiado (PSD) seguiu na mesma linha dos outros candidatos, mas foi o mais equilibrado entre os presidenciáveis.
“O Caiado me parece ter uma posição firme, boa, clara, típica de um chefe de Estado, aquele que tem experiência, equilíbrio. Foi firme, disse principalmente que, diante disso tudo, e já fazia algum tempo, o Alexandre Moraes não tem a menor condição de permanecer no Supremo Tribunal Federal. E esse é o primeiro passo mesmo. Saia, seja investigado, se explique e depois a gente decide se tem que ser processo ou não. Parece lógico.”, afirmou.
Diogo da Luz avalia que, apesar de também falar em impeachment, Renan Santos (Missão) traz em sua campanha propostas que buscam apresentar soluções para problemas do STF como o envolvimento de membros da corte no Caso Master.
“O Renan Santos, numa linha mais ou menos assim, mas já falando em impeachment, protocolo de projeto de impeachment, etc., que não vai caminhar porque ninguém quer, essa é a realidade. Mas o Renan tem propostas para solução do Supremo Tribunal Federal, isso eu acho muito bom. Ele entende que tem que acabar com o foro privilegiado, transferir para outros foros, ele explica isso tudo lá, e uma outra forma de escolha dos ministros do Supremo.”, declarou.
Cury envergonha, Lula se omite
De acordo com o especialista, Augusto Cury (Avante) demonstrou falta de experiência e conhecimento político em seu posicionamento.
“Esse, para mim, teve uma posição péssima. Ele não tem opiniões sobre o Brasil, não sabe, não entende o suficiente de política. Eu acho que vergonha, dentre os candidatos, a maior é o Augusto Cury, porque ele tinha obrigação de se posicionar. Ele é oposição, ele não tem ou não deveria ter rabo preso nenhum com eles, e foi frouxo, mole. É aquele candidato que chega e fala, não, veja bem, tudo bem, eu sou legal e tal, eu tenho proposta de drone, um monte de telemedicina e não vai resolver coisa nenhuma.”, comentou.
Para Diogo da Luz, o presidente Lula (PT) evita se pronunciar sobre o caso para não atrair mais holofotes para assuntos sensíveis em que ele está envolvido.
“O Lula, o Lula, lógico, fica em cima do muro. Ele está cheio de pendências no Supremo Tribunal Federal, tem o filho dele talvez indo parar lá muito rapidamente, enfim, na verdade já está com as investigações. Então o Lula vai ficar em cima do muro, fazendo de conta que não é com ele, e também qualquer coisa que ele falar vai voltar para ele. Por mais que queiram dizer que Alexandre de Moraes não é nem escolha do Lula e não é da turma dele, a gente sabe que é, que estiveram juntos recentemente, tem atuações políticas juntos, e qualquer coisa que o Lula falar vai fazer lembrar que o que vem do Estado brasileiro, de bom ou de ruim, cai no colo dele.”, disse o especialista.
Quebra de sigilo expôs Moraes
O ministro do STF André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo, ordenou a quebra de sigilo no caso na terça-feira, 1/9. Com isso, uma série de documentos da investigação se tornaram públicos. Entre eles, há registros de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro com um contato atribuído à Alexandre de Moraes. O ex-banqueiro, preso em novembro de 2025, enviou mensagem dois dias antes da sua prisão, perguntando ao interlocutor apontado como Moraes se deveria fugir.






