Redação Rios
MANAUS (AM) – Após superar candidatos apoiados ou diretamente ligados às máquinas públicas do Estado e prefeitura, a candidata ao governo estadual Professora Maria do Carmo (PL) pode alcançar um feito inédito para uma mulher: ser a primeira governadora do Amazonas caso vença o segundo turno.
“É a política da velha política que mente, que corrompe, é a política que faz acordos espúrios e que não olha para o povo. Eu digo sempre que a gente precisa olhar para o passado para não cometer os mesmos erros. É isso que eu tenho combatido e é por isso que eu vim candidata”, afirmou Maria do Carmo durante debate na TV Norte, na terça-feira, 13.
Para isso, neste segundo pleito, Maria do Carmo enfrenta o senador Omar Aziz que reúne como apoiadores políticos tradicionais do estado, como prefeitos, senadores e deputados, além do atual governo federal, enquanto Maria conquistou os eleitores pelo discurso da “mudança”. A disputa será decidida no próximo dia 25 de outubro.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Omar Aziz liderou a votação, com 841.846 votos (40,63% dos válidos). Maria do Carmo ficou em segundo lugar, com 507.335 votos (24,49%), à frente do governador Roberto Cidade (União Brasil), que recebeu 453.896 votos (21,91%), e do ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante), que somou 218.490 votos (10,54%). Os números foram consolidados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).
No primeiro debate entre os candidatos, Maria do Carmo criticou a gestão de Omar Aziz à frente do Governo do Amazonas, entre 2010 e 2014.
“A gente fala, por exemplo, dos cinco principais problemas da sua gestão lá de 2010, que foi o sobrepreço na Arena da Amazônia, obras de mobilidade não entregues, a gente sabe que tiveram irregularidades em contratos de infraestrutura, a gente teve escândalos na saúde”, afirmou.
Maria superou candidatos ligados às estruturas de poder
A chegada de Maria do Carmo ao segundo turno ocorreu em uma eleição marcada pela presença de grupos políticos tradicionais e candidatos ligados às administrações estadual e municipal.
Roberto Cidade disputou o governo pelo União Brasil e contava com o apoio de lideranças vinculadas ao grupo político que comandava o estado. David Almeida, do Avante, por sua vez, concorreu após deixar a Prefeitura de Manaus.
Ao terminar a primeira etapa à frente dos dois adversários, Maria garantiu uma vaga na disputa final contra Omar Aziz. O resultado colocou a candidata do PL no segundo turno e manteve sua candidatura na corrida pelo governo estadual.
Omar Aziz e a ‘velha política’
Após a definição do segundo turno, Omar Aziz passou a reunir declarações de apoio dos prefeitos dos 62 municípios do Amazonas. Entre os gestores que anunciaram adesão está o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), além de representantes de municípios do interior.
Antes da votação de 4 de outubro, o senador já contava com o apoio declarado de 55 prefeitos. As demais adesões foram anunciadas após a confirmação da disputa com Maria do Carmo.
O apoio dos gestores, no entanto, não significa transferência automática de votos. A decisão final cabe aos eleitores, que podem escolher seus candidatos independentemente do posicionamento político dos prefeitos.
Maria do Carmo busca feito inédito na política amazonense
Empresária do setor educacional, Maria do Carmo disputa pela primeira vez o governo estadual. Caso vença o segundo turno, será a primeira mulher eleita diretamente para comandar o Executivo amazonense.
A candidata conta com o apoio declarado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que associou sua articulação política nacional à candidatura dela no Amazonas. A aliança também insere a disputa estadual no contexto da polarização entre grupos políticos ligados ao PL e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Omar Aziz, que governou o Amazonas entre 2010 e 2014, busca retornar ao Executivo estadual. Atualmente senador, ele reúne uma aliança formada por partidos como PSD, Republicanos e MDB, além da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV.
Maria do Carmo concorre pela coligação Mudar é Urgente, formada por PL e Novo.
Com a votação marcada para 25 de outubro, Maria tenta transformar o resultado do primeiro turno em uma vitória histórica e alcançar o comando do estado diante de uma ampla articulação de lideranças políticas. Omar, por sua vez, busca manter a vantagem obtida nas urnas e consolidar o apoio de prefeitos e partidos para voltar ao governo do Amazonas.






