Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impor medidas cautelares severas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro movimentou não apenas Brasília, mas também os bastidores da política amazonense. Nesta sexta-feira, 18/7, lideranças locais do Partido Liberal (PL) se reuniram para gravar uma mensagem pública de apoio ao ex-presidente e, nos bastidores, fizeram questão de demonstrar que o discurso de “racha” no grupo não passa de especulação.
A pré-candidata ao Governo do Amazonas, professora Maria do Carmo; o presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento; o deputado federal Capitão Alberto Neto; e os vereadores Coronel Rosses e Capitão Carpê protagonizaram o encontro. Juntos, além do vídeo de apoio a Bolsonaro, sinalizaram coesão em torno de um projeto político que mira as eleições de 2026.
Para o analista político da Rede Rios de Comunicação, Júlio Gadelha, o encontro mostra sintonia entre os líderes da direita manauara.
“O encontro reforça a imagem de coesão após rumores de racha envolvendo o nome de Maria do Carmo para o governo. Em meio à crise nacional da direita, com a operação da PF mirando Bolsonaro, o movimento local ganha ainda mais peso político.”
Avaliou o analista político da Rede Rios, Júlio Gadelha
Medidas e reação nacional
Bolsonaro foi alvo, nesta sexta-feira, de uma série de medidas cautelares impostas por Moraes. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar das 19h às 6h em dias úteis — e em tempo integral nos fins de semana e feriados —, além da proibição de manter contato com autoridades estrangeiras ou se aproximar de embaixadas e consulados.
As restrições foram solicitadas pela Polícia Federal, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, no âmbito de um novo inquérito que apura supostos atos de Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro contra a soberania nacional. O risco de fuga do ex-presidente foi um dos principais argumentos apresentados.
O caso ganhou contornos ainda mais tensos após a repercussão internacional. No processo, Moraes citou a recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar produtos brasileiros em 50%, alegando represálias à “caça às bruxas” contra Bolsonaro. O ministro apontou que a medida de Trump teria o objetivo de gerar uma crise econômica no Brasil e, assim, pressionar o Judiciário.
STF confirma medidas e defesa de Bolsonaro reage
As cautelares já foram ratificadas pela maioria da Primeira Turma do STF. Até o momento, além de Moraes, votaram a favor os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino. Cármen Lúcia e Luiz Fux ainda devem se posicionar até a próxima segunda-feira, 21.
Após a instalação da tornozeleira, em Brasília, Bolsonaro se pronunciou dizendo que a medida seria uma tentativa de sua “suprema humilhação” e negou qualquer plano de fuga do país. Em nota, sua defesa disse ter recebido as medidas com “surpresa e indignação”, ressaltando que o ex-presidente sempre cumpriu todas as determinações judiciais.






