Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam) se tornou alvo de uma série de operações, decisões judiciais e investigações que atravessam as gestões de Wilson Lima (União Brasil) e Roberto Cidade (União Brasil) no Governo do Amazonas.
Em diferentes momentos, a agência esteve envolvida em apurações sobre contratos, movimentações financeiras, demissões, admissões, transferências de trabalhadores e possíveis relações com atividades eleitorais.
Nos últimos meses, a Aadesam foi alvo de duas ações da Polícia Federal, decisões da Justiça Eleitoral, pedido de afastamento de dirigente e investigações envolvendo trabalhadores.
Operação Combustão mira contratos da Aadesam

O episódio mais recente ocorreu nesta quinta-feira, 24/9, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Combustão para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e financiamento eleitoral irregular relacionados às eleições de 2022.
Segundo a PF, o esquema teria utilizado recursos provenientes de contratos firmados pela Aadesam, com posterior circulação de valores entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos fatos investigados.
Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 17 milhões em bens e valores por determinação da Justiça Eleitoral.
A investigação envolve fatos relacionados às eleições de 2022, quando Wilson Lima ocupava o cargo de governador do Amazonas.
Entre os crimes investigados estão organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral. A PF informou que a responsabilidade de cada envolvido ainda será individualizada.
Demissões colocam agência sob mira da Justiça
Já durante o período eleitoral de 2026, a Aadesam passou a ser investigada por movimentações no quadro de funcionários.

Dados apresentados à Justiça apontaram 461 desligamentos entre 1º e 3 de julho, além de mais de 140 admissões no mesmo período.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) passou a apurar se as mudanças poderiam ter relação com as restrições previstas na legislação eleitoral.
Em agosto, a Justiça Eleitoral determinou a reintegração de 469 trabalhadores e suspendeu novas contratações e dispensas relacionadas ao período investigado.
A decisão também determinou a preservação dos registros referentes às movimentações de pessoal.
PF já havia feito busca na agência

Em 3 de setembro, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na sede da Aadesam, em Manaus.
A diligência foi autorizada após o MPE apontar a possibilidade de alteração ou eliminação de dados considerados relevantes para a investigação sobre admissões e desligamentos.
Foram apreendidos equipamentos de informática, um celular e uma mídia de armazenamento. O material foi encaminhado para perícia, incluindo espelhamento forense dos dados.
Funcionários são citados em investigação eleitoral
Outra frente de apuração envolve trabalhadores recém-contratados pela Aadesam que teriam sido procurados por pessoas que se apresentaram como integrantes da campanha de Roberto Cidade.

Segundo informações divulgadas pela Rede Amazônica, em uma das conversas, um homem identificado como Yano Neves teria solicitado o Pix de uma funcionária e pedido o preenchimento de um formulário com informações como título de eleitor e região de atuação.
Em outro diálogo, Lucas Freire, também apresentado como integrante da equipe de Cidade, teria feito pedidos semelhantes a trabalhadores.
As conversas são tratadas pelos investigadores como possíveis indícios de relação entre contratações realizadas pela Aadesam e atividades eleitorais.
Transferências e assédio eleitoral
Em agosto, a Justiça Eleitoral também suspendeu a transferência de 19 trabalhadores da Aadesam de Manaus para municípios do interior.
A medida foi questionada diante de suspeitas de eventual finalidade eleitoral. A decisão é cautelar e não representa julgamento definitivo sobre a existência de irregularidades.
Paralelamente, a Aadesam passou a responder a uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho (MPT) envolvendo assédio eleitoral.
A Justiça do Trabalho determinou medidas para impedir pressão ou constrangimento de trabalhadores por suas escolhas políticas, incluindo participação em eventos, manifestações de apoio ou atividades de campanha.
MPE pede afastamento de dirigente
Na semana passada, o MPE pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) o afastamento cautelar de William Alexandre Silva de Abreu, então diretor-presidente da Aadesam.

O pedido ocorreu após o órgão apontar possível descumprimento de decisão judicial relacionada à reintegração de trabalhadores e à suspensão de contratações e desligamentos.
Segundo o MPE, a Aadesam não teria apresentado documentos suficientes para comprovar o cumprimento integral das determinações.
O Ministério Público também pediu multa de R$ 100 mil por ato, atribuída pessoalmente ao dirigente.
William Abreu e a gestão Wilson Lima
William Alexandre Silva de Abreu ocupou cargos de confiança durante a gestão de Wilson Lima. Em junho de 2020, foi escolhido para comandar a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc).
Em fevereiro de 2026, William foi nomeado para presidir a Aadesam, substituindo Breno Penha Souza Serra.
Mesmo após a mudança no comando do Governo do Amazonas, com Roberto Cidade, William permaneceu à frente da agência.
A permanência ocorreu enquanto a Aadesam passou a ser alvo de investigações e decisões da Justiça Eleitoral relacionadas às movimentações de trabalhadores durante o período eleitoral.
O que é a Aadesam
A Aadesam é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, criada pela Lei Estadual nº 3.583/2010 e regulamentada pelo Decreto nº 30.988/2011.
Segundo a própria agência, sua missão é elaborar, implantar e gerenciar projetos voltados ao desenvolvimento econômico, social e ambiental do Amazonas.
Apesar de possuir autonomia administrativa e financeira, a entidade mantém contratos e instrumentos de cooperação com órgãos do Governo do Estado para executar projetos e serviços públicos.
Entre eles está um contrato de gestão com a Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) para a execução de serviços socioassistenciais.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o Governo do Amazonas sobre as investigações e denúncias envolvendo a Aadesam. Até a publicação, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.






