Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Funcionários recém-contratados pela Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (Aadesam) teriam sido procurados por pessoas que se identificaram como integrantes da campanha do governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Brasil).
Segundo reportagem da Rede Amazônica, mensagens obtidas pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) fazem parte da investigação que apura a suspeita de uso de trabalhadores pagos com recursos públicos em atividades eleitorais.
O caso já resultou em operações da Polícia Federal, apreensão de equipamentos e pedido de afastamento do presidente da agência.
Mensagens levantam suspeitas sobre atuação de contratados
Integrantes que se apresentaram como ligados à campanha de Roberto Cidade teriam entrado em contato com funcionários recém-contratados pela Aadesam. As conversas, registradas por aplicativo de mensagens, estão entre os elementos reunidos nas investigações sobre o possível uso da estrutura da agência pública em benefício eleitoral.

Em uma das conversas, um homem identificado como Yano Neves afirma fazer parte da equipe do governador e entra em contato com uma funcionária recém-contratada.
Segundo o material analisado pelos investigadores, ele solicita o número do Pix da trabalhadora e pede o preenchimento de um formulário com informações como título de eleitor e região de atuação.
Em outro diálogo, um homem identificado como Lucas Freire, também apresentado como integrante da equipe de Roberto Cidade, aborda outra funcionária da Aadesam.
De acordo com as investigações, ele repete o pedido pelo Pix e solicita o preenchimento do mesmo cadastro.
As conversas são tratadas pelos investigadores como possíveis indícios de uma relação entre as contratações realizadas pela Aadesam e atividades de campanha. A eventual irregularidade ainda é alvo de investigação.
Contratações passaram a ser investigadas pela Justiça
De acordo com as investigações, as contratações começaram em julho, após a demissão de um grupo de funcionários. Posteriormente, a Justiça determinou a suspensão de novas contratações e dos pagamentos aos trabalhadores contratados nesse período, diante das suspeitas de irregularidades.

Ainda segundo as investigações, os pagamentos passaram a ser realizados pela empresa KCC, apontada como ligada a um funcionário da cúpula da Aadesam. Os salários mencionados no caso seriam de aproximadamente R$ 2 mil.
O caso ganhou novos desdobramentos em setembro. Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), a Polícia Federal realizou três operações relacionadas às suspeitas envolvendo a agência.
Na sexta-feira, 18/9, agentes estiveram na empresa KCC e em uma agência de turismo que, segundo a investigação, seria suspeita de obrigar funcionários a trabalhar na campanha de Roberto Cidade.
Durante as ações, computadores, celulares e documentos foram apreendidos para análise.
Computador do RH é apreendido e MPE pede afastamento
Em relatório referente às buscas realizadas na Aadesam, divulgado pela Rede Amazônica na segunda-feira, a Polícia Federal informou que o computador utilizado pelo setor de Recursos Humanos havia sido encaminhado para manutenção no mesmo dia da operação.
O equipamento foi localizado na sala de rede da agência. Conforme o relatório, o setor de tecnologia informou que o computador estava “corrompido”.
O aparelho foi apreendido e deverá passar por perícia para verificar seu conteúdo e eventual relação com os fatos investigados.
Diante dos desdobramentos, o Ministério Público Eleitoral pediu o afastamento cautelar do presidente da Aadesam, William Alexandre Silva de Abreu.
Segundo o MPE, o pedido está relacionado ao suposto descumprimento de determinações judiciais durante o andamento do caso.
Entre as medidas citadas estão a recontratação de funcionários que haviam sido demitidos, a suspensão de novas contratações e pagamentos e a divulgação pública das determinações judiciais.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o Governo do Amazonas e com a assessoria de Roberto Cidade sobre os novos desdobramentos do caso, mas, até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.





