Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Quase dois anos após o flagrante de compra de votos em uma igreja na zona Norte de Manaus, o inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga o ex-prefeito David Almeida (Avante) e seu genro segue sem desfecho.
O prazo limite de 90 dias concedido pela Justiça Eleitoral para a conclusão das investigações expirou no último dia 8 de julho, mantendo o caso sem uma solução definitiva.
A investigação tem como alvos principais o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), seu genro, Gabriel Alexandre da Silva Lima, e pastores ligados à Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB).
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O papel do genro e o caminho do dinheiro
Um dos focos atuais do inquérito é um laudo pericial que aponta Gabriel Alexandre da Silva Lima como o principal intermediador das tratativas com as lideranças religiosas durante o período eleitoral.
De acordo com o documento, a articulação visava a distribuição de dinheiro em troca de apoio político e votos. O nome de David Almeida é citado seis vezes no auto de prisão em flagrante que deu origem ao caso.

Relembre o caso
A operação da PF ocorreu às vésperas do segundo turno das eleições municipais de 2024. Na ocasião, os agentes prenderam em flagrante os pastores Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira dentro do centro de convenções da IPUB, na zona Norte da capital.
À época, uma reportagem exclusiva do Portal RIOS DE NOTÍCIAS teve acesso ao inquérito policial, revelando os detalhes do esquema:
- O repasse: Em depoimento, o pastor Flaviano afirmou ter recebido R$ 38 mil de um “irmão da igreja” ligado à campanha do então prefeito para distribuição entre líderes e obreiros.
- A apreensão: No local, a PF apreendeu R$ 21 mil em espécie, além de uma lista de presença. Segundo os depoimentos, o restante do valor já havia sido distribuído na noite anterior.
- A fraude: O dinheiro estava organizado dentro de envelopes numerados, contendo R$ 200 cada, destinados diretamente a eleitores.



Além das prisões, outras três pessoas foram conduzidas para prestar esclarecimentos e posteriormente liberadas após pagamento de fiança. Os investigados podem responder por corrupção eleitoral, crime que prevê pena de até quatro anos de reclusão, pagamento de multa e, no caso de políticos envolvidos, a cassação do mandato.
Sem repostas
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com as assessorias de comunicação da Polícia Federal no Amazonas e do Ministério Público Federal (MPF) para obter esclarecimentos sobre o andamento das investigações e o vencimento do prazo judicial. Até a publicação desta matéria, nenhum dos órgãos havia enviado resposta. O espaço segue aberto.






