Júlio Gadelha – Rios de Notícias
BRASÍLIA (DF) – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar. Com a medida, os dois ficam impedidos de se encontrar até meados de outubro, após o primeiro turno das eleições de 2026.
Em reação, Flávio, que é pré-candidato à Presidência, realizou uma transmissão ao vivo na segunda-feira, 13/7, acusando o magistrado de tentar interferir no processo eleitoral.
A decisão de Moraes foi motivada pela divulgação, no último sábado, 11/7, de uma “carta aos brasileiros” escrita pelo ex-presidente em apoio à pré-candidatura do filho. O ministro considerou que a leitura do documento em uma transmissão nas redes sociais caracterizou desvio de finalidade do direito de visita e violou a medida cautelar que proíbe Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”.
O episódio também levou o PT a acionar o STF pedindo a revogação da prisão domiciliar do ex-presidente.

Em sua defesa pública, Flávio Bolsonaro questionou a reação do STF e afirmou que esta foi a quinta carta escrita pelo pai desde o início do cumprimento das medidas restritivas sem que houvesse contestações anteriores. Segundo o senador, a primeira mensagem foi divulgada em dezembro de 2025 para chancelar seu nome na disputa presidencial.
O parlamentar argumentou que o veto atual busca neutralizar o capital político do ex-presidente na véspera das convenções partidárias, em meio a um cenário de divergências internas no PL que culminou na renúncia de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher.
“O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer interferir nas eleições. Quer, obviamente, que eu não seja candidato. Ele sabe da força que meu pai ainda tem, sabe da importância de uma manifestação dele a meu favor e quer impedir que isso aconteça”, declarou.






