Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em posicionamento nas redes sociais, o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) detalhou os bastidores da decisão da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores que o levou a mudar seu projeto eleitoral.
Em vez de disputar o Senado, Ramos deve concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, em um movimento que reflete as costuras de alianças na base de apoio ao governo federal, com influência direta do senador Eduardo Braga (MDB).
Influência de Eduardo Braga
Segundo Ramos, a decisão foi comunicada formalmente pela direção nacional do PT sob o argumento de que sua candidatura à Câmara Federal é prioritária para garantir o quociente eleitoral e assegurar a representação do partido em Brasília. A sigla busca recuperar espaço no Amazonas após perder sua única vaga de deputado federal em 2022, com a não reeleição de Zé Ricardo (PT).
No entanto, o ex-deputado revelou que a mudança de rumo também atendeu a uma articulação política direta de Eduardo Braga, que disputa a reeleição ao Senado.
“Essa ponderação era feita muito em razão de um pedido do senador Eduardo Braga, que entendia que a minha candidatura atrapalharia a candidatura dele e poderia ter como consequência a eleição de dois senadores de oposição ao presidente Lula”, afirmou Ramos.
Polarização e representação de esquerda
Marcelo Ramos argumenta que a ausência de um segundo nome alinhado à esquerda no pleito limita as opções do eleitorado progressista e abre espaço para candidaturas como as de Capitão Alberto Neto (PL), Plínio Valério (PSDB) e Wilson Lima (União Brasil). Para ele, duas candidaturas do mesmo campo político poderiam se complementar, ampliando as chances de eleger dois senadores da base aliada.
O ex-deputado enfatizou que sua candidatura ao Senado representaria a defesa programática do legado do presidente Lula no estado, funcionando como um contraponto ideológico ao bolsonarismo na região. Na avaliação do político, nenhuma outra candidatura posta no cenário atual preenche de forma integral esse perfil de representação de esquerda no Amazonas.
“Lula, que tem uma força enorme no Amazonas, em especial no interior, mas hoje também na capital. O PT tinha quase que uma obrigação de oferecer uma alternativa à esquerda progressista, democrática, na eleição de senadores. É necessário na eleição majoritária uma candidatura que ofereça um projeto progressista para o Amazonas, mas que também defenda o legado do governo do presidente Lula, em frente ao bolsonarismo, e que seja a nossa candidatura. Não existe nenhuma outra com esse perfil”, disse o político.
Com o recuo de Ramos para a disputa à Câmara, o cenário para o Senado no Amazonas entra em fase de reorganização, enquanto a chapa proporcional do PT ganha força para tentar reconquistar uma cadeira em Brasília.






