Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O ex-governador do Amazonas e candidato ao Senado, Wilson Lima (União), afirmou que as ações do Estado não são suficientes, isoladamente, para conter o avanço do crime organizado nas regiões de fronteira.
A declaração ocorreu nesta terça-feira, 4/8, durante a convenção que oficializou sua candidatura ao lado do governador Roberto Cidade (União), na Arena Amadeu Teixeira, em Manaus.
Segundo a especialista em segurança pública Vlais Monteiro, a fala representa o reconhecimento de que as medidas adotadas durante a gestão de Wilson Lima não conseguiram impedir a expansão das organizações criminosas no Amazonas.
Durante o discurso, o ex-governador a afirmou que o Estado realizou investimentos na área de segurança e alcançou recordes de apreensão de drogas, mas destacou que o controle das fronteiras depende de uma atuação conjunta com o Governo Federal.
“A segurança de fronteira, por exemplo, apesar de o Estado ter investido significativamente e da gente ter tido recorde de apreensão todos os anos, o Estado não consegue sozinho carregar essa responsabilidade de guarnecer as fronteiras”, afirmou.
Lima defendeu uma maior participação da União no combate ao crime organizado e afirmou que, caso seja eleito senador, pretende atuar em Brasília para ampliar políticas de segurança e fortalecer ações de controle das fronteiras.
“É exatamente lá em Brasília que a gente pode articular para que, efetivamente, o Governo Federal tenha uma política de segurança rígida sobre a questão das fronteiras”, declarou.
Especialista aponta limitações da estratégia
Para Vlais Monteiro, mestre em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos, a declaração reconhece que a fiscalização das fronteiras é uma atribuição prioritária da União, mas também evidencia desafios enfrentados pelo governo estadual no combate ao crime dentro do Amazonas.
Segundo ela, os investimentos realizados e os números de apreensões não foram suficientes para reduzir a atuação das organizações criminosas.
“Quando o próprio chefe do Executivo estadual reconhece que a nossa polícia não consegue sozinha segurar essa responsabilidade lá na fronteira e que a maioria dos crimes em Manaus tem relação com o crime organizado e o tráfico de drogas, está implicitamente admitindo que as estratégias implementadas não foram suficientes para conter a influência das organizações criminosas”, afirmou.

A especialista avalia que a estratégia adotada priorizou ações operacionais, como apreensões e reforço do efetivo policial, mas não avançou de forma suficiente em áreas como inteligência financeira, controle patrimonial das facções e integração entre instituições.
“A gestão concentrou esforços em apreensões e efetivo policial sem conseguir articular, de forma suficiente, políticas integradas de inteligência financeira, controle patrimonial das facções e cooperação interfederativa permanente”, destacou.
‘Recordes de apreensão’
Durante a convenção, Wilson Lima também mencionou os recordes de apreensão de drogas registrados durante sua gestão.
Para Vlais Monteiro, os dados demonstram a capacidade operacional das forças de segurança, mas não representam, por si só, a redução da influência das organizações criminosas.
“Os recordes de apreensão mostram capacidade operacional das forças estaduais, mas não indicam, por si, que o problema esteja sendo resolvido. O indicador mais relevante não é quanto se apreende, mas quanto se consegue desestruturar financeiramente e territorialmente as organizações criminosas”, afirmou.
A especialista acrescentou que a declaração ocorre em um contexto eleitoral e pode também representar uma tentativa de reposicionamento político sobre o tema da segurança pública.
“O reconhecimento é legítimo, mas o momento, em contexto de pré-candidatura ao Senado, também funciona como reposicionamento político: transformar uma limitação da gestão em bandeira legislativa”, avaliou.






