Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) —No Dia da Árvore, celebrado nesta segunda-feira, 21/9, a reportagem analisou os planos de governo de Cabo Daciolo (Mobiliza), David Almeida (Avante), Gilberto Vasconcelos (PSTU), Isael Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), Professora Maria do Carmo (PL) e Roberto Cidade (União Brasil) para identificar como as candidaturas tratam a questão ambiental e as medidas que podem impactar as cidades.

Cabo Daciolo
No plano de Cabo Daciolo (Mobiliza), não foi localizada uma proposta específica de arborização urbana ou de combate às ilhas de calor. O programa, porém, reúne medidas relacionadas à recuperação ambiental e à adaptação das cidades aos efeitos do clima.
No Eixo 16, prevê urbanização de áreas vulneráveis em Manaus, drenagem, saneamento e recuperação de áreas degradadas, além de intervenções nos igarapés que integrem habitação, mobilidade e recuperação ambiental.
Já o Eixo 19, dedicado à resiliência climática e à Defesa Civil, cita diretamente ondas de calor, secas, incêndios e outros eventos extremos e propõe incorporar os riscos climáticos ao planejamento de áreas como infraestrutura e saneamento. O plano também prevê, no Eixo 5, a criação do Centro de Inteligência Ambiental e Territorial (CIAT), com uso de dados meteorológicos e monitoramento de queimadas e desmatamento para prevenção e resposta ambiental.
David concentra propostas em sustentabilidade e transição climática
O plano de governo de David Almeida (Avante) dedica um eixo específico ao Meio Ambiente, Sustentabilidade e Transição Climática, mas não apresenta uma ação denominada especificamente como programa de arborização urbana ou de mitigação de ilhas de calor.
Entre as propostas estão a revisão e atualização da Política Estadual de Meio Ambiente e a elaboração do Zoneamento Econômico-Ecológico do Amazonas.
O documento também prevê medidas de adaptação às mudanças climáticas, gestão de riscos, segurança hídrica e alimentar e utilização de soluções baseadas na natureza. Há ainda previsão de apoio técnico aos municípios para a estruturação de órgãos e fundos ambientais.
Gilberto Vasconcelos
O plano de Gilberto Vasconcelos (PSTU) também não apresenta uma proposta voltada especificamente à arborização das cidades.
O programa aborda a crise ambiental de forma mais ampla e propõe fortalecer a fiscalização ambiental do Estado, combater o desmatamento e apoiar reservas e atividades econômicas sustentáveis desenvolvidas por comunidades.
Entre as ações previstas está ainda o investimento na recuperação de rios e igarapés degradados por resíduos e pela falta de saneamento básico.
Isael Munduruku
O plano de Isael Munduruku (REDE-PSOL) também apresenta proposta específica de arborização urbana. No eixo voltado para Manaus, o documento prevê ampliar a arborização com espécies adequadas, criar sombra em rotas utilizadas por pedestres e proteger fragmentos florestais.
As medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla de adaptação climática para a capital, que inclui recuperação de igarapés com parques de uso público, implantação de refúgios climáticos em escolas e outros equipamentos públicos e ações para redução da poluição.
O plano também propõe integrar drenagem, recuperação de igarapés e arborização nas políticas de saneamento.
Omar propõe programa específico de arborização
O plano de governo de Omar Aziz (PSD) é o que traz a proposta mais diretamente relacionada à arborização urbana. O documento prevê a criação de um Programa de Arborização Urbana e Mitigação de Ilhas de Calor, dentro do eixo voltado às cidades, à gestão de recursos hídricos e à recuperação ambiental urbana.
A proposta envolve as áreas estaduais de Meio Ambiente e Infraestrutura e tem previsão de início entre 2027 e 2028.
O plano também prevê ações relacionadas à recuperação de igarapés, apoio aos municípios na elaboração de planos de drenagem urbana com soluções baseadas na natureza e projetos de renaturalização de margens fluviais em áreas urbanas críticas.
Professora propõe recuperação ambiental e incentivo aos municípios
O plano de Professora Maria do Carmo (PL) também não apresenta uma proposta específica de arborização urbana. As medidas ambientais estão concentradas em recuperação ambiental, adaptação climática e apoio aos municípios.
Entre as ações previstas estão a recuperação e despoluição de igarapés, políticas de adaptação para períodos de seca e cheia e investimentos em infraestrutura resiliente.
O plano também prevê apoio aos municípios em drenagem urbana, prevenção de alagamentos e gestão de resíduos. Outra proposta estabelece critérios ambientais para a definição de prioridades em investimentos estaduais, considerando indicadores como redução do desmatamento e manutenção da cobertura florestal.
Roberto prevê política de adaptação às mudanças climáticas
O plano de governo de Roberto Cidade (União Brasil) também não apresenta uma política específica de arborização urbana ou de mitigação de ilhas de calor.
O documento propõe uma política estadual de desenvolvimento sustentável, associando preservação ambiental, geração de renda e proteção das populações que vivem da floresta.
Entre as medidas estão um Plano Permanente de Enfrentamento às Cheias e Estiagens, o fortalecimento da Defesa Civil, a ampliação do monitoramento climático e a implantação de infraestrutura adaptada às mudanças climáticas. O plano também prevê mecanismos para ampliar a captação de recursos destinados à preservação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas.
O que o Estado pode fazer?
A arborização urbana é uma atribuição diretamente relacionada às administrações municipais, mas o Governo do Estado também pode participar por meio de recursos, apoio técnico e ações desenvolvidas em conjunto com as prefeituras.
A possibilidade está prevista na Lei Estadual nº 7.675, sancionada em julho de 2025. A legislação estabelece normas para arborização de logradouros públicos e prevê a cooperação entre Estado e municípios para ações em ruas, avenidas, praças, parques e canteiros centrais, com prioridade para espécies nativas.
A lei também estabelece critérios para a escolha das espécies e para a convivência das árvores com redes de energia, água e esgoto, além de regras relacionadas a raízes, copas, manutenção e poda.
É dentro dessa possibilidade de atuação que os planos de governo apresentam propostas diferentes.
Manaus já possui programa de arborização
Em Manaus, 44,8% dos moradores viviam, em 2022, em trechos de vias com presença de árvores, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual representa um avanço em relação a 2010, quando o índice era de 25,1%, mas ainda está abaixo da média nacional, de 66%.
Os números colocam a arborização urbana no centro de uma discussão que vai além do paisagismo. A presença de árvores nas cidades está relacionada ao planejamento urbano, ao conforto térmico e à adaptação a eventos climáticos. No Amazonas, o tema também passou a integrar a legislação estadual e aparece, com diferentes níveis de detalhamento, nos planos de governo dos candidatos que disputam o Governo do Estado.
Enquanto os planos para o próximo governo estadual apresentam diferentes abordagens, a Prefeitura de Manaus mantém o Manaus Verde. O Plano Plurianual 2026-2029 estabelece como objetivos ampliar a cobertura vegetal urbana e institucionalizar o programa de arborização.
Segundo a administração municipal, mais de 45 mil mudas foram plantadas em áreas urbanas entre janeiro e agosto deste ano.
O Censo 2022 mostra, porém, que o desafio permanece. Apesar do crescimento da arborização registrado entre 2010 e 2022, a proporção de moradores de Manaus que vivem em vias com árvores ainda está abaixo da média brasileira.
Para o Estado, as propostas apresentadas pelos candidatos colocam diferentes aspectos da agenda ambiental em discussão, da arborização urbana e mitigação de ilhas de calor à recuperação de igarapés, drenagem, sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas.






