Redação Rios
BRASIL – O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, afirmou nesta terça-feira, 2/9, em audiência no Senado, que o ministro Alexandre de Moraes teria usado a estrutura do tribunal para alimentar inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) com dados coletados de forma irregular.
A declaração foi dada à Comissão de Segurança Pública, presidida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e gerou reações imediatas de parlamentares da oposição, que pedem o afastamento de Moraes de processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Tagliaferro chefiou a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE e foi assessor direto de Moraes entre 2022 e 2024, durante o período em que o ministro presidiu o tribunal.
Leia também: União Brasil e PP anunciam afastamento do governo Lula

Segundo ele, parte das informações usadas em inquéritos no STF era produzida sob orientação direta do ministro e enviada aos gabinetes do TSE ou do STF, conforme conveniência.
“Muitas informações eram encaminhadas pelo TSE, que tinha menos burocracia, já que Moraes acumulava a presidência”, afirmou Tagliaferro.
O ex-assessor disse ainda que existia uma força-tarefa informal dentro do TSE e do STF para monitorar cidadãos nas redes sociais e emitir certidões negativas sem base legal. Segundo ele, o objetivo seria abastecer investigações sobre supostos atos antidemocráticos e disseminação de fake news.
‘Fingir para sobreviver’
Tagliaferro afirmou que fingiu concordar com o esquema para conseguir reunir provas e evitar retaliações.
“Se eu fosse contra o sistema desde o início, talvez nem estivesse mais vivo. Fingir foi a única maneira de sair com os documentos e poder mostrar o que estava acontecendo”, declarou.
Ele participou da audiência remotamente, a partir da Itália, onde está desde que foi exonerado do TSE. A exoneração ocorreu após o vazamento de conversas entre ele e Moraes, publicadas pela imprensa. O ex-assessor também já pediu ao STF o afastamento de Moraes de todos os processos que envolvem Bolsonaro.
Após os vazamentos, a Procuradoria-Geral da República denunciou Tagliaferro por violação de sigilo funcional, coação no curso do processo e obstrução de investigação penal. No último dia 25, o Ministério das Relações Exteriores pediu sua extradição ao governo italiano.
Reações no Senado
Senadores da oposição reagiram com pedidos de suspensão do julgamento de Bolsonaro, que começou nesta terça-feira, 2/9, pela 1ª Turma do STF. O ex-presidente é acusado de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

“[O julgamento] é um linchamento comprovado por um modo de agir fora da lei e marginal de Alexandre de Moraes para requentar provas contra alvos pré-determinados”, criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse que as novas informações tornam o processo “contaminado” e acusou Moraes de forjar provas.
“Estamos diante de uma violação de direitos humanos. Pessoas foram presas com base em provas forjadas por um magistrado. Esse julgamento tem que parar agora”, afirmou.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) defendeu que os documentos apresentados por Tagliaferro sejam enviados a órgãos internacionais.
“A imprensa tradicional não quer noticiar o que pode anular todo esse julgamento. Há perseguição política contra Bolsonaro e seus aliados”, disse.
CPI para investigar o Judiciário
O senador Esperidião Amin (PP-SC) cobrou a leitura, em plenário, do requerimento que protocolou para instalar uma CPI com foco em suposta perseguição política por parte de membros do Judiciário. O pedido tem 29 assinaturas — duas a mais do necessário — e aguarda leitura pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
“Já temos base documental suficiente para começar os trabalhos da CPI. A participação de Tagliaferro pode ser decisiva”, declarou Amin.
Quem participou
Além dos senadores Flávio Bolsonaro, Magno Malta, Damares Alves, Eduardo Girão e Esperidião Amin, também participaram da audiência os senadores Jorge Seif (PL-SC), Marcos Pontes (PL-SP), Marcio Bittar (PL-AC), Marcos Rogério (PL-RO), e os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Bia Kicis (PL-DF).
Veja o vídeo
*Com informações da Agência Senado






