Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O dia 1º de janeiro marca oficialmente o início do ano, reunindo superstições e tradições, como o uso da roupa branca e as ceias em família e amigos. Mas qual é a origem dessa data comemorativa?
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com o professor e doutorando em História pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Robert Alves Pinho, que explica que essas tradições têm origem nos festivais pagãos romanos e no calendário introduzido pelo imperador Júlio César há cerca de dois mil anos, posteriormente reformado pelo papa Gregório XIII.
“O ano civil, como nós conhecemos, surgiu com a contagem anual no século XVI, com a reforma gregoriana, feita pelo papa Gregório XIII, que substituiu o calendário juliano, o calendário antigo, onde foram acrescentados alguns meses, já que antes só havia dez. Isso passa a ser doze meses no ano, porque é feito um novo cálculo sobre a volta que a Terra dá em torno do Sol”, diz ele.

A mudança do calendário
No calendário juliano o ano não começava em janeiro, mas em março. Com a adoção do calendário gregoriano, janeiro e fevereiro passaram a anteceder março, e o dia 1º de janeiro foi oficialmente estabelecido como início do ano.
“Antes dessa mudança, o ano começava em março, data ligada a divindades do panteão romano. Março era dedicado a Marte, abril e maio seguem referências do calendário romano, junho vem de Juno, julho homenageia Júlio César e agosto faz referência ao imperador Augusto, e assim por diante”, explica o historiador.
O historiador ressalta que o mês de janeiro ganhou novos significados ao longo do tempo.
“Além de marcar o início do ano, janeiro é considerado o mês da paz e, na Igreja Católica, é dedicado a Santa Maria, Mãe de Deus. É um período simbólico de renovação, que abre o ano sob essa perspectiva”, afirma Robert.

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Tradições da virada no Brasil
O uso da roupa branca na virada do ano no Brasil é resultado da mistura de tradições europeias e de matrizes africanas. Segundo ele, além de simbolizar renovação e paz, a cor foi incorporada ao costume brasileiro por influências religiosas e culturais ao longo do tempo.
“O branco passa a ser associado à paz, especialmente nas religiões de matriz africana, onde está ligado a Oxalá. Essa tradição chega ao Brasil e se mistura a outros costumes europeus e indígenas, formando esse imaginário que hoje faz parte da virada do ano”, explica.

O historiador destaca ainda que, em diferentes culturas, as mudanças de calendário são vistas como momentos simbólicos de encerramento e início de ciclos, o que motiva a realização de rituais, encontros e celebrações coletivas.
“Essas datas são escolhidas historicamente para rituais específicos porque representam fechamento e abertura de ciclos. Por isso, muitas sociedades europeias, africanas, orientais e indígenas veem a virada do ano como um momento de purificação, limpeza e renovação, independentemente do calendário seguido”, afirma ele.






