Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma operação desarticulou duas organizações criminosas investigadas por extorsão, agiotagem, homicídios consumados e tentados, tortura, sequestro, cárcere privado e lavagem de dinheiro nesta quarta-feira, 20/5.
Segundo a investigação, os grupos utilizavam empréstimos com juros abusivos e recorriam a ameaças e violência para cobrar as vítimas. Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de prisão, sendo 13 em Manaus e sete em outros estados, além de uma medida cautelar no Amazonas.
Mandados também foram executados no Amazonas e em outros três estados, entre eles Santa Catarina, Roraima e Paraíba. De acordo com a polícia, uma das organizações movimentou cerca de R$ 24 milhões entre 2024 e 2025. A segunda estrutura criminosa ainda está sob análise financeira.

A operação foi coordenada pelos 12º e 20º Distritos Integrados de Polícia (DIPs), com apoio do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), Departamento de Inteligência da Polícia Civil (DIPC), Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e Polícia Militar do Amazonas (PM-AM).
De acordo com o delegado Fernando Bezerra, o volume financeiro movimentado pelas organizações chamou atenção durante as investigações.
“Somente uma dessas organizações movimentou cerca de R$ 24 milhões e foram decretadas 25 prisões preventivas, das quais cumprimos 20 nesta operação. As prisões ocorreram simultaneamente no Amazonas, Santa Catarina, Roraima e Paraíba”, afirmou.

Prisões dentro e fora do Amazonas
Dos 20 presos até o momento, 13 foram localizados no Amazonas e sete em outros estados. A operação contou com apoio de forças policiais de diferentes unidades da federação para cumprimento simultâneo dos mandados.

As investigações continuam e podem resultar em uma segunda fase da operação. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos armas de fogo, espadas, computadores, celulares e outras mídias, que serão periciadas.

“Vamos avaliar todo esse material para identificar possíveis novos envolvidos. Temos consciência de que a investigação não termina aqui”, destacou o delegado.
Núcleo financeiro
Dois policiais militares foram presos em Santa Catarina durante a operação. Segundo a Polícia Civil, ambos seriam cabos da PM e atuavam no núcleo financeiro da organização criminosa.
Eles seriam responsáveis por mecanismos de ocultação patrimonial e movimentação financeira utilizados para lavagem de dinheiro obtido com atividades ilícitas. “Esse núcleo atua exatamente nos atos de ocultação, simulação e lavagem de dinheiro”, explicou o delegado.

De acordo com o major Andrey Oliveira, os policiais já respondiam a procedimentos judiciais e estavam afastados das funções.
Segundo ele, os militares deixaram o Amazonas sem autorização judicial e foram localizados em Santa Catarina. “A Polícia Militar não compactua com casos de corrupção e aguardará o desfecho das investigações para adoção de novas medidas administrativas”, afirmou.
Sequestro e possível perda gestacional
Durante as investigações, a polícia identificou um caso de cárcere privado envolvendo uma mulher mantida em poder do grupo criminoso.
De acordo com o delegado Fernando Bezerra, a vítima permaneceu sequestrada por cerca de dez dias e há suspeita de que tenha perdido o bebê durante o período em que esteve sob domínio dos investigados.
“Há uma alta probabilidade, segundo os autos da investigação, de que ela tenha perdido o bebê durante esse período em que permaneceu sequestrada”, disse.
Líder internado em UTI
A polícia informou que um dos líderes da organização não foi preso por estar internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) em um hospital de Manaus.
Segundo a investigação, ele seria proprietário de um dos locais utilizados como base pelo grupo criminoso e teria participação direta em episódios de violência. “Esse indivíduo não foi preso exatamente porque está em uma unidade de tratamento intensivo em um dos hospitais de Manaus”, afirmou o delegado.
Atuação desde 2021
As investigações identificaram registros de atuação criminosa desde 2021, com maior intensidade entre 2024 e 2025. Até o momento, mais de 40 vítimas foram identificadas. O levantamento sobre os prejuízos financeiros segue em andamento.
“Catalogadas no inquérito nós temos mais de 40 vítimas. Os R$ 24 milhões são referentes a apenas uma organização criminosa”, concluiu o delegado.






