Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma lei em vigor desde o dia 18 de novembro deste ano instituiu o Projeto Inteligência Emocional e Meditação nas escolas municipais de Manaus, com o objetivo de melhorar o ambiente escolar por meio do desenvolvimento de habilidades emocionais, como autoconhecimento, autorregulação e controle das emoções. A medida visa ainda reduzir níveis de estresse, violência, bullying e evasão escolar, além de aprimorar a concentração e o desempenho acadêmico dos alunos.
No entanto, a proposta tem gerado controvérsias, especialmente entre os educadores. Para o coordenador jurídico do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom), Lambert Melo, embora a intenção do projeto seja positiva, a execução da medida está mal estruturada e pode resultar em sobrecarga para os professores, sem oferecer condições adequadas para sua implementação.
“Nós entendemos que a intenção do projeto pode ser considerada boa, visto que a ideia de melhorar o controle emocional dos alunos seja importante, a responsabilidade por aplicar essas atividades recai sobre os professores, que já enfrentam uma sobrecarga imensa de atribuições e de trabalho intensa. O projeto é mal elaborado e não apresenta nenhuma compensação financeira ou aumento salarial para os docentes que terão que incorporar essas novas funções”, afirmou Melo.
A Lei nº 3.411 prevê que os professores devem ser capacitados para aplicar as metodologias de meditação e inteligência emocional. Contudo, a crítica central do sindicato é a falta de um planejamento adequado para garantir que essa proposta seja viável na prática. Melo ressalta que, sem o aumento de salário ou a contratação de profissionais especializados para implementar o projeto, os professores serão forçados a realizar mais tarefas dentro de uma carga horária já apertada.
O autor da lei, vereador Fransuá (PSD), que é professor da rede pública, justifica a medida afirmando que os benefícios da meditação nas escolas “foram comprovados por pesquisas, em 2012” em um estudo realizado em Oakland, Califórnia (EUA).
A legislação também não especifica como o município irá arcar com os custos de treinamento dos educadores e a aplicação das metodologias, levantando dúvidas sobre a viabilidade financeira do projeto.
Embora o texto da Lei determine que as despesas serão cobertas pelas dotações orçamentárias próprias, sem suplementação adicional, a falta de detalhes sobre a execução pode dificultar a implementação.
Outro ponto destacado pelo coordenador da Asprom é que, embora o projeto trate de temas importantes como a redução da violência escolar e o aprimoramento do aprendizado, ele não leva em consideração a realidade dos professores, que já enfrentam uma série de desafios dentro da sala de aula. “Se o projeto fosse realmente sério, ele deveria prever uma compensação adequada para os professores ou a contratação de novos profissionais para executar essa tarefa, mas nada disso está previsto na lei”, completou o coordenador do sindicato.
Para o educador Lambert Melo, o projeto de meditação pode acabar sendo apenas mais uma medida simbólica, sem condições reais de ser implementada de forma eficaz. “é mais uma situação para inglês ver porque não busca verdadeiramente a melhoria da qualidade do ensino”.






