Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Nesta sexta-feira, 1º de maio, o Brasil relembra os 32 anos da morte de Ayrton Senna, considerado um dos maiores pilotos da história do automobilismo mundial. O tricampeão da Fórmula 1 morreu aos 34 anos, em 1994, após um grave acidente durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália.
Mais de três décadas depois, o legado de Senna permanece vivo. Símbolo de determinação, patriotismo e excelência esportiva, ele continua influenciando pilotos, profissionais e fãs de diferentes gerações.
No auge da carreira, Senna liderava a corrida quando perdeu o controle da Williams-Renault na curva Tamburello e colidiu violentamente contra o muro de proteção do Autódromo Enzo e Dino Ferrari. A tragédia marcou o esporte mundial e eternizou o brasileiro como um dos maiores nomes da Fórmula 1.

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Ídolo de gerações
Além dos três títulos mundiais conquistados em 1988, 1990 e 1991, Senna acumulou 41 vitórias e 65 pole positions em dez temporadas. Reconhecido pela habilidade em pistas molhadas e pela intensidade nas corridas, também construiu uma forte conexão com os brasileiros – especialmente nos domingos, quando celebrava vitórias carregando a bandeira nacional.
Até hoje, seu nome é associado a disciplina, perfeccionismo, superação e paixão pelo automobilismo.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, fãs relembraram a admiração pelo piloto e destacaram como Ayrton Senna os inspirou ao longo da vida, especialmente pela trajetória marcante que construiu no automobilismo.
Inspiração nas pistas
O piloto amazonense Paulinho D’Carli relembra que a admiração por Senna começou ainda na infância, em momentos compartilhados com a família.
“Minha admiração começou na infância, acompanhando aquelas manhãs de domingo em família. O que mais me marcou não foi apenas a velocidade, mas a resiliência. Ele vencia mesmo quando tudo parecia contra: o carro, o clima ou a política da F1”, afirmou.

Segundo ele, a força mental do tricampeão é um dos principais diferenciais.
“Essa força mental é o que diferencia os campeões dos outros. Ele representa a perfeição técnica unida à paixão. Ele provou que o talento, quando somado a uma disciplina quase obsessiva, pode tornar um piloto imbatível”, destacou.
Entre as lembranças mais marcantes, Paulinho cita o GP do Brasil de 1991, em Interlagos.
“Vencer em Interlagos apenas com a sexta marcha é algo que desafia a lógica da engenharia e da resistência física. Como piloto, sei o quanto é difícil controlar um carro de alta performance com problemas mecânicos; o que ele fez ali foi puro coração e fé”, declarou.
Marca que atravessa gerações
A habilidade de Senna sob chuva é outro ponto frequentemente lembrado.
“Ele tinha uma leitura de aderência que ninguém mais possuía. Além disso, a presença dele no retrovisor dos adversários impunha respeito. Muitas vezes ele vencia a corrida antes mesmo da ultrapassagem”, comentou Paulinho.
Para o piloto, o legado do ídolo segue influenciando até quem não o viu correr.
“Mesmo os jovens pilotos que não o viram correr buscam nele uma referência de dedicação. Meu filho Cacá De’ Carli, que começou seus primeiros treinos no automobilismo, também tem isso como inspiração. O legado dele transcende o tempo porque não é sobre carros, é sobre postura e caráter”, afirmou.
Orgulho e identidade
A imagem de Senna com a bandeira do Brasil segue como um dos símbolos mais fortes de sua trajetória.
“Ver o tema da vitória e aquela bandeira do Brasil erguida no cockpit ainda me arrepia. Eu, particularmente, em todos os pódios que conquisto pelos autódromos brasileiros, subo com a bandeira do Amazonas. Essa é uma forma de prestigiar e valorizar a nossa gente”, disse.

Segundo Paulinho, o impacto de Senna vai além do esporte. “Ver um brasileiro dominando o mundo faz você acreditar que é possível sair de qualquer lugar e vencer. Essa centelha que ele acendeu em mim é a mesma que hoje me faz dedicar minha vida ao automobilismo”, completou.
Referência além do automobilismo
O filmmaker e fotógrafo Erick Nogueira também destaca a influência do tricampeão em sua trajetória pessoal e profissional.
“Minha admiração nasceu ao entender o Senna não apenas como piloto, mas como um ícone de identidade. Ele carregava a bandeira de um país sofrido no topo do pódio e transformou o ato de dirigir em uma forma de arte e orgulho nacional”, afirmou.

Para Erick, o perfeccionismo de Senna é inspiração diária. “O que mais me inspira é o perfeccionismo. Nas pistas, ele buscava o milésimo de segundo. No meu trabalho, busco a melhor imagem e o melhor ângulo. A obsessão dele pela excelência é um guia constante para mim”, comentou.
Exemplo de superação
Assim como Paulinho, Erick também relembra o GP do Brasil de 1991 como um dos momentos mais emblemáticos da carreira do piloto.
“Ver ele vencer em Interlagos, travado na sexta marcha e chegando ao limite do esgotamento físico, é o maior exemplo de resiliência que conheço”, declarou.
Segundo ele, o diferencial de Senna também estava na intensidade emocional. “Ele não guiava apenas com o carro, guiava com a alma, especialmente na chuva, onde o talento individual sobressai à máquina”, afirmou.

Os valores deixados pelo piloto, segundo Erick, seguem atuais. “A disciplina e a resiliência. No meu dia a dia, seja gravando ou editando, tento aplicar aquela mentalidade de que, se você quer ser bem-sucedido, precisa ter dedicação total, buscar o seu limite e dar o melhor de si. Os valores dele são atemporais”, relatou.
Paixão que começa cedo
Erick conta que a paixão pela Fórmula 1 surgiu ainda na infância, assistindo às corridas em família. “O meu amor pela Fórmula 1 surgiu ainda na infância. Tenho boas memórias de assistir às corridas aos domingos com meu avô e meu padrasto. Sempre gostei de carros, e a paixão pelo automobilismo surgiu a partir disso”, relembrou.
Ele também ressalta a importância do kart. “Quem já sentou num kart sabe que ali é a base de tudo, onde a sensibilidade é pura. Saber que o Senna considerava o kart sua fase mais ‘real’ de competição aumenta ainda mais meu respeito pela técnica dele”, comentou.
Novo talento inspirado em Senna
O jovem piloto Mohammed Marinho, campeão amazonense de kart na categoria Cadete em 2025, também encontrou em Senna sua principal referência.
“Tudo começou nas férias da escola de 2024. Pedi pro meu pai assistir um filme de Fórmula 1 e ele colocou a série do Senna na Netflix. Quando acabou, falei que queria andar de kart”, contou.

“O Senna era muito focado e dedicado no que fazia. Gosto muito da simplicidade dele e da maneira como ele levava tudo muito a sério”, afirmou.
Legado que permanece
Para Mohammed, o vínculo de Senna com o Brasil explica sua admiração até hoje. “Acho que ele continua sendo admirado pelo amor que tinha pelo Brasil. Ele carregava a bandeira do país pro mundo todo e fazia os brasileiros sentirem orgulho”, destacou.

Entre os momentos favoritos, ele cita as corridas na chuva. “Eu gosto muito de ver ele correndo na chuva em Mônaco. Também gosto quando ele vai pro pódio e comemora com champanhe. São momentos que mostram a felicidade dele correndo”, disse.
Sonho em construção
Apesar da pouca idade, Mohammed já acumula experiências importantes e recorre à inspiração no ídolo para superar desafios.
“Ano passado larguei em último e consegui vencer. Quando começou a chover, só veio o Senna na cabeça e consegui ser campeão da etapa”, relembrou.



Ele também destacou os desafios financeiros do esporte. “O kart é um esporte caro e precisamos muito de patrocinadores pra continuar realizando esse sonho”, concluiu.






