Kaelyson Moraes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os candidatos ao Senado concentram as atenções durante a campanha eleitoral, mas outros nomes registrados nas chapas também podem chegar ao Congresso Nacional. No Amazonas, nove candidatos ocupam a primeira suplência nas chapas que disputam o Senado nas eleições de 2026.
Os perfis são diversos. Há empresários, professores, servidores públicos, candidatos que participam pela primeira vez de uma eleição e nomes que já passaram pelas urnas. Os patrimônios declarados à Justiça Eleitoral também variam: vão de nenhum bem declarado a mais de R$23 milhões.
Como um suplente pode virar senador?
Diferentemente de deputados e vereadores, os suplentes de senador integram a própria chapa do candidato. Ao votar no titular, portanto, o eleitor também elege os suplentes que o acompanharão durante o mandato.
Cada senador é eleito com dois suplentes. Eles não recebem votos individualmente nem precisam disputar uma nova eleição para ocupar a cadeira caso sejam convocados.
O primeiro suplente é o primeiro na linha para substituir o titular. A Constituição prevê sua convocação em caso de vaga e também em determinadas situações de afastamento, como licença superior a 120 dias. A substituição pode, portanto, ser temporária ou durar até o fim do mandato, dependendo do motivo que levou o titular a deixar a cadeira.
Caso ocorra uma vaga e não haja suplente disponível, uma nova eleição deve ser realizada se faltarem mais de 15 meses para o término do mandato.
Um exemplo ocorreu justamente no Amazonas. Eduardo Braga havia sido eleito senador em 2010 tendo a esposa, Sandra Braga, como primeira suplente. Em 1º de janeiro de 2015, ele se licenciou do Senado para assumir o Ministério de Minas e Energia no início do segundo governo Dilma Rousseff. Sandra foi convocada e tomou posse como senadora.
Ela permaneceu no exercício do mandato enquanto Braga comandava o ministério. Em abril de 2016, em meio ao rompimento do PMDB com o governo Dilma durante o processo de impeachment, Eduardo Braga deixou o Ministério de Minas e Energia e reassumiu a cadeira no Senado. Sandra, então, voltou à condição de suplente.
Alessandro Toniza (Mudar é Urgente)
Alessandro Toniza é o primeiro suplente do candidato ao Senado Capitão Alberto Neto, da chapa Mudar é Urgente/PL. Nascido em 10 de setembro de 1973, em Niterói, no Rio de Janeiro, é empresário.
Toniza já participou de uma eleição em Manaus. Em 2016, concorreu ao cargo de vice-prefeito pelo PRTB na chapa encabeçada por Henrique Oliveira, do Solidariedade. A dupla não chegou ao segundo turno.
Em 2026, Toniza declarou R$23.440.559,98 em bens à Justiça Eleitoral. É o maior patrimônio declarado entre os nove primeiros suplentes.

Antonio Neto (PSTU)
Antonio Neto é o primeiro suplente de Evandro de Oliveira, do PSTU. Nascido em Manaus em 2 de novembro de 1965, é professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Antonio disputou as eleições municipais de 2024 como candidato a vereador em Manaus pelo mesmo partido.
Em 2026, não declarou bens à Justiça Eleitoral.

Daila Prestes (Federação PSOL/Rede)
Daila Prestes é a primeira suplente de Ismael Munduruku, da Federação PSOL/Rede. Ela nasceu em 27 de julho de 1995, em Silves, no interior do Amazonas, e participa pela primeira vez de uma eleição como candidata.
Daila entrou na chapa como suplente após a candidatura de Laynara Prestes ser indeferida.
Ela não declarou bens à Justiça Eleitoral.

Isaías Amazonas (DC)
Isaías Amazonas é o primeiro suplente de Dailson Corrêa, do DC. Nascido em Manaus em 2 de setembro de 1985, já participou de uma eleição municipal.
Em 2016, Isaías disputou uma vaga na Câmara Municipal de Manaus pelo Patriota.
Neste ano, declarou patrimônio de R$1,1 milhão à Justiça Eleitoral.

Kelly Barbosa (Federação PSDB/Cidadania)
Kelly Barbosa é a primeira suplente de Plínio Valério, da Federação PSDB/Cidadania. Nascida em 19 de novembro de 1976, em Tefé, no interior do Amazonas, tem até o ensino fundamental completo.
Esta é a primeira participação de Kelly como candidata em uma eleição.
Ela declarou R$150 mil em bens à Justiça Eleitoral. O patrimônio informado corresponde exclusivamente a um veículo Volkswagen T-Cross.

Luís Mário Bonates (União Pelo Amazonas)
Luís Mário Bonates é o primeiro suplente de Wilson Lima, da chapa União Pelo Amazonas. Nascido em Manaus em 29 de novembro de 1989, é administrador.
A eleição de 2026 representa sua primeira disputa eleitoral.
Bonates declarou R$1.516.270,63 em bens à Justiça Eleitoral.

Neida Farias (Mobiliza)
Neida Farias é a primeira suplente de Xuxa do Amazonas, do Mobiliza. Nascida em Manaus em 27 de agosto de 1983, participa neste ano de sua primeira disputa eleitoral.
Neida declarou patrimônio de R$2.294,70 à Justiça Eleitoral, o menor valor entre os suplentes que informaram possuir bens.

Renan Rotondano (PSOL)
Renan Rotondano é o primeiro suplente da Professora Evany, da Federação PSOL/Rede. Nascido em 30 de novembro de 1990, é servidor público federal e se apresenta nas redes sociais como ator e cineasta.
Em 2024, Renan disputou uma vaga de vereador em Manaus pelo PSOL.
Neste ano, não declarou bens à Justiça Eleitoral.

Sandra Braga (Força Amazonas)
Sandra Braga é a primeira suplente de Eduardo Braga, da chapa Força Amazonas. Nascida em Manaus em 27 de julho de 1959, é empresária e esposa do senador.
Entre os nove primeiros suplentes das chapas de 2026, Sandra é a única que já chegou ao Senado nessa condição.
Ela foi eleita primeira suplente de Eduardo Braga em 2010. Quando o marido se licenciou do Senado, em 1º de janeiro de 2015, para assumir o Ministério de Minas e Energia no governo Dilma Rousseff, Sandra foi convocada e tomou posse como senadora.
Ela permaneceu no exercício do mandato por mais de um ano. Em abril de 2016, Eduardo Braga deixou o ministério e reassumiu sua cadeira no Senado, encerrando o período de Sandra como senadora em exercício.
Sandra voltou a ocupar a primeira suplência de Braga nas eleições de 2018 e, em 2026, aparece novamente na primeira posição da linha de substituição do marido.
Neste ano, declarou R$6.435.906,76 em bens à Justiça Eleitoral.

Patrimônios vão de zero a R$ 23,4 milhões
As declarações entregues à Justiça Eleitoral mostram diferenças significativas entre os patrimônios dos nove primeiros suplentes.
Alessandro Toniza lidera a lista, com R$23.440.559,98. Sandra Braga aparece em seguida, com R$6.435.906,76. Luís Mário Bonates declarou R$1.516.270,63; Isaías Amazonas, R$1,1 milhão; Kelly Barbosa, R$150 mil; e Neida Farias, R$2.294,70.
Antonio Neto, Daila Prestes e Renan Rotondano não declararam bens à Justiça Eleitoral.
A experiência eleitoral também varia. Daila Prestes, Kelly Barbosa, Luís Mário Bonates e Neida Farias disputam uma eleição pela primeira vez. Antonio Neto e Renan Rotondano foram candidatos a vereador em 2024, enquanto Alessandro Toniza e Isaías Amazonas já participaram das eleições municipais de 2016.
Sandra Braga se diferencia dos demais por já ter exercido um mandato no Congresso como suplente. Sua trajetória mostra que os nomes que aparecem atrás dos candidatos ao Senado nas chapas eleitorais podem, efetivamente, chegar a Brasília e participar das decisões do Legislativo federal, decidindo a vida da população.
Nas Eleições 2026, o Amazonas escolherá dois novos senadores, porque neste ano termina o mandato de dois dos três representantes do Estado no Senado Federal. Por isso, o pleito é chamado de eleição para duas vagas: cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado, e serão eleitos os dois nomes que obtiverem as maiores votações. O terceiro senador do Amazonas não participa dessa renovação, pois seu mandato segue até 2031. Os dois eleitos tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027 e terão mandato de oito anos, até 31 de janeiro de 2035.






