Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Pedagogo, arte-educador e candidato a vice-governador na chapa de Isael Munduruku (Rede), Léo Balbi (PSOL) defendeu a valorização dos profissionais da Educação, criticou problemas na estrutura das escolas públicas e propôs a descentralização dos serviços de saúde de média e alta complexidade para o interior do Amazonas.
As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Eleições na Rios, da Rádio Rios FM, nesta terça-feira, 8/9. A candidata foi entrevistada pelo editor-chefe de Jornalismo da emissora, Cláudio Rosas.
Ao falar sobre sua entrada na disputa majoritária, Balbi afirmou que sua trajetória política foi construída a partir da militância junto a professores e profissionais da Educação.
Leia também: Eleições na Rios: Juliana Frota critica abandono do interior e defende mudanças nos serviços públicos do Amazonas
Segundo ele, a experiência dentro das escolas permitiu acompanhar de perto as dificuldades enfrentadas pela categoria. “Dentro desse espaço de militância, da educação, a gente defende muito mais aproximado a valorização do profissional de educação”, afirmou.
Para o candidato, a valorização dos trabalhadores não deve se limitar ao reajuste salarial. Ele também citou as condições de trabalho, a infraestrutura das escolas e os impactos da rotina profissional sobre a saúde dos servidores.
“A gente precisa pensar na valorização, desde a valorização salarial até o cotidiano desse professor dentro da escola, como ele vai se dar, como esse cotidiano vai influenciar na sua saúde, na sua saúde mental, na sua saúde física”, declarou.
‘Educação está viciada’
Ao avaliar a Educação no Amazonas, Balbi classificou o sistema como “viciado” e questionou a forma como os índices de desempenho são apresentados. Para ele, os resultados não representam a realidade vivida nas escolas.
“A gente tem um sistema educacional viciado. Dentro desse espaço viciado da educação, a gente acaba maquiando muitos os índices de educação”, criticou.
O candidato também defendeu que o processo educacional considere a realidade dos estudantes e a relação entre escola e comunidade.
“Conhecer essa realidade da escola pública tem que ser vivida. Ela tem que ser vivida lá no local, na nossa localidade, e a escola também precisa conversar com a comunidade em volta”, afirmou.
‘Viemos para disputar’
Sobre o papel do vice-governador, Balbi rejeitou a ideia de que o cargo sirva apenas para complementar uma chapa eleitoral. Ele afirmou que pretende atuar diretamente em um eventual governo ao lado de Munduruku.
“Nós não somos um grupo que veio tapar buracos. A gente veio para disputar”, declarou.
Segundo Balbi, uma das funções que pretende assumir é aproximar a população da administração estadual, por meio de plenárias, assembleias e diálogo com associações comunitárias.
“Num futuro governo de Isael e Léo, estaremos lá de portas abertas para a população, sempre para escutá-los, para ouvir suas reivindicações”, afirmou.
O candidato também disse que a chapa não conta com os mesmos grupos políticos tradicionais que, segundo ele, possuem estruturas e recursos financeiros maiores. “Nós não temos padrinhos políticos, nós não temos esse núcleo interno que esses outros grupos têm”, disse.
Interior e descentralização da Saúde
Natural de Manacapuru, a 69 quilômetros de Manaus, Balbi defendeu uma mudança na forma como o governo estadual trata os municípios do interior.
Para ele, as políticas públicas precisam considerar as particularidades de cada região e garantir que os serviços cheguem antes do agravamento dos problemas.
“A gente precisa também olhar para o interior do Estado do Amazonas como se fosse capital”, afirmou.
Na área da Saúde, o candidato defendeu a descentralização dos atendimentos de média e alta complexidade, citando Manacapuru e Itacoatiara como polos que poderiam desempenhar papel estratégico.
“A gente pode pensar em descentralizar os serviços de saúde da capital, de média e alta complexidade, para o interior do Estado do Amazonas.”
Balbi também relacionou a política de saúde ao calendário de cheias e secas do Amazonas que, segundo ele, como esses fenômenos são previsíveis, o poder público deveria se antecipar aos impactos sobre a população.
Agricultura familiar e merenda escolar
Na área rural, o candidato defendeu políticas de incentivo à agricultura familiar e uma maior aproximação entre produtores e escolas públicas.
Para Balbi, a produção local poderia ser utilizada de forma mais efetiva na alimentação escolar, beneficiando estudantes e trabalhadores do campo.
“A merenda escolar precisa ser muito mais colorida, muito mais saudável e a gente precisa entender que a gente pode andar lado a lado com o produtor rural e a escola”, afirmou.
Mudanças climáticas
A crise climática também foi um dos temas abordados durante a entrevista. Balbi criticou o avanço da degradação ambiental e relacionou o aumento das temperaturas à retirada de vegetação e à expansão urbana sem planejamento.
“Esse calorão, esse suor que esconde a nossa testa, tem um motivo, e esse motivo é o capitalismo desenfreado, arrancando árvores para colocar prédios e casas, sem pensar no futuro do que isso vai trazer”, declarou.
Eleições na Rios
O Eleições na Rios é uma iniciativa da Rede RIOS DE COMUNICAÇÃO e reúne a cobertura das eleições realizada pela Rádio Rios FM 95,7, pelo Portal e Jornal RIOS DE NOTÍCIAS.






