Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A candidata a vice-governadora do Amazonas pelo PSTU, Juliana Frota, defendeu mudanças na estrutura dos serviços públicos do Estado e criticou o que classificou como abandono do interior pela gestão estadual.
Durante entrevista ao programa Eleições na Rios, da Rádio Rios FM, nesta sexta-feira, 4/9, a candidata foi entrevistada pelo editor-chefe de Jornalismo da emissora, Cláudio Rosas.
Na conversa, Juliana afirmou que aceitou o convite do partido para apresentar um projeto que, segundo ela, represente os interesses da população trabalhadora e dos setores mais vulneráveis do Estado.
Juliana compõe a chapa encabeçada por Gilberto Vasconcelos e disputa pela primeira vez um cargo eletivo. Advogada, ela é servidora concursada do Tribunal de Justiça do Amazonas e também integra o Movimento Mulheres em Luta.
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Projeto coletivo
Para a candidata, o vice-governador deve ter participação ativa na administração. Ela afirmou que a chapa com Gilberto Vasconcelos foi construída de forma coletiva, com propostas discutidas para atender principalmente a população que trabalha e produz a riqueza do Amazonas.
“É um desafio que não é fácil, mas o partido, o PSTU, fez esse convite, eu aceitei pela necessidade de a gente apresentar um programa que, de fato, vai enfrentar os problemas que o nosso povo aqui do Amazonas está enfrentando, e a raiz dos problemas é apresentar um programa que, de fato, representa os interesses desses setores explorados e oprimidos do Amazonas”, afirmou Frota.
Serviços públicos
Juliana avaliou que o Amazonas enfrenta um aprofundamento da crise social e apontou problemas em áreas como saúde, educação, segurança, transporte e moradia.
Segundo ela, tanto a capital quanto os municípios do interior enfrentam dificuldades estruturais, com serviços públicos precarizados e falta de estrutura.
“A gente vê um aprofundamento da crise social no Estado do Amazonas, um abandono do interior do nosso Estado, os municípios sem estrutura”, afirmou.
A candidata também citou o aumento do custo de serviços essenciais, como a energia elétrica, água, gás de cozinha e combustível, como fatores que impactam diretamente a qualidade de vida da população.
Saúde
Na saúde, Juliana criticou a transferência da gestão de unidades públicas para empresas privadas e defendeu que os hospitais voltem a ser administrados diretamente pelo poder público.
Segundo ela, o modelo permite que recursos públicos sejam repassados a empresas responsáveis pela gestão e contratação de trabalhadores terceirizados.
“A primeira coisa seria acabar com essas gestões privadas dos hospitais e a gente tomar, a partir do poder público e com o controle dos trabalhadores da saúde”, declarou.
A candidata defendeu ainda a criação de conselhos com participação de profissionais da área, como médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, para acompanhar a gestão dos serviços.
Interior do Amazonas
A desigualdade entre Manaus e os municípios do interior também foi um dos pontos abordados durante a entrevista.
Juliana afirmou que o problema é histórico e que a população do interior enfrenta dificuldades de acesso à saúde, especialmente em períodos de seca e isolamento.
Ela defendeu investimentos em hospitais, transporte fluvial, tecnologia e desenvolvimento econômico dos municípios, além de maior integração entre Estado e prefeituras.
“É a gente discutir o investimento em hospitais no interior do estado, porque nem o atendimento básico não está sendo feito com qualidade nos municípios, que é competência dos municípios. Então o estado tem que, de alguma forma, ter a obrigação de, junto com as prefeituras, junto com os municípios, desenvolver planos.”
A candidata também citou o fortalecimento da agricultura familiar, da indústria e da pesquisa produzida pelas universidades instaladas no Amazonas como caminhos para reduzir as desigualdades regionais.
Educação
Na educação, Juliana criticou o avanço das terceirizações e o que classificou como uma “privatização por dentro” da rede pública.
Segundo ela, o modelo ocorre quando recursos do orçamento público são destinados a empresas contratadas para executar serviços dentro da estrutura estatal.
A candidata defendeu a democratização da gestão das escolas, com participação de professores, servidores administrativos, pais e estudantes na escolha dos diretores.
“É que as próprias escolas, a própria comunidade escolar, interessada em uma educação de qualidade, ela vai eleger os seus diretores”, afirmou.
Eleições na Rios
O Eleições na Rios é uma iniciativa da Rede RIOS DE COMUNICAÇÃO e reúne a cobertura das eleições realizada pela Rádio Rios FM 95,7, pelo Portal e Jornal RIOS DE NOTÍCIAS.






