Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Questionamentos feitos pelo jornalista Pedro Doria sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM) provocaram reação no Amazonas e abriram uma nova discussão sobre os incentivos fiscais, o funcionamento do Polo Industrial de Manaus e a importância do modelo para a economia regional.
Entre as reações de internautas amazonenses e defensores do modelo estão classificações das falas como “totalmente equivocadas” e convites para que o jornalista conheça melhor o modelo e que debate sobre.
Críticas ao modelo
A crítica foi publicada nas redes sociais por meio de um carrossel em que Doria questiona, entre outros pontos, o processo de fabricação de motocicletas no Polo Industrial de Manaus. Segundo o jornalista, componentes produzidos na China seriam transportados para a capital amazonense e utilizados na montagem dos veículos, que depois são distribuídos para outras regiões do país.
Doria também levantou a possibilidade de uma motocicleta produzida no Sudeste ter custo até 35% menor e questionou o volume de incentivos fiscais destinados à Zona Franca. A publicação ainda citou o economista Marcos Lisboa na argumentação contra o modelo.


Incentivos até 2073
Outro ponto abordado foi a manutenção dos incentivos fiscais da Zona Franca até 2073. Doria questionou a prorrogação e a forma como a decisão foi tomada, levantando a discussão sobre os efeitos econômicos do modelo e sua continuidade nas próximas décadas.
Reações no Amazonas
As afirmações repercutiram entre amazonenses e pessoas ligadas à defesa da Zona Franca.
Nos comentários da publicação, internautas contestaram a interpretação apresentada pelo jornalista e destacaram a existência de uma cadeia industrial e de empregos vinculados ao Polo Industrial de Manaus.
“Equivocado !!!! Venha conhecer antes de falar sobre Zona França de Manaus, sugiro que visite a Moto Honda e Moto Yamaha, verá que é um desconhecedor profundo sobre esse assunto. Uma moto é totalmente fabricada na ZFM, desde a fundição até a montagem final. Partes metálicas, elétricas e plásticas são fabricadas em Manaus pelos fornecedores que estão na ZFM. Quem traz produto chinês, adesiva e vende são empresa e do sul e sudeste”, disse um.
Já outro sugeriu que o jornalista conheça a Zona Franca de Manaus. “Totalmente equivocado. Sugiro conhecer o modelo ZFM”, pontuou.
Teve também que pedisse para que Pedro Doria repensasse sobre seu post. “Espero que você reflita sobre o que escreveu”, afirmou o seguidor.

Marcelo rebate críticas
A discussão também ganhou contornos políticos. O ex-deputado federal Marcelo Ramos reagiu às críticas e classificou parte dos argumentos apresentados como resultado de “preconceito e desinformação”.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ramos rebateu principalmente a afirmação de que as motocicletas produzidas em Manaus seriam resultado apenas da montagem de peças vindas do exterior. Ele defendeu a existência de processos industriais realizados no Polo de Manaus e questionou a comparação de custos apresentada por Doria.
Convite para debate
Além de contestar os argumentos, Ramos elevou o tom da discussão ao convidar Pedro Doria para um debate público sobre a Zona Franca de Manaus. A proposta é colocar frente a frente os argumentos favoráveis e contrários ao modelo.
Até a publicação desta matéria, não havia manifestação pública de Doria sobre o convite.
Debate sobre o futuro da ZFM
A discussão reacende um debate antigo sobre a Zona Franca: de um lado, estão as críticas aos incentivos fiscais e à estrutura do modelo; de outro, a defesa de que o Polo Industrial de Manaus exerce papel estratégico na geração de empregos, arrecadação e desenvolvimento econômico da região.
A Zona Franca de Manaus teve seus incentivos prorrogados até 2073 por meio da Emenda Constitucional nº 83, promulgada em 2014. O modelo também é defendido por representantes do Amazonas como uma política de desenvolvimento regional diante das particularidades econômicas e geográficas da Amazônia.
Com a repercussão das declarações e o convite para um debate público, a discussão deixou as redes sociais e voltou a colocar a Zona Franca no centro de uma disputa de argumentos sobre o futuro econômico do Amazonas.






