Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A fumaça voltou a encobrir Manaus nesta semana enquanto equipes combatiam um incêndio de grandes proporções em Iranduba, na Região Metropolitana. O episódio expõe um problema que afeta a saúde da população, ameaça moradias e áreas de vegetação e volta a se repetir no período de seca.
Diante da situação, o Portal Rios de Notícias analisou os planos de governo dos sete candidatos ao Governo do Amazonas para verificar se apresentam medidas específicas de prevenção e combate às queimadas e de proteção às pessoas expostas à fumaça. Confira o que consta nos documentos.
Os sete planos apresentam diferentes níveis de detalhamento sobre o tema. Alguns tratam diretamente da prevenção ou do combate às queimadas; outros propõem ações ambientais e climáticas mais amplas. As medidas descritas nesta reportagem constam nos documentos de campanha e são apresentadas como propostas dos candidatos ao Governo do Amazonas.
Cabo Daciolo (Mobiliza) – 33
O plano apresenta medidas específicas para prevenir e combater queimadas, mas não detalha ações de saúde para os dias de fumaça intensa. Cabo Daciolo propõe fortalecer o Batalhão de Policiamento Ambiental e criar um Centro de Inteligência Ambiental e Territorial. O centro reuniria imagens de satélite, denúncias, informações meteorológicas e histórico de queimadas para orientar a fiscalização e a resposta aos focos. O documento também prevê educação ambiental e atuação contra queimadas criminosas.
Na parte dedicada ao Corpo de Bombeiros, o candidato propõe ampliar equipamentos e unidades, mobilizar brigadas especializadas e bases temporárias durante os períodos críticos e treinar servidores municipais, voluntários e agentes comunitários. Para localidades distantes, o plano considera equipes regionais e meios fluviais.
David Almeida (Avante) – 70
David Almeida apresenta uma proposta voltada diretamente às queimada com a implantação de uma Política Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e ao Desmatamento. O texto prevê educação ambiental, ações preventivas, participação da sociedade e fiscalização apoiada por tecnologia e inteligência artificial. A medida integra o Plano Clima Amazonas, que também trata da preparação do estado para riscos climáticos.
O candidato propõe apoio técnico para que os municípios estruturem secretarias, fundos e conselhos de meio ambiente, que podem atuar na prevenção e fiscalização locais. Na parte do plano examinada para esta reportagem, não há um protocolo específico de atendimento à população durante episódios de fumaça e qualidade do ar “péssima”.
Gilberto Vasconcelos (PSTU) – 16
O plano de Gilberto Vasconcelos não apresenta um programa específico para queimadas ou fumaça. As medidas mais próximas do problema estão na proposta de fortalecer a fiscalização ambiental e a estrutura do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), com acompanhamento da sociedade. O candidato também defende combater o desmatamento e proteger reservas e comunidades que dependem da floresta.
No diagnóstico ambiental, o documento menciona incêndios entre os efeitos da crise climática. Não detalha, porém, brigadas, sistemas de alerta de focos de calor ou medidas para proteger moradores quando a qualidade do ar piora. Sua proposta para a área é mais abrangente e se concentra na fiscalização e na proteção ambiental.
Isael Munduruku (Rede) – 18
Isael Munduruku apresenta propostas tanto para combater incêndios quanto para proteger a população da fumaça. O plano prevê prevenção ao longo do ano, brigadas comunitárias indígenas, extrativistas, rurais e urbanas, bases regionais equipadas e fiscalização de queimadas criminosas. Também propõe reunir alertas meteorológicos, focos de calor e denúncias em uma sala de situação acessível ao público.
Para os períodos de ar poluído, o candidato prevê alertas sobre a qualidade do ar, orientações, distribuição de máscaras adequadas e apoio a ambientes com ar limpo. O documento inclui monitoramento de doenças relacionadas à poluição e protocolos de proteção para escolas, hospitais e comunidades.
Omar Aziz (PSD) – 55
Omar Aziz apresenta medidas específicas de prevenção, detecção e combate às queimadas. O plano propõe criar ações municipais de prevenção e combate ao fogo nos 62 municípios e instalar salas de situação em cinco municípios-polo, escolhidos conforme a gravidade do problema. Essas unidades acompanhariam dados de satélites para orientar a resposta a novos focos.
O documento prevê fiscalização conjunta entre órgãos ambientais e de segurança, uso de drones, câmeras e imagens de alta resolução, além de alertas automáticos às prefeituras e à Defesa Civil. Também inclui ações de manejo do fogo com comunidades tradicionais e cita a Região Metropolitana de Manaus entre as áreas que exigem atenção. As propostas estão no terceiro arquivo do plano, no eixo de Floresta e Desmatamento.
Professora Maria do Carmo (PL) – 22
A professora Maria do Carmo apresenta uma proposta específica para detectar queimadas. Ela prevê criar um Centro Estadual de Inteligência Ambiental com satélites de alta resolução, drones e análise de dados em tempo real. Segundo o plano, a estrutura ajudaria a identificar queimadas, desmatamento e garimpo ilegal antes que os danos se espalhem.
A medida integra a seção intitulada “Parar o desmatamento e as queimadas com tecnologia”. O foco descrito no documento é fornecer informações para a atuação dos órgãos públicos. Nessa seção, o plano não detalha medidas de proteção à saúde durante os dias de fumaça, como alertas dirigidos a grupos vulneráveis ou protocolos para escolas.
Roberto Cidade (União Brasil) – 44
O plano enviado por Roberto Cidade não apresenta proposta específica para prevenir ou combater queimadas nem para proteger a população da fumaça. As medidas relacionadas ao período de seca estão no Plano Permanente de Enfrentamento às Cheias e Estiagens, que prevê ações preventivas e resposta às comunidades atingidas.
O candidato também propõe fortalecer a Defesa Civil, ampliar o monitoramento climático e os sistemas de alerta e melhorar a capacidade de levar ajuda ao interior. São ações mais amplas de preparação para eventos climáticos. O documento não detalha brigadas contra incêndios florestais, monitoramento da qualidade do ar ou procedimentos para episódios em que a fumaça atinge as cidades.






