Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Campelo (PSD) denunciou, nesta terça-feira, 15/9, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), uma suspeita de esquema de abordagem a beneficiários do Auxílio Estadual Permanente durante o período eleitoral.
Segundo a parlamentar, o partido já recebeu relatos e materiais de pelo menos 12 municípios do Amazonas.
Na tribuna, Alessandra exibiu uma mensagem que teria sido encaminhada a beneficiários anunciando um “monitoramento do auxílio estadual”. O comunicado apresentado orientava as famílias a comparecerem a determinado local levando documentos do titular do benefício e de todas as pessoas que moram na residência. A deputada também apresentou um vídeo e afirmou possuir outros registros, como prints, gravações e números de telefone utilizados nas comunicações.
Segundo Alessandra, pessoas que se apresentam como integrantes de equipes ligadas ao Estado estariam indo às casas dos beneficiários e, além dos documentos pessoais, solicitando o título de eleitor dos integrantes da família.
“Eles não pedem só do beneficiário, né? De todos os membros da família, estabelecem uma meta de votos para aquela família cumprir em favor do governo, do governador”, denunciou.
A parlamentar afirmou que, enquanto fazia o pronunciamento, continuava recebendo novos relatos. De acordo com ela, o PSD já reuniu material referente a pelo menos 12 cidades.
“Acabei de receber aqui de mais uma e a gente tem gravações, tem prints, tem vídeos, como aquele que eu mostrei há pouco, mas tem outros vídeos também”, disse.
Alessandra afirmou que o material está sendo encaminhado à Polícia Federal, ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e ao Ministério Público Federal. As afirmações feitas pela parlamentar sobre pedidos de títulos e estabelecimento de metas de votos são denúncias e deverão ser apuradas pelos órgãos competentes.
Benefício atende 300 mil famílias
O Auxílio Estadual Permanente é um programa de transferência de renda destinado a famílias em situação de vulnerabilidade social. Instituído pela Lei nº 5.665, de 3 de novembro de 2021, o programa atende atualmente 300 mil famílias com o pagamento mensal de R$ 150.
A seleção dos beneficiários considera informações do Cadastro Único (CadÚnico) e critérios socioeconômicos. Entre as prioridades estão famílias com pessoas com deficiência, responsável familiar idoso ou chefiadas por mulheres, além da quantidade de descendentes.
Alessandra, que ocupou o comando da Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) durante a implantação do programa permanente, argumentou que o benefício é uma política pública financiada com recursos da sociedade e não pode ser vinculado à escolha eleitoral do beneficiário.
A deputada também alegou ter recebido informações sobre distribuição de cartões do programa e levantou suspeitas sobre a utilização deles durante o período eleitoral. Ela defendeu que informações sobre a quantidade de novos cartões distribuídos sejam apresentadas oficialmente à Aleam.
Wilker pede convocação de secretária
Após a denúncia, o deputado Wilker Barreto defendeu que a Aleam convoque a titular da Secretaria de Estado de Assistência Social e Combate à Fome (Seas) para explicar as abordagens realizadas durante o período eleitoral. Wilker questionou a necessidade de equipes da assistência social realizarem visitas ou ações de atualização de dados neste momento da campanha e sugeriu a apresentação de um requerimento de convocação.
“Vamos convocar a secretária nesta Casa para que a mesma venha esclarecer ao Parlamento a necessidade de uma abordagem num período eleitoral, de um recadastramento”, afirmou.
O parlamentar também defendeu que a Seas informe à Assembleia se houve aumento na emissão ou distribuição de cartões do Auxílio Estadual e apresente dados sobre as ações realizadas.
Wilker ressaltou ainda que o benefício é uma política pública custeada pela sociedade e destinada às pessoas em situação de vulnerabilidade.
“O auxílio não é uma benesse do governo, é da sociedade, pertence à sociedade”, declarou.


Rozenha apoia pedido de esclarecimentos
O deputado Rozenha também se manifestou após o pronunciamento e afirmou que o PSD apresentaria o pedido para que a secretária compareça à Assembleia e dê explicações.
“Com certeza o PSD protocolizará hoje esse pedido de audiência”, declarou.
Rozenha criticou a realização de recadastramentos ou abordagens a beneficiários às vésperas da eleição e defendeu que a Seas esclareça quem participa das ações e quais informações estão sendo solicitadas às famílias.
“Vamos pedir para a secretária de Ação Social vir a esta Casa explicar o que comissionados da secretaria fazem pelas ruas de Manaus, recadastrando pessoas e perguntando quantas famílias moram na residência, onde vota, número de título”, afirmou.
As manifestações dos parlamentares ocorreram a cerca de 20 dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS busca posicionamento do Governo do Amazonas e da Seas sobre as denúncias apresentadas na Aleam. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.






