Redação Rios
BRASÍLIA (DF) – A ministra Cármen Lúcia afirmou nesta terça-feira, 15/9, durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), que está em “profunda consternação e tristeza” diante da crise que envolve integrantes da Corte. Ela também pediu desculpas aos brasileiros por não ter conseguido contribuir, como gostaria, para reduzir os conflitos internos do tribunal.
A declaração ocorreu durante o julgamento de uma questão de ordem relacionada à forma como devem ser analisadas as condutas do ministro Alexandre de Moraes e do ministro André Mendonça no contexto das investigações envolvendo o Banco Master.
“Eu me encontro, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza”, afirmou Cármen Lúcia. Segundo ela, o episódio provocou um “mal-estar cívico” entre os brasileiros.
A ministra disse ainda que gostaria de ter adotado uma postura capaz de ajudar a conter a crise.
“Eu peço desculpas ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, declarou.
Cármen também se desculpou com o presidente do STF, Edson Fachin, e com os demais ministros.
Crise envolve Moraes e Mendonça
A tensão dentro do STF aumentou após Mendonça retirar o sigilo de documentos da Polícia Federal relacionados às investigações sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
Um dos relatórios divulgados apontou a existência de 52 mensagens trocadas entre o empresário Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. Os documentos também mencionam encontros entre os dois.
Outro ponto que entrou no debate foi um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Após a divulgação dos documentos, Moraes questionou a forma como Mendonça conduziu a liberação dos autos e afirmou que houve divulgação seletiva de informações. Mendonça negou a acusação e declarou que manteve em sigilo apenas dados relacionados a investigações em andamento e informações de terceiros.
A discussão também alcançou as provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram acesso integral ao material. Na segunda-feira, 14, a Polícia Federal confirmou que entregou cópias do acervo digital aos três gabinetes, após determinação de Zanin.
Julgamento termina suspenso
Na sessão desta terça-feira, o placar chegou a 4 votos a 3 pela manutenção da análise separada dos casos envolvendo Moraes e Mendonça.
O presidente do STF, Edson Fachin, votou pela separação dos processos e foi acompanhado por André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
Na posição contrária ficaram Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, que defenderam a análise conjunta das questões.
O ministro Flávio Dino, que inicialmente havia acompanhado essa corrente, pediu vista durante a sessão. Com isso, o julgamento foi interrompido e ainda não houve uma decisão definitiva sobre a questão.
As acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça deverão ser analisadas em outra sessão, marcada para 23 de setembro.






