Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O cenário político do Amazonas sofreu uma reviravolta nos últimos dias. Seis prefeitos do interior do estado e o presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM) decidiram deixar o União Brasil, partido do governador-tampão Roberto Cidade e do ex-governador Wilson Lima, para se filiar ao PSD, sigla liderada pelo senador e pré-candidato ao governo, Omar Aziz.
O movimento de debandada foi anunciado pelo próprio senador em suas redes sociais, onde celebrou a chegada das novas lideranças ao seu arco de alianças.
“O Amazonas Forte de Novo se faz com parcerias. De ontem, 5, para hoje, 6 importantes lideranças amazonenses se filiaram ao Partido Social Democrático (PSD). Os prefeitos de Tefé, Nicson Marreira; de Caapiranga, Matulinho Braz; de Rio Preto da Eva, Socorro Fontenele; de Novo Airão, Otávio Farias; de Beruri, Emerson Melo; e o Presidente da Associação Amazonense dos Municípios, Anderson Souza. Em breve, anunciaremos novas parcerias!”, publicou Omar Aziz.
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Nesta terça-feira, 9/6, mais uma saída foi confirmada: a do prefeito Raiz, de Novo Aripuanã, que publicou nas redes sociais uma foto de confirmação ao lado do senador e da deputada estadual Alessandra Campelo.

Queda de braço entre Omar e Wilson
Os prefeitos que migraram para a oposição faziam parte da base aliada de Wilson Lima, que apoiou a eleição de todos eles no pleito municipal de 2024. A mudança de postura ocorreu imediatamente após uma sequência de reuniões estratégicas e de alta tensão que sacudiram a capital na última semana.
A primeira delas foi uma grande plenária comandada por Omar Aziz no Atlético Rio Negro Clube, que reuniu prefeitos e ex-prefeitos de diversos partidos e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em reação ao avanço da oposição, Wilson Lima convocou, no dia seguinte, um encontro emergencial com todos os prefeitos e vice-prefeitos do “União Progressistas”, federação formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), visando blindar a articulação no interior e em Manaus.
Nos bastidores, a informação é de que o grupo governista passou a cobrar posicionamentos claros de fidelidade partidária para sustentar a futura candidatura de Roberto Cidade ao governo em 2026. A pressão, contudo, acabou surtindo o efeito inverso.
Ponto de tensão e enfraquecimento governista
A perda dessas lideranças acende o sinal de alerta na sede do governo. Além dos prefeitos das cinco cidades, a saída do ex-prefeito de Rio Preto da Eva, Anderson Souza, representa um desfalque técnico expressivo. Como atual presidente da AAM, Anderson é uma das principais figuras de articulação política junto aos municípios do interior do Amazonas.
O desfecho dessa debandada cria um ponto crítico de tensão na base governista. Até então, o grupo do governador contabilizava o apoio consolidado de 22 prefeitos para o projeto de reeleição e manutenção do poder em 2026.
Com a debandada dessas prefeituras estratégicas para o bloco de Omar Aziz, o domínio do União Brasil começa a ser formalmente ameaçado, levantando hipóteses sobre o enfraquecimento e o desgaste da sigla no interior do estado.






