Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O deputado estadual Wilker Barreto (PSD) atribuiu a atual crise fiscal do Amazonas e o recente decreto de contenção de gastos à desorganização da gestão passada.
Economista por formação, o parlamentar criticou o congelamento de pagamentos determinado pelo governador-tampão Roberto Cidade (União Brasil), classificando o cenário herdado como um “desgoverno”.
A análise foi feita durante entrevista ao quadro Jogo Limpo, da Rádio Rios FM 95,7, nesta terça-feira, 9/6. Para Wilker, a situação não é reflexo de falta de arrecadação, mas sim de uma severa falta de planejamento.
“O que está acontecendo hoje com as contas do Estado é fruto de desorganização de gestão. O problema do Amazonas nunca foi o dinheiro que está entrando em caixa. Uma linguagem popular: nunca foi o salário de quem recebe, mas como você gasta o seu salário. Então, hoje, o Amazonas está colhendo o fruto do que foi o desgoverno da gestão anterior”, afirmou o deputado.
O parlamentar direcionou as críticas de forma direta ao ex-governador Wilson Lima, classificando sua condução das finanças estaduais como “desastrosa” e evitou confroto direto com ex-colega deputado e presidente da Assemblei Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade.
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Barreto relembrou que, no ano passado, o Amazonas bateu a maior receita de sua história, superando os R$ 40 bilhões arrecadados. Diante disso, ele questionou como um estado com faturamento recorde poderia “virar o ano devendo todo mundo”.
‘Custo Calote’
Para reequilibrar a economia do estado, o economista sugeriu que Roberto Cidade promova um realinhamento de preços combinado com a garantia de pagamentos em dia. Nesse contexto, Barreto explicou o que ele chama de “custo calote”, uma espécie de mecanismo de defesa do empresariado contra os atrasos crônicos do poder público.
“Sabe o que é o custo calote? Você fornece para o Estado, por você não receber em dia, você bota o preço aqui em cima. Ou seja, você se defende do calote, majorando os preços. Caramba, pague em dia. Eu pago em dia, mas eu quero desconto. Não é assim que a gente faz quando vai comprar? Quem compra muito, compra mais barato. Essa é a lógica do mercado. Mas no Estado a lógica é inversa. É inversa. Porque é aí que está o prejuízo”, destrinchou o parlamentar.
O impacto do congelamento de dívidas
As declarações do deputado ocorrem em um momento de tensão nas contas públicas. No final de maio, o governador Roberto Cidade publicou o Decreto nº 54.220, que congelou o pagamento de despesas contraídas antes de 2026.
Na prática, empresas prestadoras de serviços essenciais, como vigilância, limpeza, tecnologia e fornecedores de insumos médicos que atuaram até o fim de 2025, estão com seus repasses travados e dependem da autorização de um comitê interno do governo para receber.
O deputado defendeu que é preciso “separar o joio do trigo” por meio de uma análise nos contratos e passivos acumulados, afirmando não ter medo de garantir que muitos dos serviços cobrados atualmente “sequer foram prestados”. No entanto, ponderou que “o que não é justo é você colocar na vala comum aquele que realmente trabalhou”.






