Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A estudante amazonense Anabella Soares, de 10 anos, foi classificada para a final mundial da World Mathematics Team Championship (WMTC) 2026, competição internacional de matemática que será realizada entre os dias 2 e 7 de dezembro, em Bangkok, na Tailândia.
Aluna do 5º ano do Colégio Santo Afonso, em Manaus, Anabella conquistou a classificação após receber o Bronze Award, na categoria Junior e modalidade individual, durante a etapa brasileira da competição, realizada em Campinas (SP).
A etapa nacional reuniu quase 300 estudantes do Brasil e do Peru e serviu como classificatória para a final internacional. Em Bangkok, Anabella terá contato com estudantes de mais de 30 países e participará de diferentes modalidades de prova, incluindo disputas individuais, revezamento e competições por equipes.
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A programação também prevê momentos de integração e intercâmbio cultural entre as delegações.
Orgulho de representar o Amazonas
Para Anabella, a classificação para a final mundial representa a oportunidade de levar o nome do Amazonas e do Brasil para uma competição internacional.


A estudante afirma estar feliz com a conquista, mas também reconhece a ansiedade diante de um desafio desse tamanho.
“É uma grande honra representar o Brasil na minha categoria e o estado do Amazonas. Eu espero poder chegar até lá e conseguir trazer uma medalha para o nosso estado e o nosso país”, ressalta.
A participação na final mundial ainda depende da arrecadação dos recursos necessários para a viagem.
O pacote oficial para a estudante e um acompanhante custa US$ 3.300 (cerca de R$ 17 mil), considerando a inscrição até 15 de outubro. Além desse valor, a família precisará custear passagens aéreas internacionais, seguro-viagem e outras despesas relacionadas ao deslocamento de Manaus até Bangkok.
“A gente não tem como levantar os recursos na sua totalidade até lá somente enquanto família. Mas a gente vai tentar alguns apoios e patrocínios ou algumas ações para angariar fundos”, disse Naiane Parente, mãe de Anabella.
Trajetória é marcada por medalhas
Aos 10 anos, Anabella já reúne cinco resultados de destaque em competições de matemática.
Entre eles estão Honra ao Mérito no Canguru de Matemática 2024, medalha de bronze em 2025, prata em 2026, ouro na Olimpíada de Matemática do Colégio Santo Afonso e o Bronze Award na etapa brasileira da WMTC 2026.


Para a estudante, a primeira medalha conquistada teve um significado especial por representar o momento em que percebeu que poderia avançar ainda mais na área.
“A minha primeira medalha na Canguru foi mais marcante para mim porque eu não sabia que tinha esse talento para matemática. Eu não estava preparada para aquilo”, destaca.
Interesse pela matemática começou na infância
Segundo Anabella, o interesse pela matemática ganhou força após sua primeira participação no Canguru de Matemática, quando ainda estava no 3º ano do ensino fundamental.
Até então, ela já gostava de atividades envolvendo números, mas ainda não tinha dimensão de que poderia se destacar em competições acadêmicas.
“Eu não sabia de todo esse meu potencial. Quando a Canguru veio, eu ganhei uma medalha e isso começou a me deixar mais empenhada”, afirma.
A estudante conta que as competições passaram a fazer parte da rotina de estudos e contribuíram para que desenvolvesse mais confiança diante dos desafios. “Eu consegui sempre me superar. Eu consegui fazer a matemática. E esse foi o meu objetivo. Isso me deixou muito feliz”, relata.
Preparação para o mundial
A preparação para a WMTC envolveu estudos no colégio, exercícios específicos e acompanhamento dos professores.
Anabella conta que o período integral na escola contribuiu para a rotina de aprendizado e para o contato mais frequente com atividades matemáticas.
“A minha preparação para chegar à etapa mundial foi baseada nos estudos. Eu ficava período integral no colégio e assistia às aulas”, afirma.
A estudante também destaca a contribuição do professor Brenner, que apresentou novas possibilidades de competições e participou da preparação para a etapa internacional. “Ele chegou este ano e me preparou muito para a minha vida. Foi ele que me deu a ideia de participar”, destaca.
Família acompanha cada etapa
A mãe de Anabella, Naiane Parente, conta que o contato da filha com a matemática começou ainda na infância, antes mesmo das competições.
Segundo ela, a família costumava transformar cálculos simples em brincadeiras, criando um ambiente de aprendizado sem pressão por resultados.
“A gente brincava de fazer cálculos, de contar as coisas, de fazer pequenos cálculos de adição, subtração e multiplicação. Sempre tentando fazer de uma forma divertida. A gente sempre incentivou o estudo de uma forma geral. Nós nunca fomos uma família de cobrar nota”, relata.

Naiane também destaca o trabalho desenvolvido pela escola e pelos professores de matemática. Segundo ela, a instituição estimula os estudantes por meio de atividades complementares e clubes, entre eles o Clube de Matemática.
“O colégio oferece clubes obrigatórios para os alunos que ficam no semi-integral e no integral, como o clube de formação literária e o clube de matemática. São professores que têm uma didática boa, que sabem incentivar os alunos e conquistam os alunos pelo jeito de ensinar”, afirma.
Direito de sonhar
Para Naiane, o principal objetivo da participação não é necessariamente conquistar um prêmio, mas proporcionar à estudante uma experiência de aprendizado, convivência e desenvolvimento pessoal ao lado de participantes de diferentes países.
“A expectativa maior é o aprendizado que ela pode ter nesse intercâmbio. Aprender novas estratégias com outros colegas”, afirma.
Naiane resume o principal ensinamento que espera que a filha leve da experiência, independentemente do resultado obtido na competição.
“Ela merece ocupar os espaços que a vida proporcionar para ela. Ela merece tentar tudo o que quiser, tudo o que quiser fazer, realizar. Ela tem o direito de sonhar e tentar”, conclui.






