Júnior Almeida e Rômulo Araújo – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou que a prefeitura não realizou a compra de radar meteorológico e respondeu as críticas feitas a ele após a forte chuva que atingiu a capital amazonense no último domingo, 5/10.
“Meus amigos, nós não vamos conseguir conter que as chuvas caiam, mas quando as chuvas caírem que possamos dar as respostas necessárias”, afirmou o prefeito em transmissão ao vivo nas suas redes sociais no fim da tarde de segunda, 6.
Sobre a compra do equipamento, David explicou que “a prefeitura não comprou nenhum radar (meteorológico), não gastou dinheiro. Disseram que a Prefeitura gastou R$ 40 milhões, outros disseram R$ 50 milhões” e chamou isso de “fake news”.
Saiba mais: Prefeitura de Manaus anuncia compra de radar meteorológico por R$ 50 milhões para previsões de chuvas
No entanto, em 20 de março deste ano, o próprio prefeito anunciou à imprensa a compra do radar meteorológico avaliado, segundo palavras dele, “entre R$ 40 e 50 milhões”, e que seria “capaz de indicar a quantidade e a intensidade das chuvas com até três horas de antecedência”.
“Hoje está chegando em Manaus os representantes de uma empresa mexicana que trata de radares meteorológicos. A prefeitura já adquiriu nove estações meteorológicas. A primeira já está sendo instalada e daqui duas semanas já vai começar a funcionar na zona Oeste”, disse David à época.
Alertas da Defesa Civil
O prefeito de Manaus também comentou sobre os alertas de chuva da Defesa Civil que teriam falhado, segundo críticas de internautas, após um teste realizado no mês de setembro. Segundo Almeida, os avisos não foram emitidos pela Prefeitura, mas pela Defesa Civil Nacional, e o sistema ainda está em fase de testes.
“As pessoas me questionaram com relação ao alerta da Defesa Civil. Vejam bem, esse alerta que foi dado algumas semanas atrás foi um alerta da Defesa Civil Nacional. É uma tecnologia que ainda está sendo testada, e os nossos técnicos estão sendo treinados para que essa tecnologia possa ficar à disposição da Prefeitura”, explicou.
Repercussão nas redes e na política
A forte chuva que atingiu a capital amazonense provocou alagamentos em várias regiões da cidade. O próprio prefeito reconheceu que a intensidade da chuva superou as previsões iniciais. “Choveu na cidade de Manaus 49 milímetros, o esperado era de 10 a 20 milímetros”, informou ele no domingo pela manhã.
Nas redes, internautas questionaram a falta de alertas prévios. “Cadê o alerta, prefeito?”, questionou um. “Pq não tocou o ALERTA DE 40 Milhões?”, ironizou outro, mostrando a ausência de comunicação eficiente sobre os temas apontados pelo prefeito junto à população.
A insatisfação também chegou ao meio político. Vereadores da oposição, como o Capitão Carpê (PL), o Coronel Rosses (PL) e Rodrigo Guedes (PP) fizeram críticas em suas redes e no plenário da Câmara Municipal de Manaus à conduta do prefeito diante da ausência de medidas concretas para evitar prejuízos por conta da chuva.
“Prefeito, talvez uma simples mensagem de alerta de chuva forte poderia ter evitado todo esse prejuízo ao cidadão!”, disse o vereador Carpê. “A gente vai assistir todos os anos as mesmas cenas? Não tem uma estratégia, não tem uma ação de mitigação, uma ação de infraestrutura”, questionou Guedes.
“Choveu em Manaus… e o caos voltou! A cada temporal, a história se repete: ruas viram rios, casas alagam e o povo sofre, enquanto a Prefeitura finge que não é com ela. A verdade é uma só: Manaus não alaga por causa da chuva, mas sim pela falta de gestão, planejamento e cuidado por parte de quem deveria cuidar da nossa cidade”, declarou o vereador Rosses.
Ainda em sessão na Câmara, o líder do prefeito, vereador Eduardo Alfaia (Avante), reforçou que a “prefeitura nunca fez a aquisição de nenhum radar meteorológico no valor de R$ 40 milhões” e explicou que foi uma recomendação feita à época por um pesquisador. “Mas a prefeitura depois descobriu que o Censipa, órgão do governo federal, tem esse radar aqui e a possibilidade de compartilhar essas informações com a prefeitura”, ressaltou.






