Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma nova nota pública divulgada pela defesa de Bianca Costa reacendeu a repercussão do caso envolvendo a morte da filha da estudante no Instituto da Mulher Dona Lindu, em Manaus, nesta quarta-feira, 13/5.
O caso ocorreu no início de março, mas voltou a ganhar força após Bianca rebater publicamente a manifestação oficial emitida pelo Complexo Hospitalar Sul (CHS), durante participação ao vivo no programa Alô Amazonas, da TV A Crítica.
Na nota assinada pela advogada Érica Bezerra, a defesa afirma que repudia “com absoluta firmeza” a tentativa de transformar um caso com indícios de erro médico, violência obstétrica e infecção hospitalar em uma “nota protocolar, genérica e evasiva”.


O documento sustenta que houve demora injustificável para a realização de uma cesariana de emergência, além de omissões no atendimento prestado à paciente.
De acordo com Bianca, ela procurou atendimento na maternidade após apresentar perda de líquido e sinais de sofrimento fetal durante a gestação de alto risco. Conforme relatado anteriormente, médicos teriam identificado a necessidade de uma cesariana de emergência por volta das 8h da manhã, porém o procedimento só teria sido realizado cerca de 14 horas depois, às 22h30.
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Defesa contesta versão do hospital
Na nota pública, a defesa argumenta que o fato de a gestação ter apenas 24 semanas não justificaria o desfecho fatal da bebê Antonella. Segundo o texto, a criança entrou viva no centro cirúrgico e teria apresentado sinais de sofrimento durante o parto.
“A bebê Antonella entrou viva e sem sinais clínicos de sofrimento fetal no centro cirúrgico, mas saiu com sinais evidentes de sofrimento e violência, sem sequer ter a oportunidade de nascer com vida”, diz um trecho da nota.
Bianca também reagiu emocionalmente à nota divulgada pelo hospital durante transmissão ao vivo nas redes sociais. A estudante afirmou ter ficado revoltada ao ouvir o posicionamento oficial e classificou o documento como “mentiroso” e “ridículo”.
Ela contestou ainda a afirmação de que a recém-nascida teria recebido atendimento imediato após o parto e afirmou que o atendimento correto deveria ter ocorrido ainda pela manhã, quando a cesariana foi solicitada.
“Em menos de cinco minutos eles declararam o óbito da minha bebê. Tenho certeza que não fizeram nada porque já sabiam que não adiantava. O atendimento imediato seria às oito horas da manhã, quando foi solicitada a cesárea de emergência. Vocês só deram assistência dez e meia da noite”, afirmou Bianca.
A estudante diz possuir provas, vídeos e testemunhas sobre o que teria ocorrido dentro da maternidade. Segundo ela, familiares chegaram a ser orientados por profissionais da enfermagem a registrar imagens e gravar momentos do atendimento.
“Não importa a nota que vocês soltarem ou os argumentos que usarem contra mim. Tenho testemunhas que presenciaram tudo. Tenho meu corpo com sequelas horríveis. Tenho imagens da minha filha”, declarou.
Relato aponta falta de leitos
De acordo com o relato da mãe, durante todo o período de espera pela cirurgia, a equipe médica alegava falta de vaga em UTI neonatal e ausência de incubadoras disponíveis para um bebê prematuro extremo.
“Disseram que estavam correndo atrás de vaga, que não tinha incubadora, que estava tudo ocupado. E eu ali esperando”, contou.
Bianca afirma ainda que enfrentou fortes dores, contrações intensas e episódios que classifica como violência obstétrica. Segundo ela, um médico teria gritado e afirmado que ela poderia perder o útero.
Quando finalmente foi encaminhada ao centro cirúrgico, a estudante relata que houve dificuldade na retirada da bebê. A criança nasceu sem chorar e, segundo Bianca, o óbito foi comunicado ao acompanhante cerca de cinco minutos após o nascimento.
“Ele gritou comigo, disse que eu poderia perder o útero. Foi uma avaliação péssima. Eles não conseguiam tirar ela. Começou uma luta ali”, relembrou.
Complicações graves
Além da perda da filha, Bianca afirma ter desenvolvido complicações após receber alta hospitalar. Três dias depois do parto, ela procurou atendimento no Hospital Rio Amazonas, onde foi diagnosticada com infecção bacteriana grave e necrose abdominal.
A paciente precisou passar por uma laparotomia, procedimento cirúrgico de emergência para conter a infecção. “Eu fui contaminada por uma bactéria. O cheiro era de tecido podre. Eu tinha acabado de enterrar minha filha e estava lutando para sobreviver”, relatou.
A estudante também criticou regras da maternidade relacionadas à presença da imprensa na unidade, alegando falta de transparência na condução do caso. “Existe uma portaria dizendo que a imprensa não pode entrar porque atrapalharia o fluxo da maternidade. Então tudo precisa ser feito do lado de fora”, afirmou.
Caso Bianca Costa
Em março de 2026, Bianca Costa denunciou, nas redes sociais, falhas no atendimento recebido no Instituto da Mulher Dona Lindu, que, segundo ela, resultaram na morte de sua filha Antonella, com seis meses de gestação.
Após o parto, ela precisou passar por nova cirurgia ao ser diagnosticada com infecção bacteriana grave e necrose abdominal. O caso ocorreu em novembro de 2025, mas só ganhou repercussão neste ano, impulsionado por mobilização de movimentos sociais.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), que ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para posicionamento do órgão.






