Redação Rios
MANAUS (AM) – O defensor público e ex-vice-governador do Amazonas Carlos Almeida Filho afirmou, nesta quarta-feira, 23/9, que vai solicitar novamente uma intervenção federal no Amazonas diante da piora da qualidade do ar e do avanço das queimadas no Estado. Segundo ele, “o Estado do Amazonas está efetivamente abandonado”.
A manifestação ocorreu após a capital amanhecer coberta por fumaça e registrar níveis críticos de poluição. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram que dez dos 12 pontos monitorados apresentavam qualidade do ar entre “muito ruim” e “péssima”.
Em publicação nas redes sociais, Carlos Almeida afirmou que a população enfrenta um cenário que estaria se tornando recorrente e criticou a ausência do tema das queimadas no debate entre candidatos ao Governo do Amazonas realizado na terça-feira, 22/9.
“Nós vamos solicitar à Justiça Federal a instalação da mesa de situação e nós vamos solicitar novamente a intervenção federal, porque o Estado do Amazonas está efetivamente abandonado”, afirmou.
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Ex-vice-governador cita pedidos anteriores
Carlos Almeida afirmou que, em 2023, solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma intervenção federal no Amazonas em razão do que classificou como abandono da política climática estadual.
Segundo ele, em 2024 também solicitou à Justiça Federal a instalação de uma mesa de situação para tratar dos problemas relacionados às queimadas e à política ambiental.
“Em ambos os casos, não tivemos isso. A Justiça Estadual tem afirmado que a mesa de situação é desnecessária, porque as medidas estão sendo tomadas. E o processo à PGR foi arquivado no início de 2025 sob a mesma alegação. Bem, se vê”, declarou.
Críticas ao combate às queimadas
Na publicação, o defensor público criticou a atuação do poder público diante da fumaça que encobre Manaus e também questionou a ausência do tema das queimadas no debate entre candidatos ao Governo do Amazonas realizado na terça-feira, 22/9.
“Esse é o novo normal, acordar sobre fumaça, sobre muita fumaça. E parece que ninguém está fazendo muita coisa sobre isso. No debate de ontem, por exemplo, nenhum dos candidatos tocou na situação das queimadas, como se isso realmente não importasse”, afirmou.
Carlos Almeida encerrou a publicação fazendo uma referência ao poeta Manuel Bandeira para comentar a situação provocada pela fumaça em Manaus.
“Porque, parafraseando o Manuel Bandeira, de que adianta a paisagem? O rio, a linha do horizonte. Porque o que a gente vê é fumaça”, concluiu.
Manaus amanhece sob fumaça
Nesta quarta-feira, Manaus amanheceu coberta por uma forte camada de fumaça. Segundo os dados do SELVA, a região do Distrito Industrial I e Vila Buriti apresentou um dos piores índices, com 237,3 microgramas de material particulado fino por metro cúbico (µg/m³), classificação considerada “péssima”.
Outros pontos da capital também apresentaram níveis elevados de MP2,5. Entre eles estão Parque Dez de Novembro/Chapada, com 171,7 µg/m³; Armando Mendes/Zumbi dos Palmares, com 170,9 µg/m³; e Aeroporto/Redenção, com 164,1 µg/m³.
A piora na qualidade do ar ocorre em meio ao avanço das queimadas no Amazonas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que o Estado já ultrapassou 5,2 mil focos de incêndio em 2026, número mais de 15% superior ao registrado durante todo o ano de 2025.






