Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Manaus amanheceu nesta quarta-feira, 23/9, coberta por uma forte camada de fumaça, um dia após registrar a maior temperatura do ano. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontam níveis críticos de poluição em grande parte da cidade.
Dos 12 pontos monitorados, 10 apresentam qualidade do ar entre “muito ruim” e “péssima”. Um dos piores índices foi registrado na região do Distrito Industrial I e Vila Buriti, com 237,3 microgramas de material particulado fino por metro cúbico (µg/m³), nível classificado como “péssimo”.

O cenário ocorre após Manaus registrar, na terça-feira, 22/9, a maior temperatura de 2026. Os termômetros chegaram a 38,6°C às 15h, enquanto a medição realizada no Aeroporto de Manaus ultrapassou 39°C no mesmo horário.
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Distrito Industrial registra pior índice
Os dados do SELVA mostram que a região do Distrito Industrial I e Vila Buriti apresentou a maior concentração de MP2,5 entre os pontos monitorados, com 237,3 µg/m³.
Também foram registrados índices elevados no Parque Dez de Novembro/Chapada, com 171,7 µg/m³; Armando Mendes/Zumbi dos Palmares, com 170,9 µg/m³; e Aeroporto/Redenção, com 164,1 µg/m³.
Aparecida/Morro da Liberdade registrou 148,2 µg/m³, enquanto Colônia Oliveira Machado/Morro da Liberdade chegou a 142,4 µg/m³.
Outros quatro pontos foram classificados como “muito ruins”: Coroado/Petrópolis/Aleixo, com 123,6 µg/m³; Distrito Industrial II/Tancredo Neves, com 103,2 µg/m³; Compensa/Santo Agostinho, com 89,4 µg/m³; e Parque Dez/Flores, com 85,3 µg/m³.
Dois pontos apresentam qualidade do ar boa


Apesar da piora na maior parte da cidade, dois pontos monitorados apresentaram qualidade do ar considerada boa.
A região de Aparecida/Centro/Presidente Vargas registrou 22,6 µg/m³, enquanto a estação localizada na área da Chapada/Parque Dez marcou 14,1 µg/m³.
De acordo com a escala utilizada pelo SELVA, índices de até 25 µg/m³ são considerados bons. Entre 25 e 50 µg/m³, a qualidade é moderada; de 50 a 75, ruim; de 75 a 125, muito ruim; e acima de 125 µg/m³, péssima.
Queimadas avançam no Amazonas
A piora na qualidade do ar ocorre em meio ao avanço das queimadas no Amazonas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que o estado já ultrapassou 5,2 mil focos de incêndio em 2026.
O número supera em mais de 15% o total registrado durante todo o ano de 2025, quando foram identificados 4.545 focos.
Apuí concentra parte significativa das ocorrências, com 944 focos registrados. O município aparece na terceira posição entre os que mais tiveram registros no país.
Novo Aripuanã, com 641 focos, também está entre os municípios com maior número de ocorrências.
Partículas finas exigem atenção
O MP2,5 corresponde a partículas muito pequenas que permanecem suspensas no ar e podem ser transportadas pela fumaça. Em concentrações elevadas, a exposição pode provocar desconforto, principalmente entre pessoas mais sensíveis.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos que devem ter maior atenção diante da piora da qualidade do ar.
Além da fumaça, o calor continua intenso. Nesta quarta-feira, Manaus terá mínima de 28°C e máxima de 38°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).






