Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com as vendas em alta por conta da Black Friday, nesta sexta-feira, 28/11, aumentam também os riscos de golpes e fraudes nas compras online.
Para orientar quem já caiu em armadilhas virtuais e quem quer evitar prejuízos, o Portal RIOS DE NOTÍCIAS ouviu o advogado Luann Mendes, sobre o assunto.
Ao perceber que foi vítima de um golpe, a primeira providência deve ser imediata. “O tempo de reação passa a ser fundamental e decisivo. A vítima precisa reunir todas as provas e registrar a ocorrência o mais rápido possível”, explicou Mendes.
Ele reforça que é essencial avisar o banco assim que o golpe acontecer. “É muito importante notificar imediatamente a instituição financeira para tentar bloquear ou rastrear o valor”, disse.
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O especialista lembra que o Pix conta com o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite uma retenção emergencial quando o golpe é comunicado a tempo. Neste caso, a vítima deve ligar para os canais de atendimento da instituição financeira e notificar o ocorrido.
O que reunir para denunciar
Segundo o advogado, toda a prova do golpe importa. “Em golpes financeiros, a prova é quase sempre documental”, explica. E entre os materiais que devem ser guardados, ele lista:
- prints de conversas,
- perfis usados pelo golpista,
- comprovantes de pagamento via Pix ou TED,
- extratos bancários,
- imagens do anúncio falso,
- links suspeitos
- chamadas telefônicas
“Quanto mais detalhada a documentação, maior a chance de identificar o autor e bloquear o valor”, afirmou. Segundo Mendes, depende da agilidade da vítima e do tipo de golpe. “No caso de golpes via Pix, o MED tem aumentado as chances de recuperar parte ou até todo o dinheiro quando a notificação é rápida”, afirmou.
Quando o golpista é identificado, abre-se o caminho para processo judicial. “A vítima pode buscar o valor desviado por meio de ação indenizatória, inclusive com danos morais”, afirmou o advogado.
Ele reitera que os bancos também podem ser responsabilizados quando há falha de segurança, como invasão, transações não autorizadas ou ausência de proteção adequada, se comprovada pela vítima.
Para golpes mais sofisticados, em que o dinheiro circula entre várias contas, a recuperação fica mais difícil. Porém, o advogado explica que ainda sim há caminhos. “A investigação pode pedir quebra de sigilo bancário, rastreamento, bloqueio judicial e identificar os cúmplices no crime”, destacou.
Polícia Civil alerta consumidores
A Delegacia Especializada em Crimes contra o Consumidor (Decon), da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), também reforça o alerta para este período.
O delegado Rafael Guevara afirma que os criminosos aproveitam o volume de ofertas para criar lojas virtuais falsas com preços muito abaixo do mercado.

“O comprador efetua o pagamento, normalmente via Pix, mas nunca vai receber por aquilo que supostamente comprou, porque adquiriu em uma loja falsa e não sabe”, relatou.
Ele orienta que o consumidor sempre confira o site digitando manualmente o endereço na barra de pesquisa e verificando o cadeado de conexão segura.
“Existem sites clonados por estelionatários que imitam lojas grandes com um nome muito parecido. É preciso atenção a cada letra e erro no site”, explicou.
O delegado reforça a importância de pesquisar a reputação da loja em plataformas como Reclame Aqui. “Assim, a vítima consegue identificar se já houve reclamações e evita comprar novamente em sites fraudulentos”, disse.
Canais de denúncia
A polícia orienta que, caso alguém seja vítima de golpe, deve procurar imediatamente a delegacia mais próxima ou registrar o Boletim de Ocorrência pela Delegacia Virtual.
A Decon fica localizada na rua Desembargador Filismino Soares, nº 155, bairro Colônia Oliveira Machado, zona Sul de Manaus. Também é possível denunciar de forma anônima pelos números: 197, (92) 99662-2731 (PC-AM) e 181 da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).






