Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Mães de crianças e jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm enfrentado dificuldades com a falta do medicamento Clorpromazina 100 mg. Segundo denúncia enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o remédio está em falta há semanas na rede pública de saúde de Manaus.
De acordo com os relatos, a ausência do medicamento tem causado sérios impactos: crianças e jovens que dependem da substância estão sofrendo crises, alterações comportamentais graves e dificuldades para dormir. As mães afirmam que se sentem perdidas e não sabem a quem recorrer.
Leia também: Deputado da base aliada de David Almeida assina CPI do Asfalto e pode ser expulso do Avante
Brenda Luna, 37 anos, é uma das mães afetadas. Ela conta que o medicamento está em falta há três meses, e que já procurou a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, e também a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), mas as respostas não foram animadoras.
“Apenas a Semsa respondeu dizendo que estão em processo de licitação desde 2024, mas sempre é negado. Disseram que estão trabalhando para repor o mais rápido possível”, contou.

Segundo ela, a falta da Clorpromazina tem um impacto profundo na vida de seu filho, Yago Breno, 22 anos, que é autista. “Ele usa a medicação principalmente para conseguir dormir. Quando não dorme, as consequências no dia seguinte são devastadoras: agitação intensa, irritabilidade, falta de concentração, autoagressão e crises que poderiam ser evitadas”, relata.
Consequências graves

Brenda ressalta que as mães sentem na pele a impotência diante da situação. “A privação de sono e a falta desse medicamento podem aumentar comportamentos agressivos ou autoagressivos, além de piorar a ansiedade, dificultar o aprendizado e até gerar riscos à integridade física, já que muitos não conseguem expressar ou controlar o que sentem”, explica.
Ela também aponta que esta é a primeira vez que enfrenta a escassez da Clorpromazina, mas que já precisou denunciar a falta de outro medicamento essencial: a Risperidona. “Outro que falta com muita frequência”, afirma.
Em grupos de apoio entre mães de crianças autistas, a troca de informações é constante. Algumas estão tentando conseguir consultas com psiquiatras e neurologistas para buscar alternativas à Clorpromazina. “Mas até a troca é complicada, porque envolve uma série de ajustes e avaliações. Não dá para simplesmente substituir”, alerta.
‘Sem previsão’
Elizabeth Neves, 54 anos, também enfrenta a mesma situação com seu filho. “Sem o medicamento, ele fica muito agitado e não consegue dormir. Isso compromete toda a nossa rotina”, conta.

Ela afirma que terá que recorrer a uma consulta psiquiátrica particular, pois não pode esperar a reposição. “Não há alternativa. Nem nas farmácias encontramos outra medicação semelhante. E a Risperidona também vive em falta”, denuncia.
Elizabeth diz que, nas unidades de saúde, nunca há uma previsão para o reabastecimento dos estoques. “Sempre é a mesma resposta: sem previsão”, lamenta.
Denúncias e falta de apoio
Brenda afirma que, por conta da rotina sobrecarregada das mães, é difícil organizar manifestações ou abaixo-assinados. “Decidi tomar a frente e fazer denúncias para dar visibilidade ao problema, porque sei que meu filho não é o único”, disse.
Ela relata que, até agora, nenhuma previsão foi informada sobre a reposição do medicamento nos postos de saúde. “A Clorpromazina está em falta em toda a cidade e nenhuma autoridade nos informa nada. É como se estivéssemos no escuro, sem saber quando — ou se — o remédio vai voltar”, desabafa.
Segundo Brenda, também não foi oferecido nenhum tipo de apoio psicológico emergencial às famílias. “Estamos completamente desamparadas. Precisamos buscar sozinhas qualquer forma de ajuda para lidar com as consequências dessa falta, que afeta diretamente o bem-estar e a segurança dos nossos filhos”, denuncia. “Nunca houve uma escassez tão longa e sem qualquer explicação”.

Brenda revelou que fez uma denúncia diretamente pelo Instagram da Semsa, tentando dar mais visibilidade ao caso. “Qualquer pessoa que entrar em contato com as UBSs ou farmácias da cidade vai confirmar que o medicamento realmente está em falta”, reforça.
Por fim, ela resume o sentimento das mães diante da situação: “É muito difícil lidar com tudo isso, porque nada substitui completamente o efeito da Clorpromazina. Faz dois meses que estamos tentando liberar a receita, mas não há onde comprar”.
Sem Respostas
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Prefeitura de Manaus e com a Secretaria Municipal de Saúde para obter esclarecimentos sobre a falta do medicamento, mas até o momento da publicação não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.






