Redação Rios
BRASIL – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira, 12/1, conforme publicação no Diário Oficial da União, o uso do medicamento lenacapavir como alternativa de profilaxia pré-exposição (PrEP) para reduzir o risco de infecção pelo HIV.
Fabricado pela farmacêutica Gilead e comercializado sob o nome Sunlenca, o medicamento faz parte de uma classe de antirretrovirais considerada inovadora. Ele é destinado a pessoas a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, e que apresentem teste negativo para HIV antes do início do tratamento.
Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o lenacapavir como opção adicional de PrEP, e, em dezembro, recomendou a expansão do acesso ao medicamento. O fármaco será disponibilizado nas formas injetável e oral e atua em diversas etapas do ciclo replicativo do HIV, o que explica seu potencial preventivo.
Leia também: Amazonas ultrapassa 1,3 milhão de veículos em 2025 e Manaus concentra quase 80% da frota
Eficácia e aplicação
Estudos clínicos indicam boa eficácia do lenacapavir como PrEP em diferentes grupos, incluindo adolescentes, mulheres, homens cisgênero e pessoas trans. Um dos principais diferenciais é a aplicação injetável semestral, que tende a favorecer a adesão ao tratamento em comparação à PrEP diária.
Preço e disponibilidade
O alto custo do medicamento é apontado como um possível obstáculo ao acesso. Um estudo publicado pela The Lancet indica que o tratamento anual pode ultrapassar US$ 28 mil por paciente (aproximadamente R$ 150 mil na cotação atual).
De acordo com a Anvisa, o preço máximo do lenacapavir ainda será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A eventual oferta no Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de avaliação e recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e aprovação do Ministério da Saúde.
Riscos e efeitos adversos
Segundo a Anvisa, o perfil de segurança do lenacapavir é favorável, com eventos adversos geralmente leves a moderados. A administração injetável pode provocar reações locais, como inchaço, dor, vermelhidão, nódulos, endurecimento da pele e coceira.
A agência alerta também para o risco de resistência ao medicamento, que pode ocorrer se uma pessoa com infecção aguda ou não diagnosticada pelo HIV-1 iniciar o uso do lenacapavir, ou se contrair o vírus durante o tratamento e houver atraso no diagnóstico ou início do tratamento adequado.
Como é usado
A versão injetável deve ser aplicada por um profissional de saúde, por via subcutânea no abdômen, a cada seis meses. Já os comprimidos são tomados por via oral, conforme orientação médica.
O que é PrEP
A profilaxia pré-exposição (PrEP) consiste no uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas com maior risco de infecção pelo HIV. Atualmente, o SUS oferece a PrEP oral combinando tenofovir disoproxil e emtricitabina, que devem ser tomados diariamente.
A PrEP faz parte da prevenção combinada, que inclui também:
- testagem regular,
- profilaxia pós-exposição (PEP),
- acompanhamento de gestantes soropositivas,
- redução de danos para usuários de drogas,
- diagnóstico e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis (IST),
- uso de preservativos, e
- tratamento antirretroviral.
O HIV, vírus causador da Aids, ataca o sistema imunológico, aumentando a vulnerabilidade a infecções, câncer e outras doenças. O HIV-1 é o subtipo mais comum e virulento, e sua transmissão ocorre principalmente por:
- relações sexuais sem proteção,
- compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados, e
- da mãe para o filho durante gestação, parto ou amamentação.
*Com informações da Agência Estado






