Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um agente de trânsito do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) denunciou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS que as blitzes realizadas durante as convenções políticas dessa terça-feira, 4/8 não fizeram parte de uma operação de rotina.
Segundo ele, os agentes receberam ordem para atuar nas proximidades dos eventos políticos. A reportagem também teve acesso a uma ordem de serviço emitida pelo órgão e a mensagens atribuídas a grupos internos de servidores que fazem referência às operações.
O agente, que pediu para não ser identificado, afirma que as fiscalizações foram determinadas internamente para concentrar equipes nas proximidades das convenções, o que, segundo ele, foge da rotina operacional do órgão.
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A denúncia ganhou repercussão após vídeos divulgados nas redes sociais mostrarem ônibus e vans sendo abordados durante fiscalizações nas proximidades da Arena Amadeu Teixeira, onde ocorreu a convenção da federação União Progressista, e do Dulcila Festas e Convenções, que sediou a convenção do Partido Liberal (PL).
“Olha aí, mano. O viés, o verdadeiro viés para os ônibus que querem ir para a convenção política. São os que estão sendo parados. Pode denunciar, colocar na imprensa aí que é pra isso, só pra isso que estão fazendo“, diz o relato de um dos denunciantes.
Em entrevista à reportagem, o agente de trânsito afirmou que as operações chamaram a atenção dos próprios servidores.
“Desde o dia 31 eles estão fazendo essas blitz. O IMMU nunca faz blitz desse jeito. Sempre que faz uma blitz assim é porque quer fazer uma cortina de fumaça com alguma coisa ou já está se preparando para algo.”
Outro ponto que chamou a atenção do agente foi o efetivo mobilizado para a operação. “Existe uma divisão específica para esse tipo de operação, chamada DOT. Mesmo assim, mobilizaram agentes das bases, que trabalham nas suas áreas, para fazer essas blitz.”
Na avaliação do servidor, o horário escolhido para a fiscalização também foge do padrão. “Como é que faz uma blitz cinco horas da tarde, num horário de grande fluxo, numa avenida de grande fluxo? Não existe isso.”
Ordem de serviço coincide com horário da operação
A denúncia apresentada pelo agente é acompanhada por uma ordem de serviço interna obtida pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS.
O documento determina a realização da Operação Mobilidade Segura na avenida Torquato Tapajós, esquina com a avenida Senador Raimundo Parente, nas proximidades do Clube Municipal.
De acordo com a ordem de serviço, a fiscalização foi programada para ocorrer entre 17h e 19h da terça-feira, 4, horário que coincidiu com o início das convenções partidárias realizadas na Arena Amadeu Teixeira.

Mensagens entre agentes citam convenções
Além da ordem de serviço, a reportagem teve acesso a mensagens atribuídas a grupos de WhatsApp utilizados por agentes de trânsito.
Em uma das conversas, um dos participantes escreve: “Determinação para parar os micro e ônibus hoje devido à convenção do Dulcila e da Arena… eles querem boicotar as convenções.”
Na sequência, outro integrante responde: “Tem que acionar a imprensa e chegar ao TRE.”
Em outra mensagem, um participante faz referência aos locais onde aconteciam os eventos. “Dulcila é a Maria do Carmo e o Alberto. Arena é o Cidade.”


Prefeitura nega relação com convenções
A Prefeitura de Manaus informou, na terça-feira, por meio de nota, que a Operação Mobilidade Segura faz parte de um cronograma permanente de fiscalização iniciado na segunda quinzena de julho e realizado diariamente em diferentes regiões da cidade.
Segundo o município, as ações têm como objetivo reduzir acidentes de trânsito, combater irregularidades e preservar vidas.
A Prefeitura afirmou ainda que as equipes atuam em pontos previamente definidos, conforme planejamento operacional, e negou qualquer relação entre as fiscalizações e eventos político-partidários.
“A Prefeitura de Manaus reitera que as ações de fiscalização seguem critérios exclusivamente técnicos e de segurança viária, sem qualquer relação com eventos de natureza político-partidária”, diz trecho da nota.
A reportagem voltou a procurar a Prefeitura de Manaus nesta quarta-feira, 5, para comentar as alegações feitas pelo agente de trânsito sobre a condução da Operação Mobilidade Segura e o suposto direcionamento das fiscalizações. Até a publicação desta reportagem, o município não havia se manifestado sobre os novos questionamentos e manteve apenas o posicionamento encaminhado na terça-feira






