Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM) e usuários do transporte coletivo se manifestaram contra a suspensão da liberação de novos créditos do Passe Livre Estudantil em Manaus.
A medida ocorre em meio ao impasse entre o Governo do Amazonas e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) sobre o pagamento do benefício.
A manifestação foi registrada na quinta-feira, 29/10. A entidade estudantil cobrou uma solução imediata para garantir a continuidade da gratuidade aos alunos da rede pública estadual.
O protesto ocorreu após o Sinetram informar que aproximadamente 180 mil estudantes estão impedidos de solicitar novos créditos para utilizar o transporte coletivo. O Governo do Amazonas, por outro lado, afirma ter quitado os pagamentos referentes a 2026 e contesta as cobranças apresentadas pelas empresas.
UEE-AM cobra regularização dos pagamentos

A entidade estudantil criticou o fato de os alunos serem diretamente afetados por uma disputa financeira entre o poder público e as empresas responsáveis pelo transporte coletivo.
“Esse tipo de impasse financeiro entre o Governo do Amazonas e as empresas de transporte não pode ser jogado nas costas de quem deseja frequentar o ambiente de ensino”, declarou a organização.
Em publicação nas redes sociais, a UEE-AM exigiu a regularização dos valores pendentes e a retomada da concessão de novos créditos.
“Exigimos uma solução imediata, que regularize a situação dos pagamentos pendentes. O direito conquistado dos estudantes não pode retroceder por conta da má gestão dos governantes”, acrescentou.
A entidade também destacou que muitos estudantes dependem das passagens diariamente para estudar e trabalhar.
“A realidade de muitos estudantes, sobretudo da rede pública, é a necessidade de recursos para permanecer no ambiente acadêmico”, afirmou.
Usuários cobram solução


A suspensão também gerou manifestações de usuários nas redes sociais. Uma pessoa atribuiu a falta de repasses a supostos desvios de recursos públicos que deveriam ser destinados ao transporte coletivo.
“O governador do estado passou a mão no dinheiro do Amazonas e o rombo só vai aparecer quando ele sair. Muitas coisas estão vindo à tona nessa reta final dele”, escreveu.
Outra manifestação foi feita por uma mãe, que relatou a dificuldade enfrentada pela filha para se deslocar até a faculdade. “É um absurdo, minha filha tem direito à meia-passagem. Se não tivesse levado dinheiro, viria a pé para casa”, comentou.
Um terceiro usuário atribuiu as dificuldades à gestão estadual e municipal. “Nosso Estado ficou muito lascado mesmo nas mãos desses governadores e prefeitos”, destacou.
Governo afirma ter quitado pagamentos; Sinetram aponta pendências
O Governo do Amazonas afirma que realizou o último pagamento do Passe Livre referente a 2026 no dia 23 de outubro. O Estado também atribui à Prefeitura de Manaus a responsabilidade pela operação do transporte coletivo.
Além disso, o governo contesta a cobrança de aproximadamente R$ 250 milhões apresentada pelo Sinetram, referente ao primeiro semestre de 2025. Segundo o Estado, as empresas não apresentaram comprovação dos custos.
O sindicato, por sua vez, aponta pendências financeiras desde 2025 e afirma que as concessionárias não têm condições de continuar custeando as passagens com recursos próprios.
“As concessionárias não possuem condições econômico-financeiras de continuar custeando, com recursos próprios, as passagens destinadas aos estudantes da rede estadual”, declarou o Sinetram.
Com a suspensão, cerca de 180 mil alunos ficam impedidos de solicitar novos créditos. Os saldos já disponíveis continuam válidos até o esgotamento. Depois disso, os estudantes poderão utilizar a meia-passagem, no valor de R$ 2,50. O sindicato afirma que permanece aberto à negociação.
Omar Aziz comenta impasse
Também nesta quinta-feira, 29/10, o senador Omar Aziz afirmou esperar que o governador Roberto Cidade (União Brasil) consiga resolver as pendências financeiras relacionadas ao passe estudantil até o fim da gestão.
“Não vou mudar minha opinião. O vale-transporte é obrigação da empresa pagar”, afirmou.
O assunto foi abordado durante coletiva de imprensa realizada na sede do Governo do Amazonas, no bairro Compensa, zona Oeste de Manaus, após uma reunião sobre a transição de governo.






