Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O senador e candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), voltou a atacar o governador e candidato à reeleição Roberto Cidade (União), nesta terça-feira 25/8, e apresentou um novo capítulo da denúncia envolvendo atas para aquisição de colchões, travesseiros e redes. Desta vez, Omar afirmou que a R M Comércio de Peças Automotivas Ltda., empresa registrada para fornecer até R$ 160,8 milhões em kits dormitório ao Estado, já havia sido contratada anteriormente com recursos de uma emenda parlamentar destinada por Cidade quando ainda era deputado estadual.
“Governador tampão, quando você era deputado, você destinou mais de R$ 1,3 milhão para a mesma oficina mecânica que eu denunciei ontem”, afirmou Omar em vídeo publicado nas redes sociais.
Documentos oficiais do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM) confirmam que a Emenda Parlamentar Impositiva de Bancada nº 184/2025, de autoria de Roberto Maia Cidade Filho, financiou uma contratação da R M Comércio de Peças Automotivas Ltda..
Contrato de R$ 1,37 milhão
O Contrato nº 19/2025, firmado entre o IDAM e a R M em dezembro de 2025, teve valor de R$ 1.374.640 e previa a aquisição de seis microtratores, 30 motocultivadores e dois triciclos. Os equipamentos seriam destinados a Autazes, Borba, Carauari, Caapiranga, Lábrea, Manicoré e Urucará.
Parecer jurídico do próprio IDAM, emitido em novembro de 2025, também identifica a empresa, o valor da contratação e a utilização dos recursos provenientes da emenda de Cidade. A Procuradoria Jurídica do instituto considerou possível o prosseguimento da contratação.
Na tréplica, Omar questionou a atividade comercial da empresa e desafiou Cidade a explicar a contratação.
“Uma oficina que troca óleo, que troca pneu, não vende motor, não vende trator, não vende implementos agrícolas. Se defende disso agora”, declarou.
O senador ainda colocou em dúvida se os equipamentos teriam sido entregues. Nesse ponto, porém, documentos do próprio IDAM afirmam que o fornecimento foi executado.
Um atestado de capacidade técnica emitido em abril de 2026 registra seis notas fiscais de dezembro de 2025 e declara que os equipamentos foram entregues dentro do prazo e de acordo com as especificações contratadas. O instituto também informou que não havia, até a emissão do documento, registro que desabonasse a atuação técnica, comercial ou administrativa da empresa.
“Mordeu a isca”
A nova manifestação ocorre após Cidade responder à primeira denúncia de Omar, apresentada na segunda-feira, 24.
O senador havia questionado duas atas de registro de preços que poderiam alcançar, juntas, R$ 184,2 milhões. Uma delas previa a possibilidade de aquisição de até 301.180 kits dormitório, compostos por colchão e travesseiro, da R M Comércio de Peças Automotivas Ltda., ao preço de R$ 534 por unidade e valor máximo de aproximadamente R$ 160,8 milhões.
A segunda ata previa até R$ 23,4 milhões para eventual aquisição de redes de dormir de outra empresa.
Após a denúncia, Cidade afirmou que nenhuma compra havia sido realizada e que nenhum recurso havia sido desembolsado. O governador determinou o cancelamento das atas e disse que encaminharia a documentação aos órgãos de controle.
Cidade também rebateu politicamente Omar ao afirmar que seu governo não permitiria corrupção e não seguiria por “maus caminhos”, em referência à Operação Maus Caminhos.
Na fala desta terça, Omar afirmou que o governador teria “mordido a isca, feito tucunaré” e criticou a resposta.
“O governador disse que suspendeu a ata, mas não abriu investigação, não puniu ninguém”, disse.
Omar sustentou ainda que a relação da R M com recursos destinados por Cidade seria anterior à atual gestão.
“A promiscuidade é antiga deles.Você comprou implementos agrícolas dessa mesma empresa com uma emenda de deputado estadual sua. Ou também é mentira isso?”, questionou.
Os documentos analisados confirmam a existência da emenda de autoria de Cidade e a posterior contratação da R M pelo IDAM com esses recursos. Eles também indicam que foi o instituto estadual responsável pelo procedimento de contratação da empresa.
Omar afirmou que levou o caso envolvendo as atas ao Ministério Público Federal, Ministério Público do Amazonas, Polícia Federal e Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).
“Quando eu digo isso é com provas, governador tampão. Se defende disso agora. O teu rolo é mais antigo”, declarou.
A reportagem contatou o governador Roberto Cidade sobre as novas declarações apresentadas pelo senador Omar Aziz e aguarda um retorno.






