Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O senador e candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), denunciou nesta segunda-feira, 24/8, suspeitas de superfaturamento em uma compra de até R$ 184,2 milhões em colchões, travesseiros e redes de dormir prevista pelo Governo do Amazonas.
Após a repercussão do caso, o governador e também candidato à reeleição, Roberto Cidade (União), determinou a suspensão das atas e afirmou que não permitirá irregularidades na administração estadual.
O caso envolve as atas de registro de preços nº 0280/2026-1 e nº 0280/2026-2, resultado de um pregão eletrônico realizado pelo Centro de Serviços Compartilhados (CSC).

Os documentos preveem a possibilidade de aquisição de até 301.180 kits dormitório, compostos por colchão e travesseiro, além de aproximadamente 300 mil redes de dormir. Os produtos seriam destinados a ações de ajuda humanitária da Defesa Civil do Amazonas.

Omar questiona empresas e valores
Omar Aziz afirmou que os valores registrados e a atividade econômica das empresas vencedoras chamaram a atenção.
A RM Comércio de Peças Automotivas Ltda. aparece como fornecedora dos kits dormitório, enquanto a Comércio de Alimentos e Bebidas Rio Madeira Ltda. ficou responsável pelo fornecimento das redes.
Segundo os dados apresentados pelo senador, cada kit, composto por colchão e travesseiro, foi registrado pelo valor de R$ 534. Com a possibilidade de aquisição de até 301.180 unidades, o montante poderia chegar a aproximadamente R$ 160,8 milhões.
Já as redes foram registradas por R$ 78 cada, com previsão de até 300.410 unidades, o que representa cerca de R$ 23,4 milhões. Somados, os valores chegam a aproximadamente R$ 184,2 milhões.
“Um governo que não paga os profissionais de saúde, que não paga os fornecedores, está comprando quase R$ 200 milhões de duas empresas que não fornecem isso. Essa RM Comércio de Peças, ela deu entrada numa nota fiscal para poder se credenciar nessa licitação”, afirmou Omar.
O senador também disse ter encontrado preços menores para produtos semelhantes em pesquisas na internet. Segundo ele, colchões seriam encontrados a partir de R$ 250 e redes de algodão a partir de R$ 2.
Para Omar, as diferenças de valores justificam o encaminhamento do caso aos órgãos de fiscalização.
“Fizeram um arranjo e esse arranjo vai para a Polícia Federal, vai para o Ministério Público Estadual. E espero que o Ministério Público Estadual possa investigar esse tipo de brincadeira que se faz com o povo amazonense”, declarou.
Senador promete acionar órgãos de controle
Omar Aziz também afirmou que os recursos previstos na compra poderiam ser destinados a áreas como saúde e educação.
“Esse dinheiro era para pagar a merenda escolar que não chega para os alunos. Esse dinheiro era para pagar os médicos, os enfermeiros, os auxiliares de enfermagem. Infelizmente a gente tem que fazer essa denúncia porque isso aqui não vai chegar até as pessoas que mais precisam”, ressaltou.
De acordo com o senador, as duas atas foram assinadas pela vice-presidente do Centro de Serviços Compartilhados, Andrea Lasmar.
Omar afirmou que pretende encaminhar representações ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), Ministério Público Estadual (MPAM), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal.
“Vou encaminhar isso através dos meus advogados ao Tribunal de Contas do Estado, ao Ministério Público Estadual, ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, para que investigue essas duas atas de preços que foram homologadas hoje pelo vice-presidente da Comissão de Licitação”, afirmou.
Roberto Cidade determina suspensão
Após a repercussão da denúncia, Roberto Cidade anunciou nas redes sociais a suspensão das duas atas.
O governador afirmou que nenhuma compra havia sido efetivada e que não houve desembolso de recursos públicos. “No meu governo, eu não vou admitir corrupção. Nós não vamos entrar nos maus caminhos. Nós vamos combater esse tipo de política”, declarou Cidade.
Segundo o governador, o procedimento havia chegado apenas à fase de registro de preços, sem contratação efetiva dos produtos. “Não saiu nem um centavo da nossa gestão e nem vai sair”, afirmou.
Cidade também informou que a documentação será encaminhada ao Ministério Público e aos demais órgãos de controle para análise da regularidade do processo.
“Já estamos suspendendo essa licitação e vamos encaminhar o processo para o Ministério Público e para os órgãos de controle para que eles analisem. Então é dessa forma que a gente vai caminhar, cumprindo o nosso papel que serve ao povo do Estado do Amazonas”, afirmou.






