Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Após anunciar a pré-candidatura ao Governo do Amazonas no último dia 6/7, o governador Roberto Cidade (União Brasil) chega à corrida eleitoral após uma trajetória marcada por decisões administrativas, embates políticos e episódios que ganharam repercussão pública.
Do período em que presidiu a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) até a atual passagem pelo comando do Executivo estadual como governador-tampão, o político acumulou críticas, questionamentos e debates envolvendo medidas como a alteração das alíquotas do IPVA no Amazonas, a repercussão de uma viagem à Grécia envolvendo um restaurante de luxo conhecido pela venda de carne folheada a ouro, além de medidas administrativas adotadas no Executivo estadual.
IPVA, críticas e mudança nas alíquotas
Durante a presidência da Aleam, Roberto Cidade conduziu, em dezembro de 2022, a votação do projeto que elevou as alíquotas do IPVA no Amazonas, passando de 2% para até 4% a partir de 2024. A proposta havia sido encaminhada pelo então governador Wilson Lima (União Brasil) como uma medida para compensar perdas na arrecadação estadual.
Após a repercussão negativa entre contribuintes, a Assembleia Legislativa aprovou o chamado “IPVA Social”, ampliando a faixa de isenção do imposto de R$ 200 para R$ 450, beneficiando principalmente proprietários de motocicletas e veículos de menor valor.

Em 2025, em meio às articulações políticas para o período eleitoral, novas discussões resultaram em uma proposta para reduzir as alíquotas do imposto pela metade a partir de 2026, fazendo com que os valores retornassem ao patamar anterior ao reajuste.
Disputa pela presidência da Aleam e acusação de compra de votos
A eleição de Roberto Cidade para a presidência da Aleam, em dezembro de 2020, também foi marcada por controvérsia. Na ocasião, a deputada estadual Joana Darc (União Brasil) afirmou, durante discurso na tribuna da Casa, que teria recebido uma oferta de R$ 200 mil em troca de apoio parlamentar.

O episódio resultou na abertura de um processo na Comissão de Ética da Assembleia, que poderia levar a uma punição contra a parlamentar. Posteriormente, Joana Darc pediu desculpas e afirmou ter se equivocado sobre a acusação.
Viagem internacional e episódio da ‘carne de ouro’
Outro episódio que ganhou destaque na imprensa local envolveu uma viagem de férias de Roberto Cidade à Grécia. Durante a estadia em Mykonos, o parlamentar publicou registros em um restaurante de luxo comandado pelo chef Nusret Gökçe, conhecido internacionalmente como “Salt Bae”.

A repercussão ocorreu devido aos valores associados ao estabelecimento, incluindo pratos com carne folheada a ouro, que podem alcançar milhares de reais. O episódio gerou críticas nas redes sociais e debates sobre a exposição pública de autoridades.
Medidas no governo e questionamentos administrativos
Após assumir o Governo do Amazonas como governador-tampão, Roberto Cidade editou decretos que provocaram novos debates políticos.
Um deles, o Decreto nº 54.220, estabeleceu medidas de contenção de despesas públicas e determinou restrições ao pagamento de despesas de exercícios anteriores a 2026, referentes a compromissos herdados da administração anterior.
Outro ato que gerou questionamentos foi o Decreto nº 54.200, que remanejou R$ 100 milhões previstos no orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para o Amazonprev. A medida recebeu críticas da comunidade acadêmica e de setores sociais. Após a repercussão, o governador revogou o decreto.
Atualmente, tramita na Assembleia Legislativa uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviada pelo Executivo estadual que altera regras fiscais relacionadas ao Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (FMPES), administrado pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam).
A proposta prevê a possibilidade de utilização de parte dos recursos do fundo, estimados em R$ 215 milhões, para despesas de manutenção da máquina pública. O texto ainda aguarda análise e votação no plenário da Aleam.
Oposição apresenta denúncias e questionamentos sobre contratos
A pré-candidatura de Roberto Cidade também passou a ser alvo de questionamentos de adversários políticos.
O deputado federal Amom Mandel (Republicanos) apresentou representações ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitando apuração sobre contratos de transporte escolar fluvial firmados entre a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) e a empresa Navegação Cidade, ligada à família do governador.
Segundo a representação apresentada pelo parlamentar, os contratos realizados entre 2016 e 2020 apresentam possíveis irregularidades, incluindo questionamentos sobre valores que ultrapassariam R$ 288 milhões. Os pedidos ainda aguardam análise dos órgãos competentes.
No âmbito municipal, o vereador Sargento Salazar (PL) também fez denúncias na Câmara Municipal de Manaus, alegando tentativas de intimidação e oferta de vantagens financeiras envolvendo pessoas ligadas ao governo estadual. O parlamentar afirmou que a situação teria relação com uma tentativa de prejudicá-lo politicamente.






